12 de janeiro de 2007

Era uma vez um paralítico...


Era uma vez um homem que se calava muitas vezes, que se movia com o auxilio dos outros, dominado pelos seus medos. Um homem sem nome... Um paralítico...

Nenhum de nós é paralítico. Não estamos deitados numa enxerga nem precisamos dos outros para nos movermos. Será mesmo assim? Não poderei ser o paralítico da história?

Lembro-me agora do meu primeiro encontro de Crisma. Não era habitual em mim fazer algo sem a família, os amigos! Estava nervoso. Aparecer assim sozinho, sem conhecer ninguém? Não será melhor esperar por outra oportunidade? Pensei em desistir. Até que me enchi de coragem e dei o passo. Fiz o Crisma. Conheci os jesuítas e a minha vida nunca mais foi a mesma. Quanta coisa não teria mudado se me tivesse deixado paralisar!

E nós? E aquelas alturas em que nos calamos perante os erros do outro? E sempre que passamos ao largo quando são precisas duas mãos? E naquelas vezes em que é preciso um pedido de desculpa ou um "obrigado" e por medo ou orgulho não o fazemos? E todas as vezes que nos deixamos mover pelo que dizem os outros, pelo que vão pensar?

Ele está à nossa espera. "Estou aqui para curar-te. Quero-te capaz de andar sozinho. Vens ter comigo. Que posso eu fazer senão dar-te o que me pedes? Levanta-te, não tenhas pena de ti. Quero que sejas livre."

Era uma vez um homem que falava quando era preciso, que vencia os seus próprios medos... Um homem curado por Jesus...