11 de maio de 2007

Porquê tanto stress?

No nosso mundo civilizado orgulhamo-nos dos nossos telemóveis de 3ª ou 4ª geração, das nossas bandas largas, das nossas auto-estradas, das nossas televisões de plasma, dos nossos micro-ondas. E temos razões para isso. O nosso nível de vida é fantástico! Fazemos inveja ao resto do planeta. No entanto, olho à minha volta, e só vejo gente stressada. Andamos sempre todos a correr. Dum lado para o outro. A fazer coisas. A produzir. A executar. A cumprir tarefas. E todos nós, todas estas pessoas privilegiadas que têm tudo, todos nos queixamos de falta de tempo! Não é um contra-senso?

Pior ainda. No passado Domingo, ouvi algo impensável.

Tudo bem, já não me espanta ver-me a mim próprio a correr que nem coelho da Alice no País das Maravilhas; já não me espanta ouvir amigos a queixarem-se que não têm tempo para gozarem a vida de casal; já não me espanta ouvir pessoas reformadas confessar que as obrigações lhes absorvem o tempo todo; muito menos me espanta ver jesuítas com ritmos alucinantes de trabalho.

O que me deixou boquiaberto foi que, numa reunião de religiosos da diocese de Braga, uma Irmã desabafou que “até as velhinhas de 70 e 80 anos [da sua comunidade] vivem em stress!”.

Até as velhinhas de 80 anos!?! Como é isso possível? O que é que andamos a fazer com a vida? De certeza que não é vontade de Deus que nos enterremos constantemente em stress!

Em relação às pessoas “normais”, pergunto-me: Não será que andamos enganados? Não será que fomos iludidos por acreditar que determinados aparelhos nos facilitariam a vida? Não será que a factura a pagar por ter tudo é deixar-nos sem nada? Não será que deveríamos ter a coragem de largar alguns confortos exteriores em benefício da saúde interior?

No caso específico de nós, religiosos, apetece-me perguntar: Não será que nos andamos a deixar levar pelo espírito de eficiência do mundo? Não será que andamos a adorar o deus da produtividade? Não será que devíamos gastar mais tempo a estar uns com os outros e com as pessoas, em vez de andarmos a cumprir obrigações? Mesmo os deveres mais "santos" como as orações comuns ou as missões que nos são atribuídas: não será que deveriam ser redimensionados?

5 comentários:

Francisco Machado, sj disse...

Meu caro João, sinto o mesmo que tu e acho que cada um deve reflectir a sério nisso.

Nesse sentido uma das coisas que mais me tocou nos últimos tempo foi uma afirmação do Papa que não sei reproduzir ao certo. Seria mais ou menos assim:

"A inutilidade da oração é que nos liberta da eficácia para a gratuidade!"

É uma outra lógica!

nuno branco, sj disse...

João,
é verdade o que dizes, mas não se será assim tão óbvio. Se perguntarmos às pessoas, obviamente que elas responderão que preferiam viver sem stress. Parece-me que o stress é o preço de quem luta pela vida: a correria do dia, a agitação do trabalho, etc. É verdade que muitos não encontram na oração, nem no silêncio sentido algum para as suas vidas, mas tb acho que a nós religiosos faz-nos bem experimentar na pele o stress de um leigo, caso contrário corremos o risco de ser padres de estufa. Lá está o tanto quanto é a medida exacta. Estou a lembrar-me de um texto que me tem ajudado e que nos pode ajudar sobre este assunto.
"Com os judeus, comportei-me como judeu, a fim de ganhar os judeus; com os que estão sujeitos à Lei, comportei-me como se estivesse sujeito à Lei - embora eu não esteja sujeito à Lei -, a fim de ganhar aqueles que estão sujeitos à Lei. Com aqueles que vivem sem a Lei, comportei-me como se vivesse sem a Lei, - embora eu não viva sem a lei de Deus, pois estou sob a lei de Cristo -, para ganhar aqueles que vivem sem a Lei."
Explico-me? Às vezes Joao é preciso ir ao stress para poder ajudar melhor quem lá se encontra.
Faz sentido o que digo? ;)
Um abraço

Anónimo disse...

Nunes, tens todo o meu apoio!!!
frederico

João Delicado, sj disse...

Nuno:
Sim, fazes bem em acentuar o lado da encarnação, do estar ao lado das pessoas, viver o que as pessoas vivem. Claro que isso é essencial.

O que eu queria acentuar com o meu texto é que há stress e stress. E boa parte do stress que vivemos, parece-me, é inconsequente. Ou seja: não é algo que dê fruto. É simplesmente ter areia na engrenagem. A máquina não funciona bem. É sermos enganados por aparências de bem. E isso deve ser evitado. O problema, como dizes, é que não é nada óbvio. Exige discernimento. E mesmo assim...

Talvez ajude dar exemplos concretos, meus conhecidos, que estavam implícitos no meu texto:
-pessoas que acham mesmo necessário comprar o carro Z (nem sabem bem porquê) - em vez de comprar o carro Y ou até continuar a andar de autocarro - e depois têm que se matar a trabalhar para o pagar a prestações;
-pessoas que querem tanto proporcionar tudo do melhor à família que não se apercebem que, pela carga de trabalho que isso exige, lhe estão a tirar o melhor que é a sua presença em casa;
-futuros padres em formação que conheço que se queixam que passam tantas horas com aulas disto e daquilo, mais orações e actividades comuns, que não têm tempo para estabelecerem relação com os outros nem com Deus.

Situações como estas são ilusões, armadilhas em que caímos, pressões que nos matam devagar, e para as quais alguém tem que alertar. O que eu queria acentuar é que o fazer e o ter muito, por si só, não pode ser critério. E andar em stress constante pode muito bem ser sinal de alarme de qualquer coisa que não está bem.

Outra coisa diferente é que vivamos num corropio constante por opção, porque achamos que é isso que devemos fazer e fazemo-lo em serenidade interior. Esse é um stress bem vivido.

Enfim… quanto a esta conversa que se gerou, fico a pensar que no fundo, nós religiosos, vivemos sempre na tensão própria de quem faz a ponte entre dois mundos. Vivemos com um pé num lado e outro no outro. Em equilíbrio constante. Algures entre a encarnação e a ascensão. E haverá sempre alguém que acentue um lado, e outro alguém que acentue o outro lado. Para equilibrar no meio.

Abraço, Nuno!
PS-Acho que isto dava uma bela conversa (ao vivo) entre companheiros.

freefun0616 disse...

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