12 de dezembro de 2006

Minutário de Bruxelas - parte II

Sábado, 25 de Novembro – Reunião em Bruxelas

9.29 – A caminho da sala de reuniões reparo no retrato do Pedro Arrupe que está na entrada da casa. Lembro-me de uma frase a descrevê-lo que ouvi do escritor Pedro Lamet na reunião comunitária que tivemos lá em casa: “era una persona que tenía el yo aniquilado!”.

9.32 – Reunião de trabalho. Presentes: o Mark (belga, Provincial da Europa), o Dermot (irlandês, seu sócio), o Enric (catalão, ex-Coordinator Comitee), e os recém-empossados CoCo’s, o Luca (italiano, chairman), o Andrzej (polaco) e eu (tuga). Que diversidade!

10.45 - No meio da mesa de reuniões, uma tentadora caixa de bom-bons belgas. Tiro um bom-bom, não tiro. Tiro, não tiro. Tiro, não tiro. Tiro, não tiro. Tiro. Ã? De que é que estamos a falar agora?

12.30 – Almoço em comunidade. A diversidade de línguas e de raças aumenta mais um bocadinho. Conheço mais alguns membros desta comunidade flamenga. Sopa com carne, outra vez!

13.10 – Engraçado: aqui também há o costume de cada um levar alguma coisa para a copa para ajudar a arrumar a mesa.

14.26 – Metro de Bruxelas. Passeio pós-almoço com o Enric e o Andrzej. Parece que, de repente, fomos parar ao metro de Ankara. Só se vê muçulmanos por todo o lado.

14.35 - Já estou arrependido de ter vindo. Devia ter ficado a dormir a sesta. Já sei que vou morrer durante a reunião logo mais à tarde.

15.00 – Reunião, 2nd round. Agora somos só nós, os miúdos, para discutirmos entre nós os pontos estabelecidos na reunião da manhã.

18.22 - Missa em inglês. O Luca lidera os cânticos de Taizé.

19.12 – Jantar num restaurante que, nas palavras do Mark, “não era caro”. Hum... pois. “Caro” é um conceito relativo, não é?

22.05 – Encontro com a Joana (amiga do Campos e do Fred). Ela reconheceu-nos logo: a pinta de seis homens a passear juntos não lhe deixou muitas dúvidas.

22.31 – Passeamos os dois animadamente pelo centro da cidade. Como se fôssemos velhos amigos. É o que faz a amizade de amigos, e também a portugalidade!

22.34 - Aquilo ali é uma joalharia... ou é... hum? Que é aquilo? Ah! É uma chocolataria. Pois...

22.43 - Encontro casual com três amigos da Joana. Tugas! Entramos num café e subimos ao 2º andar. Não me lembro de viver um sentimento tão grande de portugalidade. Isto é mesmo giro poder conviver com a Marta, a Inês e o Luís, conhecer um pouco do seu passado, dos seus sonhos.

00.57 – Têm a amabilidade de me levar a casa. Para dizer a verdade é um alívio não ter que voltar para casa pelos meus próprios meios. Eu não me lembro de que transportes levam de volta a casa, um dos meus companheiros ficou com o meu mapa... será que o conseguiria? Fiquei sem saber.