1 de outubro de 2008

dias claros...












‘Do nada, abrem-se os olhos,

Vindos de um escuro confundido.

Rompe-se uma luz… simples e directa.

A sua tez é clara, claríssima.

A curiosidade fez-me coar toda a luz pelos olhos.

Custa suportar tanta claridade.

A claridade invade-me…

transgride as antigas fronteiras, ‘instaladamente’ aceites.


Pergunto-me:

“Isto é luz que tenho

ou é a escuridão a mais no que vejo

que me dá a sensação de ver

a partir de toda a luz?”

À medida que a luz, calma, entrava,

Os meus olhos iam-se habituando à sua claridade.

Quanto mais via os seus traços claros,

Mais me deixava envolver por todas as memórias

Que de alguma maneira aquela luz me lembrava.


Batia o coração em “gemidos inefáveis”

De quem busca o que não vem de si

E procura encontrar a ‘forma’ adequada

Para acolher a ‘força’ de tanta luz.


Mas o medo dizia:

“não estarás num sonho?”

E o céptico:

“nunca hás de acordar!”.’