3 de outubro de 2007

S. Francisco Borja - Uma vida para o que não morre


Nas despedidas da Congregação Geral III, a 3 de Setembro 1564, já tendo sido eleito como Geral da Companhia de Jesus, Francisco de Borja dirige-se aos seus irmãos jesuítas presentes.

“Centrou a sua alocução nos deveres dos jesuítas para com o próximo, para consigo mesmos e para com o Geral. Pediu-lhes que fossem como bons samaritanos pelo mundo e que não se dividissem com dissensões internas.”

“No fim, foi para o meio da assembleia e falou de si mesmo. O Ex-vice-rei, o ex-duque, o ex-esposo, o ex-pai de família, o ex-grande de Espanha, fraco como uma raiz fora de terra, com os olhos vermelhos de chorar e de não dormir, mas com um encantador sorriso nos lábios, disse a seus irmãos:

“Lembrai-vos, padres, que o peso que haveis posto sobre os meus ombros é superior às minhas forças. Farei tudo o que é da minha parte fazer, mas rogo-vos que me ajudeis não só com os vossos conselhos e avisos, mas sobretudo com as vossas repreensões e admoestações, como obriga a caridade. Fazei comigo, vos rogo, como com um jumento de carga. Se se encurva, aligeira-se-lhe o peso; se avança facilmente, dá-se-lhe estímulo; se cai, ajuda-se a que se levante; se se fadiga muito, tira-se-lhe carga. Eu sou a vossa besta de carga. Haveis-me carregado, tratai-me como corresponde… Ajudai-me, pois, com vossas orações; aligeirai-me, sobretudo os que tendes parte no governo; estimulai-me com vossos exemplos e advertências; se me achar cansado, descarregai-me. Se quereis consolar-me, meus amadíssimos padres, que vos veja sempre unidos em sentimentos e em palavras. Tende um só coração, um só espírito; levai mutuamente a vossa carga, afim de que eu possa levar a de todos. Completai a minha alegria para que a nossa seja completa, e nada nos possa arrebatá-la.

Depois, no meio de um silêncio sagrado, Francisco levantou-se e acrescentou estendendo as mãos:

- Não vos movais. Ficai todos quietos, sentados como estais. Então ajoelhou-se e ia beijando um a um os pés dos seus companheiros. Os padres congregados, atónitos, foram saindo e Francisco de Borja começava 7 anos de generalato, ou como ele diria, 7 anos de cruz.”
(
Adaptação do livro “Francisco Borja - Los enigmas del Duque” de Pedro Miguel Lamet)

Na imagem: S. Francisco de Borja - óleo sobre tela de Alonso Cano