17 de novembro de 2008

S. Roque Gonzalez, S. Afonso Rodriguez e S. Juan del Castillo

No dia 16 de Novembro, a Companhia de Jesus celebra a entrega de três homens que dedicaram o seu trabalho missionário ao sonho das Reduções, conhecidas como Reduções do Paraguai, pagando por isso com o preço da sua vida.

Roque Gonzalez (nascido em Assunción, Paraguay em 1576), Afonso Rodriguez (nascido em Zamora em 1598) e Juan del Castillo (nascido em Toledo em 1596), entre muitos outros, procuraram levar a fé em Jesus Cristo aos índios, não apenas baptizando e catequizando, mas concebendo toda uma organização social que lhes concedia uma autonomia e uma dignidade nunca vistas. Os índios juntavam-se em aldeias onde aprendiam a ler e a escrever na sua própria língua, mas também os mais diversos ofícios (muitos revelaram-se grandes artistas, produzindo magníficos retábulos, quadros e estátuas) Todos tinham uma inclinação natural para a música, e alguns mostraram ser compositores dotados. Todas as povoações, que chegaram a ser 57 e a albergar cerca de 112 mil índios, tinham escola e biblioteca. Uma das reduções possuía um dos melhores observatórios astronómicos do mundo de então, noutra foi instalada a primeira tipografia sul-americana. Para além disso, os guaranis tinham o seu próprio governo e uma economia comunitária inspirada na economia solidária que sempre haviam conhecido e que não diferia muito da que fora posta em prática pelas primeiras comunidades cristãs.

Esta autonomia chocava frontalmente com a influência até aí exercida pelos feiticeiros que planearam a morte dos três Jesuítas, sendo eles brutalmente assassinados a 15 e 17 de Novembro de 1628, fazendo deles não apenas mártires da fé católica, mas também da cultura indígena e da liberdade política.

O exemplo destes homens e de tantos outros que, durante os séculos XVII e XVIII, deram vida pela utopia da afirmação e autonomia das povoações indígenas anima ainda hoje os jesuítas a anunciar a fé sem a desligar as condições materiais e culturais em que vivem aqueles a quem são enviados. Muito antes das recentes Congregações Gerais, estes santos viveram o ideal de uma fé que exige a justiça e o diálogo com as culturas.
O fim da nossa missão (o serviço da fé) e o seu princípio integrador (a fé dirigida à justiça do Reino) estão dinamicamente relacionados com a proclamação inculturada do Evangelho e o diálogo com outras tradições religiosas, como dimensões integrais da evangelização (CG 34 decreto 2, n. 15).

Escrito por António Ary