10 de abril de 2008

Crisma e Cristianismo em 60 minutos


Um companheiro que está a preparar um grupo de pessoas para o sacramento do Crisma pediu-me que participasse numa das reuniões do grupo. “Sabes o que eu gostava?” _ perguntou-me ele, “Que dissesses ao grupo o que é para ti essencial sobre o Crisma o Cristianismo. Imagina que tinhas que preparar um grupo, do zero, e que só tinhas um encontro!” Aceitei o desafio e gostaria de partilhar algumas das ideias que tive para esse encontro.

Todos nós, que aspiramos a receber ou que já recebemos o Crisma, fomos baptizados. Provavelmente a maioria de nós recebeu o Baptismo quando ainda era uma criança. Isso significa que os nossos pais (e padrinhos) tinham para nós um projecto de vida cristã e se comprometiam a alimentar esse projecto em nós, até que fôssemos capazes de assumir a vida cristã como adultos.

Antes de continuar faço uma breve interrupção porque me lembrei de um argumento muito em voga contra o baptismo de bebés incapazes de escolher se querem ou não ser cristãos. De facto porque não esperar até que tenham idade e capacidade para optar? Talvez muitos dos baptizados em criança venham a abandonar a fé e a vida cristã, por isso não há razão para os baptizar. Se quiserem o Baptismo que o peçam mais tarde!

Julgo esta argumentação não tem grande razão de ser por vários motivos. Desde já porque nunca é de desprezar o trabalho da Graça desde muito cedo na vida de uma criança. Depois, porque é inteiramente legítimo que os pais proporcionem aos seus filhos aquele que consideram ser o melhor caminho de crescimento e se comprometam a educá-los nesse caminho. Claro que eles podem mais tarde recusar essa via e optar por outras propostas de vida. Mas também há muitas crianças que, a certa altura, não querem mais ir à escola. Não é por isso que devem deixar de ir, até obrigados se necessário.

Voltando ao nosso assunto; o Crisma é precisamente o sacramento da confirmação, o momento em que o cristão, já adulto, decide assumir publicamente um compromisso com Cristo e com a sua Igreja. Tendo isto em conta, vamos agora às ideias que me parecem fundamentais partilhar com esse grupo de crismandos.

Uma vez, quando confrontada com a forte tendência espiritual e mística dos povos orientais (entre os quais o povo indiano), Madre Teresa de Calcutá disse algo assim: “ O essencial do Cristianismo não é uma ideia nem uma mística, é o amor.” Gostaria de partir desta sábia afirmação para desenvolver um pequeno esquema:

IDEIAS: Bíblia, Doutrina, Sacramentos, Vocação Pessoal

ACÇÃO POR
AMOR


MÍSTICA: Oração, Sentimento, Graças/Dons, Vocação Pessoal


Explico rapidamente o esquema. Como disse, o essencial é viver por amor, aderir e comprometer-se com o mesmo tipo de comportamento que Jesus tinha e ensinava. Sintetizando aquele que me parece ser o essencial da mensagem cristã: “viver fechado nos meus interesses e no meu egoísmo traz tristeza e vazio à minha vida, abrir-me às necessidades dos outros e viver generosamente para eles dá-me alegria e realiza-me profundamente.” É muito simples: há mais alegria em dar do que em receber! Acreditar em Jesus significa acreditar nessa mensagem e procurar vivê-la.

Queres ser santo? Queres ser santa? É a pergunta que se deveria fazer a cada crismando. Estar pronto para receber o Crisma é ser capaz de responder ‘sim’, a esta pergunta. Isto não significa excesso de confiança, nem vaidade. É apenas afirmar que acreditamos no amor e que por isso queremos viver à luz de uma lógica de generosidade e abertura. A santidade nada tem a ver com capacidades excepcionais, nem com uma virtude a toda a prova. Querer ser santo é estar disposto a fazer cada dia um esforço de abertura ao que Deus pode fazer connosco. Cada um tem a sua medida, o importante é acreditar que não há limites para o que de bom Deus pode fazer em nós e através de nós.

Crisma é então uma realidade com duas dimensões: uma de iniciativa e compromisso pessoal (quero comprometer-me numa vida cristã), outra de acolhimento do dom que aí recebemos, o Espírito Santo que nos dá a garantia de que nunca faltará o apoio de Deus.

Aqueles que se comprometem arriscam dizer que sim à exigência da santidade, mas fazem-no porque sabem que essa coragem e ânimo lhes vêem daquele que nunca nos falha.

Já vimos que o essencial é querer viver por amor, ser uma boa pessoa no sentido de estar, tanto quanto possível, ao serviço dos outros. Mas importa ainda fazer uma última distinção muito importante. Qual é a diferença entre uma boa pessoa, que ama e que vive para os outros, e uma “boa pessoa cristã” que também ama e vive para os outros? Vale a pena pensar nisto porque, se não há diferença, então não vale a pena ir à missa, fazer a catequese nem sequer rezar, basta viver por amor.

É bem verdade que há muita gente que não é religiosa e que vive generosamente entregando-se a boas causas e ao serviço dos outros. A diferença está em que o cristão não age só por si, não decide sozinho, não “cura” as necessidades profundas dos outros apenas pelas suas forças. O cristão sabe que, no fundo, não pode salvar ninguém sozinho, não consegue preencher o vazio que há nos corações, nem saciar a sede interior de tanta gente. A “eficácia” do cristão não é a dos números e estatísticas, mas sim a de uma acção que se sabe dependente de Deus. Só Deus salva, só Ele cura, só Ele dá sentido profundo à vida. Por isso o cristão faz tudo o que o não cristão faria, mas fá-lo na humildade de quem confia que é Deus que age. Só Ele é verdadeiramente eficaz.

Julgo que isto permite perceber a importância de todas as dimensões que colocámos no esquema. O fundamental é o amor, mas para que o amor seja cristão ele deve ter por trás a oração e a missa, o conhecimento da Palavra de Deus e dos seus sacramentos, a busca da sua vontade no discernimento e um enraizamento forte com a vida da Igreja. Só assim podemos ter a certeza de não estar a amar apenas com o nosso amor, de não estar a agir apenas com a nossa inteligência. Só assim seremos testemunhas d’Aquele que é o Amor e só deste modo podemos ter a certeza de que o bem que fizermos durará para sempre.



7 comentários:

Bruno disse...

Muito obrigado pelo texto, Francisco. Quem fala assim não é gago.

Anónimo disse...

Faz todo o sentido este texto, tudo aquilo que disseste. Muito obrigada mesmo!
(estou a fazer a preparação para o crisma)

Mariana Figueiredo

Francisco Machado, sj disse...

Obrigado pelo teu comentário Mariana. Fico muito contente que tenha ajudado. Se houver algum aspecto que gostasses de perguntar ou aprofundar é só dizer. Farei o que puder.

Anónimo disse...

acho que as perguntas que me perseguem e que me invadem a cabeça são: "Serei eu digna de receber este enorme sacramento?" " sou tão minuscula ao lado dele, mereço receber tanto a saber que o que Lhe dou nunca será o que ele merece?" (eu sei que quero fazer mas sou tão fraca e pobre ao lado dele) respostas a tais perguntas só Ele sabe, por mais que bastantes pessoas já me tenham respondido e explicado a perseguiçao e a dúvida continuam.. leio e releio o teu texto,talvez pistas para as respostas se encontrem na tua escrita.. (desculpa, a confusão de ideias mas.. sou assim.. infelizmente..)

Obrigada eu, por poder chatear-te com as minhas "coisas"
(ah e já agora também pelo acolhimento do outro dia aí na comunidade.)

Mariana

Francisco Machado, sj disse...

Mariana,

Acho compreensível que sintas a responsabilidade do compromisso que te preparas para fazer. Os compromisso às vezes assustam-nos porque não sabemos se seremos capazes de os levar a cabo. Além disso sentes que recebes de Deus muito mais do que mereces.

Acho que há muitas situações que nos fazem duvidar porque pomos demasiada importância no nosso mérito e nas nossas capacidades. Mais do que o teu esforço ou aptidão, o compromisso do Crisma é um dom que vais receber. Deixa que Deus te faça fiel, deixa que Ele te dê a força que não sentes ter. Confia, Ele nunca pede nada sem dar o ânimo e a graça de o viveres bem. Trata-se de ser capaz de acolher.

Tens muita razão, nós merecemos muito pouco! O bonito é que Deus nos quer amar mesmo assim e confia em nós apesar de tudo. Deixa que Deus seja Deus! Acredita Ele convida-te ao crisma porque és fraquinha e porque não tens certezas, para que sejas testemunha do seu amor.

"Quando sou fraco então é que sou forte!"

Anónimo disse...

Concordo, percebo mas é dificil tudo isto entrar na minha cabecinha e convencer-me.. mesmo assim as tuas palavras deram mais sentido a tudo e por isso um enorme Obrigada. (escreve mais, quero poder "ler-te" mais)

M.

freefun0616 disse...

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