22 de novembro de 2008

Resposta a Ludwig Krippahl

O Ludwig Krippahl, fez no seu blog (ktreta) algumas afirmações acerca do meu texto (in)tolerância religiosa que gostaria de comentar aqui porque elas são comuns a muitos outros não crentes.

1. Referindo-se à minha crítica a Steven Harris e Richard Dawkins, que considero estarem possuídos de um fundamentalismo científico e antireligioso, afirma Ludwig que eles

“Querem apenas que cada adulto possa decidir, livre e informado, se quer religião e qual religião prefere. E se há coisa que às religiões custa tolerar é a liberdade de escolher qualquer fé ou fé nenhuma. Especialmente tolerar aos seus crentes a liberdade de mudar de crença.”

Se ambos quisessem ‘apenas’ isto, então estaríamos todos de acordo. Os crentes não fundamentalistas não valorizam a pressão irracional do medo como motivação de qualquer crença. E se há coisa que religiões como o cristianismo mais respeitam ‘é a liberdade de escolher qualquer fé ou fé nenhuma.’ É verdade que os fundamentalistas islâmicos são contra esta liberdade, mas não podemos cometer a falácia de fazer generalizações precipitadas.

2. O Ludwig afirma de si mesmo:

“considero que todas as religiões são más. Umas são piores que as outras mas nenhuma tem vantagens que compensem porque não há nada na religião que não fosse melhor sem ela. Uma religião diz não mates e não roubes mas mais vale não o fazer por respeitar os outros do que porque deus manda. O amor, a esperança, a justiça e o que mais calhe é tudo melhor, e mais genuíno, se adoptado de forma crítica e ponderada em vez de pela fé. Essa vontade de crer para além do que a crença merece contamina tudo o que a religião possa ter de bom, impedindo-o de ser tão bom como poderia ser.”

O Ludwig contrapõe a motivação racional para o bem à motivação religiosa para o mesmo bem. Mas a motivação religiosa não só não se opõe à motivação racional como a pressupõe. Não seria de louvar que um crente afirmasse fazer esta ou aquela boa acção não porque creia racionalmente que a deva fazer mas apenas porque a religião o obriga. A religião amplia o sentido e a motivação do sentido e da motivação racional, mas não a dispensa nem se lhe opõe. É por ignorar tudo isto que o Ludwig pode fazer afirmações como a anterior e ficar muito convencido de que pensa bem.

3. O Ludwig admite rever a sua posição de crítica à religião,

‘por exemplo, se o Alfredo me explicar como é que acreditar na assunção de Maria, na transubstanciação da hóstia ou na ressurreição de Jesus me tornava uma pessoa melhor. Cuidava melhor dos meus filhos? Amava mais a minha família? Era mais íntegro, melhor profissional, melhor amigo? Não me parece, porque tudo isto é independente de qualquer dogma. Além disso, adoptar um dogma ia privar-me da virtude fundamental que é a disposição para questionar as minhas opiniões e admitir os meus erros. Trocar isso pela fé é muito mau negócio.”

Mas nunca ninguém disse que uma pessoa tem necessária e automaticamente um comportamento ético mais irrepreensível que um não crente em virtude da sua fé. Por outro lado, o Ludwig crê que um crente não pode questionar as suas opiniões nem deixar-se questionar por outros, nem admitir os seus erros. Eu afirmo, muito pelo contrário, que para um cristão – falo da religião que melhor conheço – não só não constitui uma virtude fundamental não se deixar questionar nem admitir os seus erros, mas o contrário é que é de louvar. João Paulo II, por exemplo, admitiu que os teólogos católicos contemporâneos de Galileu erraram na interpretação de algumas passagens da Bíblia nas quais se basearam para fundamentar a sua sentença contra ele.

4. O Ludwig afirma.

“não considero que o Cardeal Patriarca de Lisboa tenha sido intolerante por dizer que «O afastamento de Deus, ou o seu esquecimento e negação, constituem o maior drama da humanidade.»(2) Nisto parece-me que eu e o Alfredo estamos de acordo. Ambos condenamos como intolerante um ateu que queira acabar com a religião a todo o custo e ambos aceitamos como expressão legítima de uma opinião que um padre diga mal do ateísmo. O que me preocupa é que o Alfredo use dois pesos e duas medidas, avaliando por outros critérios o caso em que um ateu diz que a religião é má. Preocupa-me mas não me surpreende. Para se ter fé numa religião sem ter fé em todas é preciso o hábito de usar um critério para uma coisa e outro diferente para as outras todas. Esse hábito eu não quero adquirir porque leva à intolerância. Para se ter fé numa religião sem ter fé em todas é preciso o hábito de usar um critério para uma coisa e outro diferente para as outras todas. Esse hábito eu não quero adquirir porque leva à intolerância.”

O Ludwig deve saber que os cristãos não pregam a intolerância para com as outras religiões. Preferem valorizar o muito que nelas há de positivo. É por esta razão que os cristãos preferem o diálogo construtivo à imposição das suas crenças, muito menos à violência. E é por isso que os cristãos estão na linha da frente na promoção do diálogo construtivo com os não crentes, respeitando a sua descrença. Aqui se situa D. José Policarpo. Outro tanto não poderei dizer de ateus como Harris e Dawkins quanto à sua atitude em relação aos crentes. Não há aqui dois pesos nem duas medidas. O que há são duas atitudes diametralmente opostas.

3 comentários:

O gajo disse...

Relativamente ap ponto 3, coloco a seguinte pergunta:
Se a Religião não serve para elevar o nível ético dos seus crentes, resultado esse que poderia de facto contribuir para uma maior harmonia da vida em sociedade, então o único objectivo que lhe resta é puramente egoísta no sentido em que apenas serve para preencher com algum conforto o vazio deixado pelas perguntas existenciais sem resposta que qualquer ser humano sente com maior ou menor intensidade.

alfredo dinis disse...

Caro céptico,

Para um crente o individualismo egoísta do 'salve-se quem puder' ou do 'faço e penso o que quiser e ninguém tem nada a ver com isso', etc., não existe. O crente vê-se a si mesmo como intrinsecamente relacionado com os outros. É a relação que nos une uns aos outros que nos faz ser pessoas. Por conseguinte, não é possível pensar no 'meu bem', independentemente do bem dos outros. Posto isto, a fé cristã alarga os horizontes da vida humana, alarga o seu sentido. Para os não crentes, é uma utopia acreditar em Deus, na eternidade, numa existência de plena realização do bem, da justiça, do amor. Para os crentes essa é uma utopia que se realiza, não apenas num futuro distante, mas que pode começar já agora. Por isso, o significado da existência não é para o cristão uma questão teórica, filosófica, estritamente pessoal, ela é cheia de consequências práticas que envolvem a qualidade de vida a todos os níveis, sobretudo ao nível da relação com os outros.

Saudações,

Alfredo Dinis

freefun0616 disse...

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