29 de junho de 2007

Pedro e Paulo, Santos...




Olhares.com


Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? (...) Em tudo isto, somos nós mais vencedores por Aquele que nos amou... (Rom 8, 35 .37)





27 de junho de 2007

...e agora escuto o que o olhar vê.



24 Junho 2007 | São João | Braga

24 de junho de 2007

Na luz do presente caminho na eternidade

24 de Junho de 2007 | procissão do S. João | Braga



18 de junho de 2007

Há ou não há milagres?

Há pessoas que não acreditam em milagres. Outras acham que só acontecem muito raramente. Eu acredito em milagres e acho que acontecem com muita frequência. Este fim-de-semana tive mais uma prova de que os milagres andam por aí. Mas já lá vou.

“Milagre” vem do latim miraculum e significa “causa de admiração”. Nesse sentido, podemos falar de milagres nos casos de curas inexplicáveis, de levitações, etc. e defini-los como “factos inexplicáveis”. Mas essa definição é francamente frágil. É que ela depende dos conhecimentos de que dispomos: algo que era miraculoso na Idade Média, hoje em dia é perfeitamente explicado. Algo que agora é inexplicável, daqui a cem anos será de conhecimento comum. A verdade é que não temos grande ideia das nossas potências naturais e há muitos poderes que permanecem por explicar. Por isso devemos procurar outro modo de entender os milagres.

Se o essencial do milagre não é o extraordinário, nem o inexplicável, nem a espectacularidade do acontecimento, então o que é? Mais próximos de uma boa definição, podemos falar de milagres referindo-nos, simplesmente, a “sinais da acção de Deus”. E, porque Deus está sempre presente e em acção constante, esses sinais não só não são raros como não precisam de ser extraordinários nos seus efeitos. Todos os dias acontecem milagres!

Então como saber se se trata de milagre ou não? O grande critério é ver os frutos do “milagre”: levou a um crescimento na relação com Deus? Levou a que as pessoas envolvidas se dessem mais umas às outras? Levou a que as pessoas sentissem que a vida vale a pena? Se a resposta for sim, então confirma-se como sinal da acção de Deus.

Passou-me esta coisa dos milagres pela cabeça porque, durante todo este fim-de-semana, assisti a um “sim” a estas perguntas.

A casa da Mãe do Gonçalo esteve em obras durante um ano. Teve que se tirar tudo-tudo-tudo de dentro da casa. Ela estava completamente vazia. Finalmente as obras acabaram e este fim-de-semana foi tempo de voltar a montar a casa: móveis, muitos móveis; e caixotes, muitos caixotes, com tudo o que uma casa tem. Eu não sou a Mãe do Gonçalo e senti-me, de início, completamente esmagado perante a perspectiva de tamanha empreitada.

Mas o milagre aconteceu. Caixa a caixa, móvel a móvel, degrau a degrau, foi-se pondo as coisas nos respectivos sítios. O auge destas mudanças aconteceu no Domingo. Entre homens, mulheres e crianças contavam-se cerca de vinte pessoas a ajudar! Bem… para dizer a verdade, as crianças não ajudaram muito: uma delas assistia atentamente aos movimentos confortavelmente sentada no seu carrinho de bebé. Mas o bonito daquilo foi que, entre familiares e amigos, se juntou ali uma autêntica comunidade em missão. Parecia um encontro de Natal mas com caixotes pelo meio.

Por isso, este fim-de-semana foi mais uma prova de que os milagres existem. Deus vai, de facto, agindo nos nossos corações, movendo-nos a fazer pequenos gestos, construindo laços de comunhão e comunidade, atraindo-nos a Ele pelo amor. Se estivermos atentos veremos milagres a acontecer à nossa volta, na nossa vida rotineira do dia-a-dia. Se estivermos disponíveis Ele fá-los-á acontecer através de nós. Pode ser a carregar caixotes. Ou de outra maneira qualquer. Criatividade não lhe falta. Só temos é que nos tornar canais do Seu amor.

9 de junho de 2007

Com ou sem maquilhagem?

Enquanto estudante na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, ouvi uma vez uma história, contada por um professor da cadeira de Materiais II, que nunca mais esqueci. Contou ele que, nos seus tempos de jovem arquitecto, se tinha perdido de amores por uma colega que era, confessou ele, uma “mulher de se perder a cabeça”. E, ao que parece, era, de facto, cobiçada por muitos rapazes. Pois tinha ele a sorte de ter uma relação próxima com a rapariga. A coisa estava bem encaminhada para o jovem arquitecto. Um dia aconteceu cruzar-se com ela na rua. Mas não a reconheceu. O que tinha acontecido? Ela estava sem maquilhagem.

Quando percebeu que era ela ficou de tal maneira chocado que o seu sonho de se casar com a rapariga se desmoronou de uma vez só. Talvez seja mais fácil imaginar a desilusão dele com este pequeno vídeo.


Lembrei-me desta história e deste vídeo porque às vezes fico a pensar se isto não acontece também com a Igreja. Ainda há bem pouco tempo tive uma boa conversa que gravitava à volta deste problema: um padre, como tantos outros, que fala e escreve sobre Deus de uma forma especialmente eloquente, que se preocupa sempre em enfatizar o Deus de amor, que realça a caridade como vocação especial dos cristãos… esse mesmo padre é, ao mesmo tempo, conhecido por ter frequentes acessos de mau humor e de antipatia, chegando a ser até um bocado bruto com as pessoas.

É claro que nos podemos indignar perante tal falta de coerência. Temos todo o direito de reclamar contra este tipo de atitude. Mas, a verdade é que, conforme me vou conhecendo a mim próprio e à natureza humana cada menos me espanto com estas coisas. Cada vez mais compreendo estes contrastes. É que nós não somos monolíticos, não somos estáticos nem uniformes. A realidade humana é muito mais complexa.

O que me parece de estranhar, em particular dentro da Igreja, é quando tudo é demasiado arrumadinho, quando tudo parece absolutamente puro. Exemplos? Quando um padre, uma religiosa, não tem uma única manifestação de sentimentos socialmente menos correctos (ou mesmo outros mais correctos). Quando em diálogo se exagera nas expressões beatuchas. Quando as homilias só se referem a temas “santos” e com palavras “santas”. Quando a relação com Deus é sempre impecável, fantástica, bestial. Quando as cerimónias são de uma solenidade tal que ofuscam o que se celebra. Quando – coisa que me irrita profundamente - se apresenta os santos com tais floreados de pureza, tais santos barroquismos, que eles deixam de ter alguma coisa a ver connosco, passam a ser uma espécie de extra-terrestres.

Ora, o problema da maquilhagem é que cria distância, separa da realidade, é enganadora. E uma Igreja maquilhada, perfeita, é uma Igreja fora do mundo, desencarnada. Como podem, então, as pessoas identificarem-se com ela?

E porque é que não havemos de, antes pelo contrário, apresentar a Igreja sem maquilhagem nenhuma? Mostrá-la naquilo que tem de bom e de menos bom é precisamente mostrá-la naquilo que tem de melhor. É que a grande virtude da Igreja está, precisamente, em mostrar que é composta por pessoas normais, pessoas fracas, com dúvidas, com sofrimentos, com carências; mas, ao mesmo tempo, pessoas que não se deixam ficar, que acreditam num caminho, que se apoiam numa Pessoa e que podem apresentar um projecto de felicidade a que mais ninguém tem acesso.

Essa é a grandeza da Igreja. Essa é a Igreja encarnada: a que aponta o Céu; mas mantém os pés no Chão.

3 de junho de 2007

A histeria de Lagos

Antes de escandalizar alguém com o que vou aqui escrever confesso já que, como qualquer pessoa normal, me entristeci com o desaparecimento da Madeleine e que me horrorizo de cada vez que penso no que lhe possa estar a acontecer. Por outro lado este comentário já vai um bocadinho fora de tempo. Mas, como uma reflexão séria nunca está desactualizada, sinto que a devo escrever.

Toda a sensibilização ou prevenção que se faça para este tipo de problemas é de se incentivar. E a comunicação social tem ajudado a fazer isso. No entanto, não podemos ser ingénuos e considerar que tudo o que as televisões, jornais e revistas têm feito tem sido um bom trabalho. A verdade é que, a par dessa função de divulgação de um problema grave, alguma comunicação social tem tido um aproveitamento vergonhoso do caso.

O exemplo mais visível disto é podermos constatar o que de bom tem sido feito para encontrar a menina. Isso é reconfortante. Mas porque havemos de acompanhar passo a passo os Pais de Madeleine, e assistir a horas e horas, em directo, de uma autêntica telenovela da vida real? A verdade é que os abutres da comunicação estão mais interessados nos índices de audiência ou na subida das tiragens do que em fazer bom jornalismo. E, para isso, não se importam de abusar da vida privada das pessoas directamente implicadas.

Mas, vendo melhor, o mais grave de tudo isto até nem está no que emitem. Está, sim, naquilo que omitem. É que não se coíbem minimamente de nos desviar a atenção, de nos captar o coração, atribuindo uma importância completamente desproporcionada aos acontecimentos que lhes interessam. Mesmo que o preço a pagar seja dar-nos uma visão completamente distorcida da realidade.

Assim, enquanto nos comovemos e indignamos com o caso Madeleine, deixamos de lado muitos outros casos de igual ou ainda pior gravidade que acontecem todos os dias no mundo, ou mesmo ao nosso lado. Um exemplo? Em 2006 desapareceram, só em Portugal, 31 crianças como esta! Enquanto assistimos ao desenrolar das investigações deste caso, deixamos queimar as nossas energias em algo que está fora do nosso alcance resolver e negligenciamos problemas que são da nossa responsabilidade.

Em suma, devemos perguntar-nos: qual a acuidade da nossa visão do mundo? Quem dá voz aos sem-voz? E quanto a nós: somos meros espectadores do teatro do mundo, ou somos agentes interventivos, catalizadores da realidade que nos envolve? Precisamos de desenvolver uma inteligência amorosa sobre o que se passa à nossa volta.

(este post foi inspirado no excelente artigo de José Miguel Júdice que saiu, há dias, no Público – para ver: ampliar a foto)

1 de junho de 2007

Ser criança...

Hoje é o dia mundial da criança!
As melhores lembranças da nossa vida vivem muitas vezes no baú dos nossos tempos de meninice. Talvez porque a alegria fosse fácil. Talvez porque o mundo nos aparecia mais simples. Talvez porque os nossos ingénuos olhares não conseguíssem atingir o alcance daquilo que é menos bom... Que bom seria ter um olhar assim tão despido de interesse, tão cheio de optimismo!
Na nossa infância mora aquilo que somos hoje. São os alicerces desta construção que somos nós. As alegrias, as tristezas, as surpresas, os sorrisos, os abraços, os encontros, as relações... tudo ganha uma dimensão sublime quando somos crianças. Que grandeza fecunda! Que alegria incontida! Quanta vontade de viver! Quanta força para seguir em frente!
Hoje gostava de propor um sorriso, mas um sorriso daqueles mesmo grandes e sinceros. Porque não experimentar hoje esquecer as dores, aquilo que ando a digerir na minha mente, a passividade da rotina que me aborrece? Hoje é dia de sorrir, é o dia da esperança. Uma criança é o sinal de um mundo novo, é o marco do recomeço da humanidade, é uma certeza firme de que é possível a alegria. Não é ingenuidade, é verdade!
Enquanto não formos como crianças, enquanto não conseguirmos ser simples e puros ainda não aprendemos nada sobre a vida.