24 de janeiro de 2008

Visita de Ratzinger a La Sapienza

A visita do Papa a La Sapienza continua a suscitar debates, por vezes pouco objectivos. Deixo aqui algumas informações para quem quiser ter uma ideia tão objectiva quanto possível do que se passou:

1. A Universidade de Cambridge, Inglaterra, tem uma Faculdade de Teologia. Em meados dos anos 80, o então Cardeal Joseph Ratzinger, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, foi convidado a visitar a Universidade. Os estudantes publicaram no seu jornal uma entrevista com o visitante.
2. Palavras do Reitor de La Sapienza:O encontro com o Papa podia representar um momento importante de reflexão para crentes e não crentes sobre problemas éticos e civis, como o empenho na abolição da pena de morte, que são a seiva vital do nosso trabalho didáctico e de investigação. Ouvir a voz de um estudioso que tem escrito sobre temas do nosso tempo teria sido um alimento para a liberdade das consciências e para todos os que se interrogam laicamente.”
3. Cerimónia prevista para a visita do Papa: Lectio magistralis pelo Prof. Mario Caravale, docente de história do direito sobre a pena de morte, seguida das intervenções do Ministro da Universidade, Fábio Mussi e do Presidente da Câmara de Roma Walter Veltroni. Bento XVI interviria no final.
4. Texto de Bento XVI citando Feyerabend e outros (Svolta per l'Europa? Chiesa e modernità nell'Europa dei rivolgimenti, Paoline, Roma 1992, p. 76-79)“No último decénio, a resistência da criação a deixar-se manipular pelo homem, apareceu como um elemento de novidade no conjunto da situação cultural. A pergunta sobre os limites da ciência e os critérios pelos quais ela se deve orientar tornou-se inevitável. Particularmente significativo de uma tal mudança no clima intelectual parece-me ser o modo diversificado como se julga o caso Galileu.(…)E. Bloch: “Uma vez acertada a relatividade do movimento, um antigo sistema de referência humano e cristão não tem qualquer direito de interferir nos cálculos astronómicos e na sua simplificação heliocêntrica; todavia, ele tem o direito de permanecer fiel ao próprio método de preservar a terra no que se refere à dignidade humana, e de ordenar o mundo em relação ao que aconteceu e ao que acontecerá no mundo.” (E. Bloch, Das Prinzip Hoffnung, Frankfurt/Main 1959, p. 920s.; F. Hartl, Der Begriff des Schopferischen. Deutungsversuche der Dialektik durch E. Bloch und F. v. Baader, Frankfurt/Main 1979, p. 111.) P. Feyerabend (texto já conhecido)(...)Do ponto de vista das consequências concretas da revolução galilaica, C. F. Von Weizsacker dá um psso em frente ao ver uma ‘via directíssima’ que conduz de Galileu à bomba atómica.Seria absurdo elaborar com base nestas afirmações uma apressada apologética. A fé não cresce a partir do ressentimento e da recusa da racionalidade, mas da sua afirmação fundamental e da sua inscrição numa racionalidade maior. Quis apenas recordar um caso sintomático que mostra até que ponto a dúvida da modernidade sobre si mesma tenha atingido hoje a ciência e a técnica.”
5. Jornal La Repubblica, socialista: “A três dias da visita de Bento XVI, sobe o termómetro do protesto. Os docentes, tal como os alunos, estão divididos. Anunciam demonstrações contra Bento XVI, o terceiro Papa a visitar La Sapienza depois de Paulo VI em 1964, e João Paulo II em 1991. Organizarão cortejos, campanhas nos meios de comunicação, e realizarão ‘gestos fortes’, como a difusão a alto som de música de dança e ‘house’, na praça em frente à universidade, unidos contra ‘o obscurantismo’ de Ratzinger, tendo os grupos de extrema esquerda anunciado que realizarão um ‘assédio sonoro’”.

2 comentários:

António Parente disse...

Caro Alfredo Diniz

Já estruturei a minha argumentação sobre este tema com base nos argumentos 1 e 2 e conclui que apresentam debilidades porque:

1) Os "laicos" afirmam que Inglaterra é um estado confessional pelo que a presença do Papa numa universidade inglesa tem contornos diferentes dos de Itália;

2) O discurso do Papa não versava sobre a pena de morte apesar desse ser o pretexto para o convite.

Prefiro seguir uma linha de argumentação que assenta no conceito de laicismo mais abrangente: uma universidade pública não tem o direito de excluir o que é religioso só por esse motivo. Trata-se de um preconceito anti-religioso sem fundamento válido.

Por outro lado, há a questão do direito à liberdade de expressão e opinião e da tolerância: pode alguém impedir o Papa de discursar numa cerimónia para que foi convidado?

freefun0616 disse...

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