5 de maio de 2008

Pensar na vida...


"Ninguém me tira a vida; sou Eu que a dou por mim mesmo" (Jo 10, 18)

Por muitas e variadas situações tenho pensado no que é isto de dar a vida… Como tenho muitas vezes dito, não sou Cristão, vou sendo, já que não sou Cristo, mas quero identificar-me cada vez mais com Ele.

Acabei de ver o filme “Os Olhos da Ásia” que retrata, entre muitos aspectos, a vida de Julião Nakaura e Cristóvão Ferreira, dois Jesuítas missionários no Japão. Nakaura morreu mártir, Ferreira renegou a sua fé… O meu pensamento voou para um outro filme que vi há pouco mais de um mês: “O Pianista”, com o holocausto como pano de fundo.

Vou para a capela e pensei, como penso e tenho pensado: O que é isto de dar a vida? Serei capaz? Não o faço já? De que forma? Como? E se agora alguém, aqui na nossa realidade, decidisse mandar matar alguém pela questão da fé, crença, realidade pessoal? E se fosse eu? De facto, entreguei a minha vida para que eu seja instrumento de Deus, ou seja, que seja capaz de acolher as pessoas, perdoar, no fundo amar como Ele amou. E dar a vida na totalidade, serei capaz? Este filme ajudou-me a perceber o quão difícil é rezar o

“Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo; Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso, disponde de tudo, à vossa inteira vontade. Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta”.

Neste mundo que se agita diante de tanto, onde milhões de pessoas se contorcem na busca do sentido, gostaria de ser capaz de entregar a minha vida de forma plena. É um sonho… Na penumbra da capela, apenas com a luz do Santíssimo acesa, olhava para a sombra do crucifixo e pensava: Curioso como os vencedores contam a história, mas por mais que a contem sob os olhos do poder, nunca poderão nada diante de quem entrega a Vida por si, na totalidade… Por mais doutrinas que tenha, se não tiver amor de nada me serve… Por mais razões e verdades que detenha, se não tiver o olhar direccionado, por Amor, para o outro, nada me vale…

7 comentários:

Anónimo disse...

No espaço entre o Sonho (em propósito/ finalidade) e a Vida (em curso), que mais querer/ desejar (com as nunaces de esforço e vontade que implicam) do que, pelo Amor, sermos com o Outro? o mais que tudo isto, é o Orgulho escamoteado em prol do que se nos aprouver...
Obrigado, Paulo, por seres, assim, em VIDA!
Abraço,
M.

Anónimo disse...

Parece-me que o desejo ao martírio pode ter qualquer coisa de envaidecimento pessoal e a pergunta se era capaz de dar a vida se alguem na realidade de hoje nos matasse, acho não ser necessária... já nos basta o "martírio" a que somos chamados a viver durante a vida: abnegação pessoal, humildade, aceitar com verdade e humildade os desafios do dia, sacrificio escondido ao longo do dia...
Interessa perguntar pelas motivações de fundo pelo desejo de dar a vida. Há muitos desejos grandes, que podem estar suportados em raízes pouco cristianizadas, como a do orgulho.
Um abraço,
Bernardo Vilela

paulo,sj disse...

M.

Muito obrigado! :)

Bernardo,

Concordo com o que diz. De facto, posso cair no perigo de me envaidecer com o eventual desejo de martírio, esquecendo a importância do testemunho diário do quotidiano. No entanto, talvez não me tenha explicado bem no texto... Mais do que o desejo de martírio, o meu desejo é de ser cada vez mais pleno na dádiva da minha vida. Amando, na medida das minhas possibilidades, como Ele amou...

Obviamente surgem os questionamentos ligados às situações limite, quando tomo(amos) conhecimento da História, e, com naturalidade, pergunto-me que faria... Não para ser herói, nem tenho interesse nisso, mas para ir intensificando esta entrega que vai acontecendo, dentro dos limites e capacidades que vou reconhecendo.

Há algo que vou perdendo cada vez mais: é o receio de questionamento sobre o que me/nos rodeia. A mim tem-me ajudado a ir à profundidade da minha vida e a alicerçar a relação que tenho com Ele. Não de forma leviana, como simples dado adquirido porque sim, mas para poder ouvir, seja quem for, sem julgar... Daí acabar o texto, com inspiração paulina:

"Por mais doutrinas que tenha, se não tiver amor de nada me serve… Por mais razões e verdades que detenha, se não tiver o olhar direccionado, por Amor, para o outro, nada me vale…"

Mais uma vez, obrigado, Bernardo.
O meu Abraço.

P.S. - Sempre que possível gosto de tentar explicar o melhor que posso, de modo a evitar ao máximo as ambiguidades. No entanto, se não o consegui, cá estou, para tentar esclarecer. Obrigado.

Pequena irmã em Cristo disse...

Paulo,

Gostei muito deste post! Parece-me um grande e bom desejo. Eu nem sei que responder ao fazer aquelas interrogações. Se todos os dias dizemos a oração «Tomai, Senhor, e recebei…» (digo sempre no Ofertório, na Missa) creio que Deus nosso Senhor terá em consideração também o último pedido da mesma: «Dai-me o Vosso amor e graça, que isso/esta me basta».

Por Amor a Cristo e ao irmãos, com Ele e n'Ele, com a Sua graça já se compreende essa dádiva máxima de dar a vida, e já não se torna tão "arrepiante" pensar nas possíveis crueldades a suportar. Sem a Graça seria impossível suportar com Amor. E só o Amor dá mérito à obra, na pureza de intenção. Tudo o que é feito com recta intenção, ou seja, para maior honra e glória de Deus e salvação das almas, na mais perfeita abnegação de si mesmo e com Amor, tem mérito e alcança-nos um grau imenso de glória, configurando-nos mais plenamente a Cristo Jesus.

Acho fundamental ter bons e santos desejos. Há que saber qual a meta a alcançar de modo a percorrer o caminho que a ela chega, sempre com os «olhos fixos em Jesus», pedindo sempre a Sua graça, e nunca confiando em si próprio…

S. Teresa de Jesus diz que « ["o inimigo"] procura fazer que nos pareça soberba ter desejos grandes e querer imitar os santos, mas é muito conveniente animarmo-nos a coisas grandes, porque, conquanto a alma não tenha logo força, dá contudo um generoso voo, e avança muito» (Livro da Vida, cap. 13). Aliás, se assim não fosse talvez Santo Inácio nunca tivesse sido quem foi, não é verdade? Ele que na sua doença se deteve a ler bons livros, os quais lhe inspiraram, se não estou em erro pois não me recordo bem, o desejo de também ele ser santo como S. Francisco de Assis, etc. «Se ele foi porque razão não poderei também eu ser?»

O martírio do corpo não é concedido a todos, mas o martírio de Amor é possível a todos e é tão meritório como o outro. Dar a vida por todos, como Jesus, no quotidiano, na oração, na escuta, na ajuda, na aceitação pacífica dos pequenos ou grandes sacrifícios involuntários, nos sacrifícios ou penitências voluntárias, em HUMILDADE, aceitando a própria pequenez, na perfeição diária, no desejo de amar cada vez mais a Deus e de sempre Lhe agradar, em ter ânsias sempre e só do Seu Amor, mesmo nas aparentes "ausências": eis o Martírio…

Já O deve amar muito para ter um desejo tão grande! Gostava de ser assim!

Não percebi porque diz que não é Cristão. Diz: «vou sendo», quando logo de seguida se contradiz… Ser Cristão não é o mesmo que dizer ser Cristo! Ser Cristão significa ser-se alguém que segue Jesus Cristo! Mas, é verdade que, na configuração e união a Ele se pode ser "Cristo" ou ser "Deus" por "participação", nunca por natureza. E plenamente só na outra Vida, aqui… só pela Graça misericordiosa de Deus…, para Sua maior glória! Isso também eu jamais me atreveria a dizer… mas ser Cristã, sim!

Um bom livro, recheado de exemplos de santos que de várias formas deram a vida: Prática de amar Jesus Cristo, escrito por alguém que mediante o esforço pessoal, consciente dos seus defeitos, e principalmente com a ajuda da divina graça chegou a ser Santo, S. Afonso Maria de Ligório.

Reze por esta "irmã", para que não diga só "sins" teóricos, mas antes práticos e vitais...

Miguel disse...

Prémio Templeton:
Existência de Deus provada por matemática

http://www.templetonprize.org/bios.html

Fernando disse...

Sermos é muito difícil. Querer ser é um começo...estás mais próximo...com toda a certeza...

freefun0616 disse...

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