22 de março de 2007

Vale a pena ser ateu?

Muitas vezes questiono os argumentos sistematicamente apresentados pelos ateus para justificar a sua opção. De facto tudo era mais simples se Deus se dependurasse numa nuvem e pudéssemos contemplá-lo a toda a hora. Tudo seria mais simples se a Igreja não viesse com tantas normas e não nos desse tantos conselhos para a nossa conduta. Tudo seria bastante menos complexo se percebêssemos como foi criado o mundo, e o porquê de existir sofrimento.
Porém, mesmo não acreditando em Deus, todo o homem deseja ser feliz, quer alcançar um estado de serenidade que lhe permita viver a sua vida com optimismo. Ora essa felicidade está ao seu alcance. O Cristianismo dá uma resposta clara ao homem. Uma das mais evidentes chama-se humildade.
A humildade leva-nos à aceitação das nossas diferenças em relação aos demais, conduz-nos a um olhar límpido sobre nós mesmos. Só quando sabemos viver com as nossas limitações podemos fazer caminho rumo à felicidade. Se continuarmos a viver em estado de revolta por causa do acidente que me fez perder o meu melhor amigo, ou por causa de um atraso que me não permitiu concretizar aquele projecto tão importante, ou ainda porque sem uns olhos azuis sou menos feliz, então estaremos a escolher o caminho da tristeza. Se eu souber aceitar o que não posso mudar já dei meio passo para alcançar a felicidade.
O resto do caminho tem que ser feito por cada um de nós (um cristão tem o estímulo do exemplo de Jesus Cristo). Lembrando a parábola dos talentos, cada um de nós deve arregaçar as mangas e maximizar o que pode dar. Não vale a pena estarmos sempre a fugir das situações que nos custam. "Eu não posso passar por ali porque está lá uma pessoa com quem me é difícil falar.", "Não me peçam para trocar uma lâmpada porque tenho medo de estragar o candeeiro.", eis algumas das respostas que constantemente nos limitam. Porque não arriscar? Se não sei fazer posso aprender. Quem agora é um grande cozinheiro teve que começar como um grande ignorante em cozinha.
Tudo isto só para justificar o porquê do optimismo cristão. O homem é um ser limitado, mas pode daí tirar partido. O Cristianismo dá uma resposta clara ao sofrimento, dá uma resposta aos anseios do homem. Para isso, é verdade, torna-se imperativo renunciar à nossa sede de querer perceber tudo e de ter as verdades da vida coladas na retina dos nossos olhos.
Deixar de acreditar em Deus é abrir um vazio, é dar espaço à desolação da finitude. Se podemos optar pela felicidade, porquê complicar? É isso que os ateus buscam nas suas questões. Buscam um sentido, buscam um motivo, buscam uma resposta para a sua existência. Querem a felicidade, acredito eu.
Queremos todos a felicidade, não queremos? Se queremos todos o mesmo então temos que estar todos do mesmo lado. Vale a pena meditar na proposta de Jesus Cristo...