24 de novembro de 2008

Beato Miguel Pró








Um santo ‘normal’

Todos nós temos sempre algumas ideias feitas do que deve ser um santo. Talvez nem sempre as saibamos distinguir muito bem da ideia de perfeccionismo. Ora, conhecer o beato Miguel Pró ou ‘Cocul’, alcunha que lhe davam desde pequeno, faz com que essa visão se esbata. Miguel Pró foi sempre uma pessoa de uma alegria muito natural, gostava de contar piadas e transmitia muita boa disposição aos companheiros. Gostava de tocar guitarra e, durante o tempo de formação, costumava fazer cartoons para alegrar os companheiros mais abatidos ou introvertidos. E isto não era uma atitude contrastante com os longos momentos que passava em silêncio à conversa com Deus, senão uma continuação da sua vida próxima do Senhor, que fazia com que ele O mostrasse mesmo sem dizer o Seu nome.


Um santo de boina e cigarro na boca

“Se Cristo vivesse (hoje), andaria certamente vestido como eu; usaria os mesmo meios de transporte que eu; teria ido onde eu fui, teria feito o que eu fiz”. Porque razão terá Miguel Pró dito isto? Depois de voltar para o México, após a ordenação e o curso de teologia, Miguel Pró entra num país que começa a perseguir violentamente todos os cristãos. Vestido como o comum dos trabalhadores, ele começa por ir à casa das pessoas para confessá-las e celebrar missa com elas. E não uma missa qualquer. Uma missa que comprometia cada um a perdoar os políticos e soldados opressores, bem como a comprometerem-se num serviço concreto àqueles que mais sofriam com estas medidas e acções, pois, segundo ele, pela missa “tudo se encara de um ponto de vista diferente, tudo se adapta a horizontes mais amplos, mais generosos”.


“A minha vida?!... Que é que ela vale? Dá-la pelos meus irmãos não será ganhá-la?”

Acusado de ter participado na tentativa de assassinato de Álvaro Obregón, presidente mexicano, Miguel Pró é preso. O governo, ocultando por este facto o desejo de acabar com a vida do padre que mantinha clandestinamente algumas comunidades cristãs activas contra a ordem governamental, é condenado à morte por fuzilamento sem qualquer processo judicial prévio. A 23 de Novembro, depois de se ajoelhar em oração na terra nua, Miguel Pró é fuzilado de braços abertos, frente aos políticos e soldados do regime, a quem perdoava.



Diante de uma vida dada em favor do seu povo, por um amor a Jesus reflectido na sua profunda dedicação aos mais pobres, onde O encontrava, volta a ressoar a frase do salmista: “Levanta o pobre da miséria, para o fazer sentar-se com os grandes do seu povo”.
Na vida de Miguel Pró reactualiza-se a vida de Jesus que mostra com clareza a diferença entre perder a vida e dá-la em favor de muitos.