5 de dezembro de 2006

Quero dizer-te uma coisa...


Bem, não sei por onde começar... Já há muito queria dizer-te isto mas não consegui arranjar oportunidade. Já sabes como é, vamos adiando, deixamos passar aquela outra vez em que por acaso nos cruzamos. Porque será que é tão difícil dizer aquilo que queremos dizer,que precisamos de falar? A comunicação é tão exigente, pede tanto esforço e sinceridade que muitas vezes preferimos o silêncio.
De facto, como posso exigir que me percebas se não sou capaz de te dizer aquilo que me separa de ti? Como posso ofender-me, sentir-me desiludido se por nenhuma vez fui capaz de me dar a conhecer? Quantos silêncios mal geridos me foram destruindo a serenidade interior! O silêncio é aquele pedaço de estrada que nos está a separar.
Na Antiguidade Aristóteles afirmou que o homem é um animal social, só se concretiza como pessoa no encontro, no diálogo com os outros. É no outro que me encontro, que existo. Não fui feito para viver sozinho. Nenhum homem é uma ilha.Para o outro só me posso dirigir por minha iniciativa. Para quê tantas costas voltadas, tantas barreiras construídas à minha volta? De que adianta este medo do confronto com a verdade? Não valerá a pena optar pela sinceridade? Só isto me pode conduzir a ti.
Vale a pena construir relações fundadas no diálogo sincero. Só aí sou capaz de abater as barreiras que nos separam, atenuar as diferenças, construir a união. Pedimos a paz para o mundo, a paz para os homens, a paz entre as nações mas muitas vezes somos os primeiros a deixar construir os pequenos conflitos.
Bem, hoje quero dizer-te...

"Quando o coração fala vencendo o medo revelam-se as mentes. Lembro uma assembleia de oração que já ia longa, em que os adultos repetiam: "Eu queria pedir por isto e mais por isto... E também queria pedir por..." Até que uma criança se levantou e disse: "Eu queria pedir para me ir embora!" Deus gostou. E ouviu-o. A sessão acabou ali."
In: Não há soluções há caminhos, Pe. Vasco Pinto de Magalhães