28 de agosto de 2007

Impressões da minha visita à Polónia

Durante a minha estadia de quase um mês na Polónia, a propósito do Encontro Europeu de Jesuítas em Formação, fui sendo impressionado por algumas experiências soltas que me pareceram dignas de registo. Passou-me pela cabeça fazer um “minutário” (como na viagem a Bruxelas), pensei em tirar “fotos escritas” (como fiz na peregrinação à Sra. da Abadia), pensei em desenvolver um texto que reflectisse um pouco sobre “Semelhanças e Diferenças” entre nós e eles (até já me tinha decidido a mencionar a importância que a filosofia teve na minha maneira de ver o mundo). Mas, no fim, o que saiu foi uma amálgama descomprometida de impressões soltas sobre o que vivi. A inspiração, afinal, talvez venha do formato “BuliNovas” desenvolvido pelo meu irmão Nuno.
É bom assumir desde já que generalizarei abusivamente destas impressões fazendo delas a minha visão da Polónia. Fora com a objectividade! Viva a subjectividade! É um perigo que eu assumo visto que nem sequer tenho alternativa. Mas é um perigo divertido (como veremos). Espero conseguir partilhar um pouco da riqueza que recebi. Por isso, aqui vai.
(para ler o resto do texto: ver comentários)

2 comentários:

João Delicado, sj disse...

2. O acordar:
Foi o aspecto que mais me custou pelo cansaço que foi acumulando: todos os santos dias, às 5.30 da manhã, o Sol entrava fulminante pelo quarto dentro. E agora, alguém me pode perguntar: “então e porque é que não fechavas os estores?”. Pois… boa pergunta: porque os quartos, na Polónia, não têm estores!!! Agora pergunto eu: como é que é possível dormir em quartos sem estores com uma luz tipo iluminação de estádio de futebol a invadir àquelas horas indecentes!? Hum?!? Várias manhãs acordei a mandar o Sol a um certo sítio. Enfim: como só havia cortinas, e eram claramente insuficientes, a única técnica que permitia minorar a coisa era pôr uma t-shirt encima da cara até à hora de acordar.
O pior é que os problemas matinais não se reduziam à questão da luz: todos os santos dias, por volta das 6.00, começava-se a ouvir movimentação na casa: eu e mais dois da organização estavámos instalados numa casa de hóspedes em que também viviam umas irmãs com a sua própria zona de clausura: por alguma razão que não chegámos a descortinar, a essa hora havia um rebuliço particularmente ruidoso com portas a bater, a abrir e a fechar, passos apressados no corredor, passos pesados nas escadas. Os que ali estávamos instalados passámos a chamar àquele fenómeno “the iron nun”, porque um de nós desenvolveu a teoria de que se trataria de uma irmã a desempenhar as suas tarefas de lavandaria.
Para completar o quadro, essa dita casa estava completamente cercada por uma obra: ao lado da minha janela estava instalado o estaleiro, por cima da casa havia uma grua e do outro lado era a construção propriamente dita. Os trabalhadores chegavam às 6.00 (!!!) ao estaleiro e, claro, começavam a fazer os ruídos próprios de uma obra. Um dia acordei com uma barulheira incrível: primeiro pareceu-me que era alguma festa: havia gente a rir à gargalhada, um grupo de gente falava com voz forte. Só passados os minutos do atordoamento matinal é que percebi que eram os meus queridos trabalhadores que estavam a conviver animadamente ao lado da minha janela. Outro dia parecia que tinham atirado alguma máquina pesada pelas escadas abaixo (nesse dia ficámos na dúvida se teria sido a “iron nun” ou se teriam sido os trabalhadores na obra).
Conclusão: na Polónia acorda-se muito cedo porque o Sol nasce cedo, porque o pico de actividade das religiosas é às 6.00 manhã e porque os homens das obras gostam de confraternizar e fazer muito barulho quando começam a trabalhar, também às 6.00 da manhã).

3. As refeições:
Acho que nunca comi tanto e tantas vezes pão na minha vida! Nós até já brincávamos a dizer que todos os dias, para além do almoço, tínhamos dois pequenos-almoços (o verdadeiro e aquele que seria o nosso jantar). Para além do pão (que também não é o nosso pão fresco, do dia), havia sempre muitas carnes frias, das quais não sou grande apreciador, tomate em quantidade, cebola, queijo de vários tipos e doces. Fazia-me lembrar a comida de avião (o que não é propriamente elogioso). Sei que a certa altura me senti entupido (como diria o Goulão) em carne e insuflado de pão (neste aspecto lembrei-me do Gonçalo e do que me tem ensinado sobre comida e reacções do corpo). Pontualmente apareceu peixe (mesmo ao pequeno-almoço!!!).
Senti muitas saudades do arroz (não me lembro de ter comido alguma vez), muitas saudades de fruta (raramente havia sobremesa – talvez só aos domingos e outros dias especiais). E de vinho não senti saudades porque não sou grande apreciador mas houve um francês que as sentiu de tal maneira que pediu que comprássemos algum para beber ao menos ao Domingo.
Em abono da verdade devo dizer que o princípio de ter um pequeno-almoço reforçado e um jantar aligeirado é um princípio muito sábio com o qual nós, portugueses, temos bastante a aprender.
Conclusão: os polacos comem sempre a mesma coisa independentemente de ser pequeno-almoço, almoço ou jantar, e só comem comida tipo avião.

4. O horário das refeições:
Para além do tipo de alimentação, o horário do jantar também era bastante diferente daquilo a que estamos habituados: pequeno-almoço às 8; almoço às 13; e jantar às 18. Por causa disso, algum pessoal, especialmente do Sul da Europa, ficava esfomeado à noite. Houve um companheiro espanhol que chegou ao ponto de ir, à noite, comer fora o seu reforço alimentar (a manutenção do seu corpo robusto assim o exigia).
Conclusão: os polacos não jantam.

5. Uma bebida muito particular:
O Xico e eu não queríamos acreditar mas não pudemos senão confrontar-nos com a verdade: por vezes aparecia à mesa um jarro com um líquido que aparentava ser leite mas com algum género de transformação. Quando perguntámos o que era (o Xico chegou a ter um copo cheio, numa corajosa iniciativa de inculturação) os nossos colegas polacos disseram-nos que se tratava de leite que se deixava durante uns dias ao ar a… (qual é o processo químico?... ai a minha ignorância!) enfim, basicamente tratava-se de leite estragado!!! “Não é possível!!!”, foi só o que me passou pela cabeça.
Conclusão: os polacos apreciam comida fora do prazo.

6. O álcool:
Já me tinha apercebido no encontro do ano passado que o pessoal de Leste tem um especial apreço por álcool (para eles não é estranho falar em bebidas com percentagens de álcool de 50, 60, 70%!!!). Penso que se trata de um apreço justificado nem que seja pelo frio que passam no Inverno e que pode ser minorado pela bebida. O que eu não sabia era que esse apreço é de tal maneira institucionalizado que, nos quartos em que fomos hospedados, tinham gentilmente colocado, em cima da secretária, um… (como é que se chama?) um abre-caricas!
Também no comboio em que andámos, em cada compartimento, havia um apoio junto à janela para bebidas: ao lado, um pequeno sinal gráfico indicava qualquer coisa que demorámos a descodificar: no fim, percebemos: por baixo desse apoio, a forma do seu suporte, permitia que as pessoas se servissem dele como abre-caricas!
Para além disso, fiquei a conhecer um adágio (?) popular local que diz: “homem que é sério não bebe antes do meio-dia”. Ora, um povo que se preocupa em estabelecer uma norma destas revela bastante da sua relação com o álcool!
Conclusão: os polacos bebem álcool com a mesma naturalidade com que nós bebemos água.

7. O chá:
Tenho que aqui reconhecer também que o chá é capaz de ter tanta popularidade como o álcool: a par do abre-caricas também foi muito comum encontrar chaleiras eléctricas nos quartos dos nossos companheiros polacos. E, claro, havia chá a todas as refeições! (Fred: que tal? Tu gostavas!…)
Leite havia mas não fazia parte do pacote standard: estava sempre a acabar ou então não estava muito acessível. Como senti saudades de leite e de pão frescos!
Conclusão: não há vacas na Polónia.

8. Gazowana e Niegazowana:
Durante o retiro que fizemos em Gdynia, na costa do Báltico, todos nos confrontávamos todos os dias à mesa com dois tipos de águas: gazowana e niegazowana. É claro que a experiência de beber uma e outra às tantas levou toda a gente a perceber a diferença e a decidir-se por beber uma delas. A maioria adoptou a niegazowana: a água “nie”, sem gás. Lá mais para o fim ainda apareceu um outro tipo de água com um nome comprido e impronunciável que, pelo que me explicaram, era um intermédio entre os outros dois tipos.
Conclusão: os polacos têm imensos tipos de águas.

9. A geografia do país:
Dá-me a impressão de que, enquanto estava a criar a Polónia, Deus deve ter adormecido. É que todo o território é tão plano, tão plano, que até a mim me faz impressão! No voo entre Varsóvia (no centro) e Cracóvia (no Sul) não consegui vislumbrar qualquer sinal de altitude que ultrapassasse o meu conceito de colina; na viagem de comboio entre Cracóvia e Gdynia (no extremo Norte) pude confirmar a regra: plano, plano, plano. A excepção é que, segundo fonte segura, parece haver montanhas a sério na fronteira com a República Checa.
Conclusão: a Polónia é plana como uma tábua; e não é, com certeza, um bom país para engenheiros de pontes e túneis (Marco: esta é para ti);

10. O trânsito:
Espantou-me e não cheguei a perguntar a nenhum polaco o porquê mas os carros andavam com os faróis acesos a qualquer hora do dia! Pareceu-me um bocado desperdício de energia mas é capaz de haver alguma razão que me ultrapassa.
Conclusão: ou todos os polacos se esquecem de desligar os faróis dos carros ou… não sei.

11. As camas:
Das várias camas em que dormi a maior parte era tipo sofá-cama. Para além disso os lençóis também eram diferentes: na primeira noite tive que espiolhar como é que o meu colega polaco tinha feito a cama para também fazer a minha: basicamente os lençóis funcionavam como capa envolvente do edredon. As almofadas eram gigantes.

12. As casas-de-banho:
Uma noite em Cracóvia, a equipa organizadora foi beber um copo a um bar minimamente chique. Quando me dirigi à casa-de-banho fiquei em estado de choque: uma ranhura pedia um zloty para que a porta se abrisse! Desconcertado, tive que voltar atrás para pedir uma moeda a alguém. É claro que me passou logo pela cabeça a atitude tuga de deixar a porta aberta quando saísse. Mas o meu lado certinho não me deixou executar a ideia.
Para além dessa situação, fui a casas-de-banho públicas em outras três ocasiões: numa delas tive que confessar que não tinha dinheiro comigo e a senhora foi compreensiva: deixou-me satisfazer as minhas necessidades. Noutra, em que também não tinha dinheiro, a senhora barrou-me a entrada dizendo: “no money, no go!”. Na última vez que fui a uma casa-de-banho pública decidi assumir os custos, muni-me com moedas, e até fui simpático para a senhora como se aquilo não me desse a volta ao estômago.
Basicamente aquilo irritava-me por duas razões: primeiro, porque obrigam as pessoas a andar sempre preparadas com moedas para satisfazer necessidades primárias e que, muitas vezes, chegam sem aviso prévio; segundo, porque cada casa-de-banho pública depende de uma zeladora a tempo inteiro, o que me faz duvidar da saúde económica do esquema (Nuno: deve haver algum termo técnico para isto, não? Sei lá: por exemplo: tendo em conta o investimento feito na construção das WC mais o custo do salário da zeladora e o pagamento reduzido, é muito provável que a coisa nunca venha a atingir o break-even). No caso dos bares e restaurantes não seria muito mais prático incluir o preço do WC no custo do consumo?!?
Conclusão: quem quiser ir à casa-de-banho na Polónia tem que andar com moedas de zloty no bolso.
13. Conclusão
Aqui fica este registo solto das coisas que me impressionaram nesta viagem. Acabei por não explicar o que andei por lá a fazer. Mas talvez nem isso interesse tanto: seria uma descrição mais aborrecida (e o Xico há-de querer comunicar a sua experiência como delegado da província portuguesa no Encontro de Jesuítas Europeus em Formação).
Basicamente foquei experiências que me confrontaram com o diferente, com o outro, com o novo. Experiências que me espantaram, que me provocaram. Que me fizeram questionar. E isto talvez seja o que de mais positivo haja nas viagens: ver que há outros, ver que são semelhantes em muita coisa mas diferentes em muita outra.
Humanamente é muito enriquecedor porque nos ensina que há outras maneiras de ver o mundo, de pensar e de fazer as coisas. Nem somos os únicos, nem a nossa maneira de ver, pensar e fazer é a melhor do mundo: porque é que as coisas hão-de ser como nós achamos e não de outra maneira?
A abertura à diferença e o questionamento consequente da nossa forma de estar na vida parecem ser princípios a ter em conta num mundo que é sempre diferente daquilo que pensamos.

freefun0616 disse...

酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店經紀,
酒店打工經紀,
制服酒店工作,
專業酒店經紀,
合法酒店經紀,
酒店暑假打工,
酒店寒假打工,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店工作,
酒店打工經紀,
制服酒店經紀,
專業酒店經紀,
合法酒店經紀,
酒店暑假打工,
酒店寒假打工,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店工作,
酒店打工經紀,
制服酒店經紀,
酒店經紀,

,酒店,