11 de novembro de 2007

"Sou surdo, padre..."


O padre Arrupe tem histórias espantosas. Sempre que ouço alguma, há uma coisa que não posso deixar de reparar: são histórias com pessoas!

Sim, o padre Arrupe podia ter sido só um grande estratega, óptimo a distribuir jesuítas pelas partes do mundo mais necessitadas, um negociador politicamente hábil e reconhecido. Mas a verdade é que, muito mais do que um “homem de negócios”, o padre Arrupe impressiona pelo trato pessoal, pela estima que tem a cada pessoa que conhece, pela simplicidade dos seus gestos pequeninos.

A história que mais me impressiona no padre Arrupe passa-se no Japão. Mestre de noviços, nunca deixou de ter tempo para ensinar catequese às pessoas mais simples. Conta-se que, durante seis meses, assistia pontualmente a essas catequeses um ancião japonês, que se limitava a fixar Arrupe nos olhos. Ao fim de seis meses, intrigado, o padre Arrupe resolveu-se, finalmente, a falar com o ancião e a perguntar-lhe o que achava de tudo aquilo que ele tinha vindo a ensinar. “Sou surdo, padre – respondeu. Olhei-o sempre nos olhos. O senhor não mente. No que o senhor crê, eu também creio”.

Não, não era uma questão de gestos, palavras ou obras: Arrupe era maior do que tudo isso! O brilho que trazia nos olhos falava, sem que fosse preciso dizer nada, do seu Senhor Jesus e de quanto a relação com Ele era importante. "Olhei-o sempre nos olhos. O senhor não mente."...

Somos cristãos. O que é que os nossos olhos dizem ao mundo?