12 de novembro de 2007

O Noviciado segundo Arrupe





Hoje os jesuítas celebram Santo Estanislau Kostka, o padroeiro dos noviços.
Nasceu em 1550 na Polónia, no seio de uma família nobre. Em 1564 foi para Viana de Áustria cursar estudos clássicos. Cedo sentiu o desejo de entrar na Companhia de Jesus, contra a vontade de seu pai e irmãos. Fugiu de casa e foi a pé para a Alemanha e depois para Roma, onde acabou por entrar no Noviciado. Morreu em 1568, com fama de santidade, antes de completar o seu noviciado.

Este é um dia especial no noviciado, que celebra o seu padroeiro, e para a toda a companhia. Este homem é para nós uma fonte de inspiração, pela sua persistência e pelo apelo fortíssimo que o moveu a entrar na Companhia contra a vontade de muitos que lhe eram tão queridos.

Recordo-me do meu noviciado, concretamente de um texto do Padre Arrupe que lemos e rezámos logo na primeira provação. Nele, Arrupe procurava mostrar a importância do noviciado enquanto a base de toda a formação jesuítica.

O Noviciado é um tempo onde nos retiramos para podermos experienciar Deus. Uma experiência individual de Cristo, através da oração que se torna uma necessidade do nosso dia à dia. Um tempo para aprofundar o carisma inaciano e entrar no «nosso modo de proceder», «sentir-se pedaço da Companhia». Um tempo onde deixo de ser «eu e a Companhia, mas eu que sou da Companhia, sentindo-me identificado com ela».

Um tempo para me conhecer melhor a mim próprio. Saber quem eu sou na relação com Deus e com os meus companheiros, que também me formam a mim como jesuíta. Só assim poderei saber o que Deus quer de mim.

É uma carta muito inspiradora que termina com o optimismo a que Arrupe nos habituou:

«São palavras de vida eterna. É uma vida ideal. Ser Jesuíta não é algo trágico. Pelo contrário, é algo que dá satisfação, satisfação que nasce por dentro. Daí a necessidade da formação espiritual, do amor a Cristo, do amor à Companhia, do sentido apostólico, da universalidade, do serviço à Igreja e do sentir com a Igreja».