24 de outubro de 2007

Os Sabores de Deus

A Bíblia conta-nos uma história de encontro entre Deus e um povo. Deus visita pessoas concretas, fala, convida, envia, faz alianças. A sua presença parece real, palpável, visível… Deus deixa-se ver, ouvir, tocar. É o responsável por feitos que todos podem testemunhar. E hoje? Onde está Deus? Porque não o podemos ver, porque não somos capazes de distinguir com nitidez a sua presença? Muitos dirão, desiludidos, que Deus se calou ou que simplesmente nunca existiu. Mas muitos outros continuam a testemunhar o encontro com o mesmo Deus que habitava com o povo da Bíblia. Onde fala Deus então? Como podemos encontrá-Lo, para que nos conte os segredos do Universo e nos mostre o sentido da nossa existência? Talvez a resposta possa desiludir e baralhar, mas Deus fala ao Homem nos seus próprios pensamentos e sentimentos. Era isto, julgo eu, que Jesus quis dizer quando afirmava que faria de cada pessoa a sua morada. Também S. Paulo dizia que somos templos do Espírito Santo. É pois na nossa vida e nos movimentos da nossa interioridade que podemos cruzar-nos com Deus. E como nem tudo o que sentimos vem de Deus, precisamos aprender a distinguir o Seu rasto – é o que em espiritualidade se chama discernimento. A presença de Deus tem sabor. Muitos sabores, que dependem da nossa circunstância pessoal. Mas há três sabores de Deus que são inconfundíveis: a fé, a esperança, e o amor. Parece, afinal, que Deus continua a deixar-se encontrar, mas talvez nos obrigue a usar o paladar.