14 de novembro de 2008

São José Pignatelli


Nasceu em Saragoça, Espanha, em 1737, numa família nobre. Entrou no noviciado da Companhia de Jesus em 1753, com 16 anos e depois de terminados os estudos foi ordenado sacerdote em 1762.
Em 1767, a exemplo de Portugal com o Marquês de Pombal, também Carlos III expulsou os jesuítas de Espanha. José Pignatelli tornou-se, então, o provincial de cerca de 600 jesuítas a bordo de 13 navios que desembarcaram na Córsega. Depois de uma viagem a pé de mais de 450 quilómetros, foram acolhidos em Ferrara.
Por essa altura, os Bourbons, uma família que dominava várias casas reais europeias, pressionavam o papa Clemente XIII para que suprimisse a Companhia de Jesus mas, enquanto este resistiu, o papa Clemente XIV, seu sucessor, acabou por a suprimir em 1773. Apesar de ter deixado de ser jesuíta, assim como todos que nessa altura eram membros da Companhia de Jesus, José Pignatelli continuava a viver como jesuíta em Bolonha.
Entretanto, na Rússia a Companhia “sobreviveu” pois a Czarina Catarina II da Rússia não emitiu a bula papal de supressão da Companhia nos territórios sob o seu domínio. Quando José Pignatelli soube disto pediu autorização ao papa Pio XI para se juntar à província russa da Companhia de Jesus. Nesta altura, também Fernando, duque de Parma, entrou em negociações com a Rússia e em 1793, três jesuítas, entre os quais José Pignatelli, abriram uma casa da Companhia no seu ducado. Em 1797, já com 60 anos, fez novamente os votos na Companhia de Jesus.
A partir daqui, José Pignatelli trabalhou incansavelmente para restaurar a Companhia, com a esperança de a ver restaurada em todo o mundo. Foi mestre de noviços, provincial de Itália e ainda foi expulso de Nápoles por José Bonaparte, tendo que fugir para Roma.
Depois de 40 anos de exílio e com a saúde já muito debilitada, José Pignatelli acabou por morrer, em 1811, sem ver a restauração da Companhia em todo o mundo, que aconteceu em 1814 decretada pelo papa Pio VII.
A questão não está em acabar com os problemas e com as dificuldades que possa ter a vida, nem nós o conseguimos, nem Deus vem fazer isso, trata-se de saber para onde se vai, o que se quer, onde está realmente o centro da nossa vida, e, por saber que é aí que se irá encontrar Vida, comprometemo-nos em ir lá chegando, independentemente se isso custa ou não, se é fácil ou difícil. E é aqui que está Deus, a fazer caminho também. S. José Pignatelli, com a sua vida, é exemplo disto.

Por Duarte Rosado, SJ