25 de dezembro de 2007

Domenico Zipoli , sj (1688-1726)

Domenico Zipoli nasceu em Prato, perto de Florença, onde, na sua catedral, foi desde cedo instruído na educação musical, suportada pelo patrocínio do Grã-Duque da Toscânia, Cosme III. Estudou em Nápoles, Bolonha, e Roma com grandes mestres entre os quais se podem destacar Scarlatti, Vannucci ou Pasquini. Neste período de formação compôs diversas obras e em 1715 foi nomeado organista e mestre de capela da igreja mãe dos jesuítas, em Roma (Igreja do Gesú), cargo que representava a máxima aspiração aos músicos da sua época e, no qual continuou a publicar várias peças para teclas que foram muito bem recebidas e lhe trouxeram a fama.

Em 1716 entrou na Companhia de Jesus e pouco tempo depois seguiu para Sevilha onde esperou passagem para o Paraguai onde iria ser missionário. Nesta cidade, o famoso organista residiu nove meses, o suficiente para tornar-se popular não só para os sevilhanos, mas também para habitantes de outras cidades, que para escutá-lo, percorriam longas distâncias. "Quando improvisa na Catedral para os sevilhanos é festa grande", escrevem os cronistas da época. Na Catedral de Sevilha ofereceram-lhe o lugar de mestre de capela que, Zipoli recusou por entrar na Companhia de Jesus.

Com outros 53 missionários jesuítas, partiu de Cádis em Abril de 1717 e, depois de uma violenta tempestade, desembarcaram em Buenos Aires, três meses após a partida. Quinze dias depois fixou-se em Córdoba onde completou os seus estudos de filosofia e de teologia com distinção.

Durante o seu tempo de formação filosófica e teológica nunca deixou de se dedicar à música, quer como compositor, mestre de capela ou organista, desenvolvendo em muito os talentos musicais dos Guaranis e integrando nas suas obras de estilo barroco alguns elementos da cultura dos índios.

Em 1724, Zipoli acaba o seu 4º ano de teologia mas, por falta de bispo que em Córdoba o pudesse ordenar padre, acaba por não lhe ser administrado este sacramento. Adoece com tuberculose e acaba por morrer em 2 de Janeiro de 1726 com 37 anos.

Durante numerosos anos a sua música foi tocada e cantada pelos coros Guaranis e outros. Para além de muito apreciada pelos seus companheiros jesuítas e pelos índios que enchiam as igrejas para a ouvir, foi também uma grande influência para outros compositores. Documentos relacionados com os jesuítas de 1728, 1732 e até mais tarde, descrevem a reputação deste compositor pelo menos até 1774, em algumas missões Guarani, no seu exterior e até na Europa. Numa destas missões, S. Pedro e S. Paulo, nove motetos de Zipoli foram listados entre os pertences deixados pelos jesuítas aquando da sua expulsão.

Algumas das suas peças para instrumentos de tecla e de música sagrada, que se julgavam perdidas para sempre, foram reencontradas nos anos 70 do século passado, nas antigas missões de Chiquitos e Moxos (hoje em território boliviano). Uma descoberta que permitiu reconstituir pela primeira vez o fabuloso universo musical das famosas reduções jesuítas do Paraguai (assim eram chamadas as missões dos jesuítas com os índios na América do Sul). Zipoli não foi apenas um brilhante músico. Foi um homem generoso, que deixou a fama e o sucesso na Europa para dedicar a sua vida à salvação dos índios Guarani. Tinha um fervor criativo e executivo, sensível à espiritualidade e à vida meditativa, mas também era dotado de um modo estar extremamente tranquilo e, por isso, caro a Deus e ao próximo.

Legenda das imagens:

1 - Planta de redução jesuíta Sul-Americana para índios Guarani

2 - Extracto da partitura da peça Ave Maris Stella de Domenico Zipoli


Para ouvir um pouco da obra de Domenico Zipoli proponho:

Ave Maris Stella - para solistas, coro e orquestra

(Direcção de : Gabriel Garrido; Interpretam: Coro de niños de Córdoba, Affetti musicali - Argentina, Ensemble Elyma - Buenos Aires)


video