16 de março de 2007

Exprimir os afectos… até que ponto?

“Mas vocês [jesuítas] interessam-se por essas coisas?!” perguntou-me admirado. Estávamos em pleno Verão, no meio do quente do Alentejo. A conversa surgiu quando saímos os dois de carro para abastecer o campo de férias que estávamos a animar. Ele como director, eu como “capelinho”. Já não sei porquê comecei a falar do John Powell e do seu livro O Segredo do Amor Eterno e confessei-lhe a admiração que nutria pelos seus ensinamentos. Falámos do amor, das relações de amizade, e até das relações de namoro e casamento. Foi então que me perguntou admirado: “Mas vocês interessam-se por essas coisas?!”.

Como sempre, nestas situações, não devo ter respondido grande coisa. Fiquei também eu admirado com a pergunta que ele me tinha feito. Mas fiquei a digerir interiormente: “Interessados em amor, nós, jesuítas? CLARO QUE SIM! Se não fosse o amor, e por amor, que sentido teria a nossa vida?”.

É claro que isto não se vive de repente e pronto. Há um trabalho contínuo a fazer. Por dentro e por fora. Pessoalmente, tenho-me visto no meio de uma das melhores escolas do Amor que deve existir no mundo. A vida em comunidade é um autêntico laboratório de relações humanas e de auto-conhecimento! E não teria sentido nenhum se não fosse para sermos melhores, para amarmos mais. O que não quer dizer que seja fácil. Antes pelo contrário.

Sentindo-me um bocado analfabeto nesta questão dos afectos a verdade é que tenho aprendido a abrir os meus canais de comunicação e a deixar que o fluxo vital corra mais livremente. E, volta não volta, vem-me a interrogação: Exprimir os afectos… até que ponto? A isto John Powell parece responder no tal livro:

“Eles eram irmãos, sacerdotes e jesuítas. Por muitos anos tiveram uma amizade rica e recompensadora. Percorreram, juntos, a longa e penosa caminhada do seminário. Quando um deles precisava de algo especial – tempo, alguém para o escutar ou qualquer outra coisa o outro estava sempre lá.

A amizade terminou abruptamente em tragédia e morte. Um deles foi atropelado e morto em frente da casa onde moravam com a comunidade. Quando foi informado de que o amigo estava estirado morto sobre o asfalto, o outro correu, atravessou o cordão de curiosos e polícias e ajoelhou-se ao lado do velho amigo. Embalou, nos seus braços, suavemente, a cabeça do morto e, diante de todas aquelas pessoas boquiabertas, deixou escapar: «Não morras! Tu não podes morrer! Eu nunca disse que te amava!»”.

(Recomendo: John Powell, O Segredo do Amor Eterno, Paulinas, 1990)

5 comentários:

Bolinha de Sabão disse...

:) grande livro sobre RH, afectividade e comunicação inter-pessoal! Boa escolha :D

Tenho que voltar a comprar um para mim que dei o meu de presente a uma amiga...

ERute disse...

Ainda não li o livro na sua totalidade, mas já li outras obras de John Powell e achei muito interessantes...

Que belo ter tido a oportunidade de reler um pedacito desse livro aqui e agora...

Conguitos disse...

Muito interessante toda este post. Ressalvo a ultima parte «Não morras! Tu não podes morrer! Eu nunca disse que te amava!»”. Esta é uma frase que se aplica a todas as situações da nossa vida. É muito complicado e difícil para muitas pessoas darem os parabéns sobre algo que fizeram ou dizer o quanto gostamos dela até um dia em que não mais o podemos fazer.
Mas se o fizermos veremos que a recompensa é muito gratificante. Em termos profissionais veremos resultados magníficos. Nas relações familiares, amorosas e de amizade veremos que se criam elos muito mais reais e verdadeiros.

Monge disse...

Caro João,
belíssimo post! Fiquei com curiosidade em ler o livro. Na verdade a vida comunitária é uma escola que nos ensina a viver, um laboratório de afectos, positivos, e até, negativos (Não podemos fingir hipocritamente que tudo é bem dentro de uma comunidade!). Mas a dinâmica da comunidade, é mesmo essa. Um crescer e um aprender a amar, par a par, em conjunto, mesmo até aqueles de quem não gostamos e que sentimos sempre tanta dificuldade em olhar e compreender. Dentro das nossas comunidades ainda se terá que abrir muitas mentes fechadas para que se possa falar de amor verdadeiro e do amor que sentimos uns pelos outros, sem desdém e preconceito. Tocou-me a história de Powell. Ele soube por por escrito o que muitas vezes gostariamos ter coragem de dizer.
Tenho lido os textos do vosso blog. Fiquei fã! Continuo a rezar por vós e convosco, com uma estima muito especial... Enfim, não se pode apagar da minha história (e ainda bem que não) a marca da SJ na minha caminhada e mesmo no meu modo de ver e viver a Fé!
Um abraço cheio de amizade!

freefun0616 disse...

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