28 de agosto de 2007

Impressões da minha visita à Polónia

Durante a minha estadia de quase um mês na Polónia, a propósito do Encontro Europeu de Jesuítas em Formação, fui sendo impressionado por algumas experiências soltas que me pareceram dignas de registo. Passou-me pela cabeça fazer um “minutário” (como na viagem a Bruxelas), pensei em tirar “fotos escritas” (como fiz na peregrinação à Sra. da Abadia), pensei em desenvolver um texto que reflectisse um pouco sobre “Semelhanças e Diferenças” entre nós e eles (até já me tinha decidido a mencionar a importância que a filosofia teve na minha maneira de ver o mundo). Mas, no fim, o que saiu foi uma amálgama descomprometida de impressões soltas sobre o que vivi. A inspiração, afinal, talvez venha do formato “BuliNovas” desenvolvido pelo meu irmão Nuno.
É bom assumir desde já que generalizarei abusivamente destas impressões fazendo delas a minha visão da Polónia. Fora com a objectividade! Viva a subjectividade! É um perigo que eu assumo visto que nem sequer tenho alternativa. Mas é um perigo divertido (como veremos). Espero conseguir partilhar um pouco da riqueza que recebi. Por isso, aqui vai.
(para ler o resto do texto: ver comentários)

23 de agosto de 2007

Encontros improváveis em Cracóvia

1º Encontro.
Num destes dias veio ter comigo um dos companheiros polacos e disse-me: “estão cá uns escuteiros portugueses”. “Cá… onde?” perguntei surpreendido. “Cá em casa!”. “E o que andam por aqui a fazer?”. Não me soube explicar. Antes de sair a correr para outro lado só tive tempo de lhe dizer que gostaria de me encontrar com eles.
À tarde, no regresso de um passeio com o Xico, vimos um carro a parar em frente à nossa casa e um grupito de malta a sair: tinham mesmo o nosso ar de tugas. Aproximámo-nos devagarinho e perguntámos-lhes o quase óbvio: “são portugueses?”.”Sim!”. Que surpresa agradável. Pertenciam ao Agrupamento de Mira-Sintra. Estavam de passagem por Cracóvia, iam dormir na nossa cave (onde existe uma espécie de centro universitário). Na manhã seguinte puseram-se a caminho de Zakopane, a cidade que fica no Sul, no sopé das montanhas Tatra, para começar cinco dias de caminhada. Que inveja me fez o programa deles!
(para ler 2º e 3º encontro: ver comentários)

6 de agosto de 2007

‘Tás a precisar de dormir, não?

Passei um mau bocado durante as apresentações que os delegados dos vários países fizeram durante estas manhãs. Sentados confortavelmente num auditório todo nice (parte integrante deste complexo dos jesuítas em Cracóvia (sul da Polónia) onde estamos instalados) passámos umas boas horas a ouvir cada jesuíta em formação a falar da respectiva província e das perspectivas para o futuro.
Foi aí que o sono atacou com uma violência como já não via há uns tempos (pelo menos desde que acabei as aulas na faculdade – local em que estes ataques são a rotina do dia-a-dia).
Hoje ao almoço, em amena cavaqueira com o Xico e com dois companheiros polacos, veio à tona o tema do sono e lembrei-me da “minha melhor história sobre adormecer”. Passou-se na Casa de Saúde S. João de Deus, em Barcelos, numas das grandes experiências do noviciado: naquela tarde era eu o responsável por dirigir a recitação do terço. Começava eu com a primeira parte da Avé Maria e depois as pessoas continuavam. A dada altura, enquanto se recitava a segunda parte da Avé Maria, era tal o meu cansaço que, durante breves segundos, adormeci. Quando acabou a oração o silêncio invadiu a igreja. Miraculosamente voltei a acordar e pude, então, continuar o terço. Na altura fiquei completamente encavacado. Hoje ri-me à gargalhada a contar a situação.
Já passei o suficiente para perceber que este estado de adormecimento feroz se dá quando estou em actividades particularmente passivas e não dormi o suficiente: aulas, conferências, orações, missas... E, para além de não tirar proveito, não me sinto nada bem nessas situações. É uma luta titânica em que já sei que perco. Mas, tenho que o reconhecer, quando isso me acontece não o posso ver senão como um sinal de alarme do corpo, como que a dizer-me: ‘Tás a precisar de dormir, não?
Ora, custa-me imenso passar por esses estados de adormecimento. Mas, ao que parece, custa-me ainda mais prescindir de algumas das coisas que faço em favor da hora ou duas de sono de que necessitaria para estar bem. Por exemplo: fica mesmo mal dizer aos meus companheiros com quem estou a organizar este encontro que preciso de me ir deitar, ou que preciso de faltar a não-sei-quê para ir descansar. Mas o que é facto é que, ao evitar expor essa necessidade, por detrás disso, está um orgulhosinho manhoso que me quer mostrar forte, eficaz, trabalhador perante os outros.
No fim a conclusão a que chego é a de que só posso combater este orgulhosinho manhoso através da humildade de me aceitar como sou. Mesmo que me custe os olhos da cara dizer ao Andrzej, o meu companheiro polaco sempre activo e ultra-eficaz, que preciso de oito horas de sono para estar bem. Acho que aí estarei mais perto da verdade sobre mim próprio.