13 de fevereiro de 2008

400 anos depois, os mesmos desafios



No passado sábado, estive em Lisboa a participar no XVI encontro Fé e Justiça, organizado pelo CUPAV, com este título: P. António Vieira, 400 anos depois, os mesmos desafios. Quais desafios? As personalidades presentes foram convidadas a evocar quatro áreas: os direitos humanos, o diálogo entre culturas e religiões, um desígnio para Portugal e o serviço da Fé.
Depois de um dia inteiro, 4 painéis, 16 intervenções, todas estimulantes e densas, o que me fica?

1. A figura simultaneamente desconcertante e desafiadora do P. António Vieira, homem da política, da cultura, e sobretudo de Deus. Uma figura nas antípodas do “politicamente correcto”, que foi tudo menos consensual, e ainda hoje nos deixa perplexos: pelo vigor da sua palavra, pela diversidade da sua acção, pelo alcance da sua liberdade interior, para gritar e lutar por aquilo em que acreditava.
2. A actualidade, quatro séculos e muitas mudanças depois, dos seus ideais humanistas. O nosso mundo, a nossa sociedade que tanto se reclamam de direitos e liberdades já conquistadas, tem muito ainda que caminhar em direcção a uma verdadeira justiça e dignidade humanas, para todos os homens. Não faltam na aldeia global do século XXI, a começar pelo nosso Portugal, “inquisições” arbitrárias, “judeus e cristãos novos” rejeitados e discriminados, “índios” escravizados.
3. A força da beleza e da arte ao serviço da missão. As palavras do P. António Vieira marcaram o seu tempo, e continuam a marcar-nos, pelo esplendor barroco da sua escrita, transportando quem as escuta para o mais fundo de si mesmo e para Deus, ao encontro do outro, o “próximo”. A beleza do seu discurso convida-nos a buscar também a beleza, naquilo que dizemos e fazemos, como condição essencial para “encarnar” a palavra do evangelho à nossa volta.

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