5 de fevereiro de 2008

Quarta-feira de Cinzas


Memento, homo, quia pulvis es
et in pulverem revert.
Gênesis, 3:19.


Em memória dos 400 anos do Nascimento de António Vieira



"Lembra-te, homem, que és pó, porque foste pó, e hás de tornar a ser pó; brademos com a mesma verdade aos mortos, que já são pó: Lembra-te, pó, que és homem, porque foste homem, e hás de tornar a ser homem: Memento pulvis quia homo es, et in hominem reverteris.

Senhores meus: não seja isto cerimônia: falemos muito seriamente, que o dia é disso. Ou cremos que somos imortais, ou não. Se o homem acaba com o pó, não tenho que dizer; mas se o pó há de tornar a ser homem, não sei o que vos diga, nem o que me diga. A mim não me faz medo o pó que hei de ser, faz medo o que há de ser o pó. Eu não temo na morte a morte, temo a imortalidade: eu não temo hoje o dia de Cinza, temo hoje o dia de Páscoa, porque sei que hei de ressuscitar, porque sei que hei de viver para sempre, porque sei que me espera uma eternidade ou no Céu ou no Inferno."

P. António Vieira

In: Sermão da quarta-feira de Cinzas. Roma. Igreja de Santo António. 1670.