19 de março de 2007

Estas mãos não estão fechadas...

Havia um homem lançado num caminho. Um homem sem nome, sem voz, sem rosto. Um dia o caminho que seguia encontrou-o perdido, perdido em si, perdido sem lugar.
O homem caiu, caiu e chorou. Este homem queria mais, queria ter voz, queria ter nome, queria ter rosto. Estava farto de rodopiar à sua volta. Levantou os olhos e reparou que no seu caminho outros caminhos se cruzavam, outros homens, outras mulheres surgiam.
O homem pôs-se em pé e caminhou na sua direcção. Sentiu- se, de repente, com rosto. Alguém o chamava pelo nome. Podia falar e ser escutado. As lágrimas cessaram. As suas mãos fechadas abriram e nelas viu surgir um novo trilho. Aquelas mãos abertas fizeram nascer uma possibilidade. Algo de novo surgiu. A vida nasceu!
Aquelas mãos abertas... Quanto delas brotou! Quantas outras mãos puderam segurar! Quanta confiança fizeram multiplicar! Quantas lágrimas fizeram cessar! Quantos sorrisos fizeram abrir!
Aquelas mãos abertas... Quanto delas brotou!


Hoje é dia do pai, dia da vida, dia de mãos que não estão fechadas. Hoje é o dia de todos nós, dia de aprendermos a abrir as mãos, dia de aprendermos a viver...