5 de outubro de 2008

Reflexão sobre a Web 2.0 - A Manipulação



PARTE 2: A Manipulação


A Internet é formada por milhões e milhões de pessoas.

Somos todos na grande maioria uma rede infinita de amadores equipados com máquinas de escrever; um espaço anárquico habitado por uma multidão ignorante de elementos narcisistas e exibicionistas que mais não faz, do que perder tempo a publicitar-se, a auto-promover se, e a arranjar novas formas de angariar dinheiro.

A Internet dos Blogues, Wikipedia, YouTube e redes sociais tornou-se no espelho da mediocridade e banalidade humanas, que ameaçam a nossa cultura e valores.

A Web 2.0 converteu-se num viveiro de amadores, no símbolo da hegemonia do amadorismo e na proclamação triunfal do saber banal e infundamentado sobre o conhecimento técnico, treinado, qualificado e especializado dos tradicionais órgãos de comunicação social.

Hoje em dia a cultura de massas da Internet não é uma cultura de saber e inovação, e a aparente sabedoria da multidão é falsa. A Internet revela neste campo alguns perigos importantes e imperfeições alarmantes da Web 2.0 , nomeadamente a questão da desresponsabilização, em regra associada ao anonimato na Internet, e a falta de filtragem e controlo sobre os conteúdos colocados online, em que ninguém contrasta a veracidade da informação publicada nem as credenciais de quem a publica.

Sites como o YouTube são utilizados para a angariação de eleitores em campanhas politicas (mostrando vídeos embaraçosos e comprometedores dos opositores assim como discursos dos próprios políticos); para a edição de artigos na Wikipedia como modo de influenciar a opinião publica em certos temas da actualidade, e como forma de propaganda e prossecução de interesses comerciais por parte de grandes empresas e sociedades.

Ainda relativamente ao papel das grandes empresas na Web 2.0, é de assinalar a progressiva dificuldade em distinguir entre conteúdo e publicidade na Internet nos dias de hoje, podemos ver hoje em dia a actuação encapotada de grandes firmas que, escondidas atrás do véu de um suposto “user-generated content”, publicitam os seus produtos através de vídeos aparentemente amadores no YouTube. Trata-se de uma espécie de táctica invisível de marketing, em que o consumidor deixa de distinguir se está perante um anúncio ou um simples vídeo de entretenimento.

Uma questão alarmante também é a possibilidade de manipulação de resultados obtidos nas pesquisas feitas pelos motores de busca como o Google (fenómeno denominado “google bombing”). A distorção no modo de funcionamento dos motores de busca poderá obedecer a motivos políticos e ideológicos.

O excesso de filmes, conteúdos e páginas inunda uma rede sobrelotada, tornando-se cada vez mais importante publicitar e chamar a atenção. O conteúdo individual de cada um vai se dissolvendo e dissipando nestas densas redes. Esta densidade facilita a suspeita e permite que uma grande massa de indivíduos em grupos seja exposto a correntes de manipulação.