9 de outubro de 2008

Carta a Sto Inácio de Loyola (I/III)

Braga, 10 de Outubro de 2008


Querido Santo Inácio,


é com imensa alegria que te escrevo. Como vai essa vida (eterna)? Suponho que estando no céu, a perna e o estômago já não sejam um problema para ti. Aqui na terra caminhamos cheios de ritmos diferentes, como no teu tempo, todos à procura ou desiludidos por não encontrarmos o sentido alegre que precisamos… Crises económicas para muitos, poderio económico de alguns; enquanto alguns andam tristes e com roupas de marca, outros andam esfarrapados e felizes; uns pobres morrem por falta de pão, outros, pobres de sentido, não conseguem viver… Mas há muito bem silencioso que se vê por aí, à margem das objectivas que ‘sabem tudo’. Tal como Jesus, é aqui que a Sua Companhia deve encarnar, como nos propões nos Exercícios Espirituais. Mas como estão os Jesuítas para entrar com profundidade em todos estes campos?

Num mundo em que parece que está tudo descoberto, encontrado, delimitado e entendido, em que parece que não há mais nenhuma fronteira a penetrar, mas no qual há tanta injustiça e falta de sentido para todas as muitas corridas é porque ainda falta qualquer coisa de fundo. Que deveremos nós fazer para colaborarmos de melhor forma com a missão de Cristo? Talvez a nossa missão agora deva ser a de desinstalar o mundo do seu auto-convencimento de tudo saber. Como? Creio que se antigamente o profeta era aquele que descobria uma superfície nova que ainda não tinha chegado, uma fronteira nova que o tempo no-la faria enfrentar, hoje deveremos ser na missão profetas não de fronteiras horizontais (novas superfícies) mas profetas de fronteiras verticais. Isto é, dar a conhecer ao mundo a profundidade que cada momento e decisão da vida podem ter se descobrirmos nesses mesmos momentos e decisões o seu DNA de eternidade. A presença de Deus em todas as coisas.

Tal como me pediste na carta a que te respondo, vou falar-te da Companhia actual, embora a minha visão vá ser mais limitada do que as que aí ouves, mas vou tentar falar-te de todo o corpo apostólico que formamos ‘por amor de Deus’. Vou descrever-te algumas imagens e fotografias (imagino que já saibas o que isso é) que me falam da Companhia de Jesus e do seu discernido desejo de, intimamente ligada à igreja toda, buscar em tudo a maior glória de Deus para assim, embora muito pecadora, nela se jogar inteiramente. Sobre este desejo de falar-te da Companhia, faço minhas as tuas palavras, da carta que nos dirigiste há cerca de 30 anos[1], é uma “empresa quase impossível”! Mas mesmo assim vou tentar falar-te desta ‘Companhia de amor’[2], como eu a vejo, sinto, penso e sonho.


(a continuar ...)





[1] Rahner, Karl - Palavras de Inácio de Loyola a um jesuita de hoje

[2] Expressão usada por São Francisco Xavier para se referir à Companhia de Jesus.

3 comentários:

Anónimo disse...

Espero a continuação e louvo a Companhia de Jesus pelo seu serviço à humanidade, bem como esta iniciativa.

europeu disse...

Só quem entenda que, independentemente dos poderes que se imponham, a identidade europeia é branca de raça, indo-europeia de etnia e greco-romana de civilização, só quem assim pense é que percebe que o Islão não é, nunca foi, jamais será europeu, tal como o Cristianismo não é, nunca foi, jamais será europeu.

Pequena irmã em Cristo disse...

«Profetas de fronteiras verticais», abertos aos dons do Espírito para assim - com Ele n'Ele - poderem anunciar a Palavra que liberta e salva: Jesus Cristo nosso Senhor, para glória e de Deus Pai!

Que sejam assim, verdadeiramente!

O mundo espera-vos! E Santo Inácio também, aqui e LÁ!!!