16 de dezembro de 2007

Padre António Vieira (1608-1697)



“Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as acções, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo.”

Padre António Vieira, Sermão da Sexagésima (Lisboa, Capela Real, 1655)

“… não apenas um missionário empenhado da Companhia de Jesus, mas um orador de excepção, uma personalidade política de primeiro plano e o mais ilustre dos escritores portugueses do seu tempo.”
Eduardo Lourenço, Vieira ou o tempo barroco

O Padre António Vieira, apesar dos seus 400 anos, continua a fascinar e surpreender quem o aborda, quer seja pela sua biografia quer seja pelos seus escritos, uns e outros dotados de uma riqueza e uma força tão grandes como a sua ambiguidade.
Nascido em Lisboa, parte para o Brasil aos 6 anos onde entra na Companhia de Jesus. Dedica a sua vida à evangelização dos índios, entrecortada por missões diplomáticas conferidas pelo rei de Portugal, que o levam a cruzar 6 vezes o Atlântico, pregar nos palácios e igrejas de Lisboa a Roma. Enfrenta as guerras de religião que ensombram a conquista do Mundo Novo e conhece os calabouços da Inquisição em Coimbra sempre com a mesma energia, nascida do sonho que urge concretizar.

A sua vida e obra surgem-nos marcadas por uma profunda tensão. Tensão, primeiro, entre o apóstolo das letras e o diplomata-político, tensão entre o tempo dos homens e o Tempo de Deus, onde se cruzam e diluem a instauração do Quinto Império e o advento do Reino. A sua missionação e pregação transparecem simultaneamente a preocupação optimista pela defesa e promoção dos índios face aos abusos da colonização e o pessimismo barroco do imperialismo português decadente.
Neste paradoxo, o Padre António Vieira encarna de forma particularmente viva, e por vezes exagerada, a máxima inaciana:

“Confia em Deus como se tudo dependesse de ti e nada de Deus, e empenha-te em mover todos os meios, como se Deus fizesse tudo e tu nada”.

[2008 - Ano Vieirino]

7 comentários:

Marco disse...

Porque é que é tão difícil encontrar algum livro com textos do Pe. António Vieira?

Luis disse...

Porque é que o Pe. António Vieira não foi canonizado? Será que os jesuítas vão procurar começar o seu processo de canonização?

Obrigado pelo Blog

antonio ary sj disse...

Marco:

esperemos que neste ano de comemorações que se aproxima, alguém tenha a feliz ideia de divulgar os escritos do Pe. António Vieira.

Luís:

Não ouvi falar de nada, não sei se alguma vez se pensou nisso... Para mim é também um estímulo confrontar-me com grandes homens que não foram canonizados. Não são apenas os Santos que podem ser exemplos, também os santos...

Abraços.

Anónimo disse...

aqui vai: livros de Vieira em online no 'site' da Biblioteca Nacional

link:

http://purl.pt/index/geral/aut/PT/21890.html

boas leituras!

J disse...

Antonio,

Um grande texto que aqui nos deixaste obrigado.

Um grande beijinho em Cristo

Maria disse...

A frase final nao deveria ser:
“Confia em Deus como se tudo dependesse de Deus e nada de ti..." ?

freefun0616 disse...

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