9 de novembro de 2008

Hoje é Domingo!

A humanidade percorre a sua caminhada apoiada em exemplos triunfantes e vitoriosos. Depois do Evangelho que a Igreja propõe neste Domingo, até aprece que também Jesus entra nesta lógica de super-herói. O acto de força e até de uma certa rebeldia, que nos é apresentada hoje, impressiona ao colocar Jesus Cristo num papel inesperado.
Na verdade a expulsão dos vendilhões do templo é usada, muitas vezes, como um contra exemplo da mansidão representada em Jesus Cristo. O Filho de Deus de chicote na mão, a derrubar as bancas, a provocar a desordem? É igualmente um texto ilegitimamente usado por muitos cristãos para justificar as suas fúrias e irritações. Porém é necessário fazer uma leitura e reflexão correcta para não cairmos em tentativas frustradas de justificação das nossas fraquezas. A motivação de Jesus não era, certamente, egoísta e fechada no centro da nossa limitada visão da realidade.
Jesus vem ao encontro de todas as nossas dúvidas e hesitações, de todos os nossos enganos. O que Jesus faz no templo é mostrar que algo de grandioso se anuncia na relação com Deus. Esta relação não é o templo, não pode ser o templo, é algo mais profundo, algo verdadeiramente vitalizante que transforma a nossa vida em algo maior e mais sublime.
Há uma água que quando se junta às outras águas não as pode deixar na mesma. Há um novo alento, uma nova vida que tudo transforma, que tudo altera e renova. Após a sua passagem nada poderá ficar igual. Os templos de pedra, lugares de encontro da humanidade com o seu Criador, não são simplesmente um espaço do universo físico, erguido como símbolo ou ícone. O templo é o lugar da vida, da nova existência que Jesus prometera a Nicodemos. Não há sinal mais preciso do que o gesto inesperado de Jesus. O templo, as pedras sobrepostas, não são elas a nossa fé!
Este homem, que nada pode deixar ficar igual, rompe com todas as nossas lógicas, com todas as nossas seguranças, e nada mais deseja do que inaugurar uma nova era. O tempo de uma humanidade verdadeiramente realizada, de encontro a uma felicidade que não pode vir de factores externos, mas que está no nosso próprio coração, no modo como aprendemos a lidar com os acontecimentos. Esta vida, esta nova vida prometida, só pode vir de uma nova existência aliada a uma verdadeira relação com Aquele que nos amou primeiro.
Sim, a vida, essa água que tudo purifica e transforma à sua passagem é Jesus Cristo. Depois de o descobrirmos nada poderá ficar igual!


Domingo, 9 de Novembro de 2008 - DEDICAÇÃO DA BASILÍCA DE LATRÃO
LEITURA I Ez 47, 1-2.8-9.12
SALMO RESPONSORIAL Salmo 45 (46), 2-3.5-6.8-9 (R. 5)
LEITURA II 1 Cor 3, 9c-11.16-17
EVANGELHO Jo 2, 13-22