20 de fevereiro de 2008

Falamos Sobre Física?

“A imagem científica do mundo é muito deficiente. Proporciona uma grande quantidade de informação sobre factos, reduz toda a experiência a uma ordem maravilhosamente consistente, mas guarda um silêncio sepulcral sobre […] tudo o que realmente nos importa. Não é capaz de dizer-nos uma palavra sobre o que significa que algo seja vermelho ou azul, […] não sabe nada do belo ou do feio, do bom ou do mau, de Deus e da eternidade. Por vezes a ciência pretende dar uma resposta a estas questões, mas as suas respostas são frequentemente tão tontas que nos sentimos inclinados a não as levar a sério […]. A música é capaz de explicar minimamente porque nos deleita a música, ou porque pode uma canção antiga fazer com que nos saltem as lágrimas […].
Abstém-se também de se pronunciar quando aparece a questão da Grande Unidade – o Uno de Parménides – do qual de algum modo todos somos parte […]. Nos nossos dias o termo mais comum para o designar é Deus – assim, com maiúscula –. Em geral a ciência proclama-se ateia, o qual não resulta assombroso, depois de tudo o que acabamos de dizer. Se a sua imagem do mundo não contém sequer o azul, o amarelo, o amargo, o doce, nem a beleza, o prazer ou a pena, se a personalidade é por ela excluída, como poderia conter a ideia mais sublime que pode conceber a mente humana?”

Erwin Schrodinger (1887-1961), prémio Nobel da Física em 1933