28 de dezembro de 2006

Máquina de lavar o coração


No fim-de-semana de 14 a 17 de Dezembro orientei, em colaboração com o Luís Amaral, os meus primeiros Mini-Exercícios Espirituais. Antes dos EE’s estava especialmente preocupado com o acompanhamento das pessoas: se exigiria mais do que eu poderia dar, se eu estaria preparado, se as pessoas me iriam pôr perguntas ou expor situações demasiado complexas…

Durante os EE’s foi tal o ritmo de preparar e dar pontos e de atendimento nos tempos restantes, que não tive tempo para pensar e muito menos para sentir o coração. O tempo passou a correr. Só no fim, no regresso a casa, pude parar e sentir o coração. E aí pude avaliar os primeiros frutos mais visíveis da experiência e tirar conclusões. Já passados alguns dias, sinto que:

1. Fiz uma revisão da matéria

Um lema que eu tenho é o de que “ensinar é aprender duas vezes” e isto no caminho espiritual significa que o mestre, o orientador, ao falar de Deus tem que ter a matéria de tal maneira apreendida e vivenciada que isso implica, só por si, que traga à memória a sua própria experiência espiritual, e exige que a sua própria vida se rectifique, se volte para Deus. É certo que somos sempre peregrinos a caminho (e não peregrinos que chegaram a um lugar definitivo) mas é uma questão de honestidade espiritual: quem poderá falar de uma fé que não vive com convicção e profundidade? O Deus do qual se fala é tanto mais convincente quanto mais é vivido.

A preparação dos pontos foi, mais literalmente, uma “revisão da matéria” porque consultei uma série de fontes relacionadas com os EE’s que me ajudaram a criar o ambiente daquilo que iria transmitir nos pontos: EE’s já feitos por mim (principalmente os do Pe. Mestre); “O Deus das Surpresas” (de G.W.Hughes sj); “Manual do Peregrino” (do Pe. Antº Vaz Pinto); “Caminhar sobre as águas” (de Anthony de Mello); as histórias e os esquemas explicativos do Pe. Nuno Tovar de Lemos; e muitas outras referências que foram espontâneamente aparecendo na memória.

2. Constatei a solidez da formação já recebida

No confronto com este desafio apostólico vi melhor a qualidade e solidez do percurso feito até agora. Senti-me tranquilo ao desempenhar a tarefa que me foi pedida. Mesmo nas tão temidas conversas senti que ao nível espiritual, graças à porrada de seis anos de EE’s e de vida espiritual mais explícita, havia uma natural facilidade em ler os acontecimentos interiores das pessoas, em sentir e situar o que era dito.

Também ao nível de capacidade de trabalho vi-me a agradecer o stress da vida académica, a estaleca que dá andar a fazer trabalhos a correr, a habituação de ter que cumprir leituras e apresentações em prazos limitados. Isso tudo fez com que me sentisse bastante normal a preparar pontos em “X” tempo e a gerir o tempo sempre mais curto do que gostaria.

3. Constatei também a importância da formação que falta receber

Nas conversas pude também defrontar-me com os meus limites pessoais e de formação. De facto, apareceram situações às quais eu não sabia responder nem dar uma orientação mais clara: “o que é que me está a escapar aqui?”; "como é que poderei ajudar?".

Durante as conversas passava o tempo quase todo a sintonizar com uma comunhão de coração com a pessoa e a pedir ao Espírito Santo que iluminasse a pessoa e a mim. E que fosse Ele a tocar as pessoas. Ao mesmo tempo sentia imensa liberdade quanto aos frutos. Dei-me conta de que não se pode mesmo querer resultados imediatos em matérias que levam anos de sedimentação nas pessoas.

4. Confrontei-me, em directo, com a urgência da cura personalis

O que mais me marcou foi o acompanhamento, as “conversaciones” e, em particular, aperceber-me da presença do mal na vida das pessoas: fosse um mal provocado por outras pessoas como um mal que a própria pessoa vive e do qual não se quer ou não se consegue libertar.

O aspecto positivo disto é que se tornou para mim mais evidente a necessidade e a pertinência do nosso trabalho de cura personalis. De facto, a humanidade, cada pessoa à nossa volta precisa de ser salva, precisa de ganhar saúde espiritual. O inferno não está fora, está dentro de nós. A paz começa pela vida interior.

O contacto com as pessoas foi uma excelente oportunidade para compreender muito mais profundamente as lições dos meus formadores nos últimos anos. Não só percebi que esses cursinhos todos de fim-de-semana e retiros e conferências a que assisti serviram para me moldar e me fazer crescer como também percebi que há uma perenidade na sabedoria espiritual que faz com que ela se aplique a cada pessoa em particular.

5. Andei à procura do meu modelo

Conforme ia fazendo o atendimento ia-me lembrando de alguns companheiros e de como o fariam, tentando encontrar a minha própria forma de estar: “não roer as unhas nem franzir o sobrolho como… X”; “não falar demais como… Y”; “ouvir com atenção a pessoa como… Tsem estar a pensar se correram bem os pontos que acabei de dar ou a pensar na conversa que vem a seguir”; “estar na atitude de humildade amorosa como… Z”; “não deixar a conversa morrer como… R”; “liberdade interior em relação ao que a pessoa possa dizer”; “não reter a pessoa mas mostrar caminhos de liberdade”.

Só no fim partilhei que estes eram os meus primeiros EE’s, não fosse o Mau Espírito fazer das suas e andar a chatear as pessoas com coisas do género “Ah e tal… o gajo não tem experiência”; “é tão novinho: como é que pode saber do que está a falar?!”. Ainda houve quem confessasse que, ao olhar para o Luís e para mim, pensou “Ai! São tão novinhos!”. Mas não foi impedimento.

6. Senti-me a lavar o coração.

A maior graça que recebi foi sentir-me a dilatar o coração com a montanha-russa de vidas, histórias, dores, sofrimentos, apegos, dependências, alegrias e gargalhadas que me passaram pelas mãos e pelo coração. Cada pessoa, um planeta. Uma tarde, várias conversas, eu aos solavancos a acompanhar cada alma em abertura confiada. O meu coração a alargar e a descentrar de mim mesmo. Cheguei a casa com o coração lavado, com a marca da alegria serena.

5 comentários:

vivercomalma disse...

meu querido joão, senti-me comovida e com os olhitos a brilhar por te ler nesta experiência. rezo por ti deste lado do mundo,
um abraço
luisa

Anónimo disse...

adorei essa tua "maquina de lavar o coração" bom ano de 2007

Anónimo disse...

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