31 de dezembro de 2008

Santíssimo Nome de Jesus


No primeiro dia do ano, a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e a Imposição do Nome de Jesus. Santo Inácio queria que a Companhia «tivesse por distintivo o Nome de Jesus» (Formula do Instituto, 1). De facto, para nós jesuítas, o Filho de Deus revela-nos o modo como queremos viver a nossa vocação. Mas, qual o nome que melhor nos identifica com o Filho de Deus? Qual o nome que mais assemelha a Sua vida à nossa?
Na Escritura, vários são os nomes, e títulos, que se atribuem a Jesus. Em primeiro lugar, temos uma série de nomes que acentuam a Sua divindade: Cristo, que significa “ungido”; Senhor; Filho de Deus; Verbo de Deus; Emanuel, Deus connosco; Cordeiro de Deus; ou Filho do Homem, com forte conotação escatológica na tradição judaica.
A pessoa de Jesus é também nomeada com nomes mais humanos, como Rei, Rabi, Mestre, Profeta ou Bom Pastor. Mas, estes são nomes que incidem mais no poder e no respeito que o Filho de Deus merece.
Os nomes que acentuam mais o aspecto humano – como, Nazareno, Filho de Maria, ou Filho de José, por exemplo – são demasiado particulares para nomear um Homem que se entregou ao mundo inteiro.
Jesus, Ye•shú•á em hebraico, significa literalmente “Deus Salva”. Mas além disso, é um nome comum, vulgar, susceptível de ser atribuído a qualquer pessoa do seu tempo e da sua cultura. Jesus espelha, portanto, o lado humano do Filho de Deus. Contudo, essa humanidade não se esgota em si mesma: a simples vida humana, se humanamente vivida, espelha a Salvação que só Deus pode dar.

28 de dezembro de 2008

Um menino destes não se improvisa!


Hoje festejamos o dia da ‘Família de Nazaré’. É pedido a todos os cristão que, especialmente neste dia, se comprometam cada vez mais a sério a tomar esta família por modelo. Mas, simples e directamente, como poderemos tomar por modelo uma família em que o Pai é adoptivo, a Mãe é a virgem que concebe por obra do Espírito Santo e o filho é totalmente homem e Deus ao mesmo tempo? Não será esta família um ideal impossível? Uma formulação inatingível, fechada dentro de uma redoma de vidro?

A semana passada li uma frase num jornal, dizia ser do Paulo Coelho mas por acaso é de Jesus e vem em São Lucas. “Conhece-se a árvore pelos seus frutos”. Talvez possamos conhecer se a árvore (família de Nazaré) é boa, pelo fruto (Jesus). No tempo da sua vida pública Jesus foi um homem próximo dos mais pobres, amigo dos que eram marginalizados pela sociedade, tinha uma linguagem que era entendida pelos cultos e pela gente simples, comia com os sacerdotes do templo e com os cobradores de impostos e prostitutas, conversou com Nicodemos e com a mulher adultera e a todos transformou.

Um menino destes não se improvisa! Para isto Deus confiou o seu próprio filho a uma família simples e pobre. Foi aí que o ‘Filho de Deus’ aprendeu a falar, a tratar da Sua higiene pessoal, a vestir-se, a comer à mesa com quem quer que fosse, a ler a ‘Palavra de Deus’ na sinagoga, a rezar, a aproximar-Se dos mais pobres e esquecidos da sociedade nos quais reconheceu os filhos predilectos do seu Pai, que por meio d’Ele se iria tornar Pai de todos. Um menino destes não se improvisa!

Talvez neste tempo de infância, Jesus terá conhecido alguma pastora que sacrificara 99 ovelhas, deixando-as no deserto, para ir à procura daquela que estava perdida. Será que foi nalgum passeio de família ou da comunidade judaica, antes do sabbath para não se esgotarem os passos permitidos pela lei, que Jesus contemplou os lírios do campo e as aves do céu ou um semeador de trigo e grãos de mostarda? Conheceu certamente, às escondidas, algum estrangeiro, samaritano por certo, que lhe agradeceu a hospitalidade, alegando já ter cuidado e tratado de um israelita que vira meio morto na beira da estrada, por ter sido assaltado no quilometro 113. E ainda conheceu algum Pai que perdoou e acolheu o filho depois deste, fugido de casa, lhe ter gasto muito dinheiro em roupas de marca, festas e mulheres.

Foi certamente no seio desta família, e/ou por causa dela, que Jesus aprendeu a ouvir Deus e a perceber-Se enviado a ser o libertador e redentor de toda a humanidade. Levantar os que estavam social e interiormente abatidos e espezinhados pela sociedade. Foram eles a mulher adúltera e Nicodemos, o cego de Jericó e a Samaritana, os pescadores da Galileia e as multidões de quem se encheu de compaixão e pregou depois de uma longa caminhada que fizera. Levar à ruína os que se elevam à custa de outros, para que se levantem a partir do que são e não a partir da honra e glória que criam para proveito próprio. Foram eles alguns fariseus e doutores da lei, os homens ricos e poderosos da época, os que exploravam os trabalhadores. Um menino destes não se improvisa!

Diz o Evangelho de hoje que Jesus crescia em inteligência, robustez e graça. Como podem as nossas famílias tomar por modelo a família de Nazaré a fim de educarem os filhos para este crescimento de Jesus? Certamente que levar os filhos à escola, inscreve-los no futebol e oferecer-lhes o “Etiqueta e Boas Maneiras” da Paula Bobone é algo de muito bom, mas que não chega para criar ‘outros’ Jesus. A inteligência e a robustez são dimensões importantíssimas para o crescimento, e seria um desprezo pela criação não cuidar delas por desleixo. Contudo é essencial que a família cristã crie, na relação entre pais e filhos, um espaço vital para Deus. Sabendo que viver em Deus não consiste num ideal esfumado e afastado da realidade, nem se resume a uma data de ritos caídos do céu. É, antes de tudo, uma vida que se deixa tocar por um Deus Pai que se vai conhecendo pela leitura da vida de Jesus, e assim aprende a ler, criar e desenhar a sua própria vida a partir do exemplo e forma de ser de Jesus.

Com Jesus, o modelo de família não se resume a uma data de perfeições. O modelo de família cristã para hoje, feito ícone na de Nazaré, é aquela que, pela união e capacidade incondicional de perdão sincero e construtivo, faz com que a criança perceba que a sua família é maior que o seu agregado familiar. Assim a família deixará de ser somente um ponto de estabilidade ou lugar de origem, mas será lugar de Pentecostes, presença do espírito de Deus que envia para o serviço aos irmãos. Assim sendo já ninguém tirará um curso para ganhar muito dinheiro, ninguém mais dará esmola e atenção para ser bem visto, ninguém mais dará presentes de casamento para receber outros, ninguém mais será cego. Deus será tudo em todos, porque cada um de nós tentará ser tudo para todos, a imagem de Cristo que passou fazendo o bem.

Resta perguntar: Será que é isto que esperamos para as nossas famílias e comunidades religiosas? E se os meios para chegarmos a este fim não forem os que me apetecem ou os com que eu concordo, estou disposto a colaborar no projecto de Deus? Jesus é para mim motivo desta salvação?


(Embora neste filme Jesus seja demasiadamente caucasiano para um judeu, vale a pena ver)


26 de dezembro de 2008

um tsunami sobre declarações do Papa

A excelente Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organizada por João Branquinho e Desidério Murcho e editada pela Gradiva, define do seguinte modo o argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa): “quando se pretende argumentar contra um argumento promovido por alguém argumentando contra a pessoa (por exemplo, apresentando-a como um hipócrita, tu quoque) e não contra o argumento.”

Na passada segunda-feira, o Papa Bento XVI proferiu um discurso no qual se pronunciou sobre algumas questões éticas controversas. O jornal Público deu-lhe honras de primeira página, e um tsunami de agressivas críticas varreu os meios de comunicação social, incluindo a blogosfera (ver, a título de exemplo, o dererummundi e o avenidacentral). As críticas não resistiram ao argumentum ad hominem, e revestiram-se com frequência de injúrias à pessoa do Papa não só pelo que disse mas também pelo modo como se veste, pela sua intolerância, etc. Não digo que não tenha havido também alguma racionalidade na argumentação, mas surpreendeu-me a agressividade e o baixo nível de vocabulário utilizado contra o homem. Que se façam análises críticas objectivas, informadas e inteligentes, dos discursos do Papa, dos Bispos, dos Padres, é algo a encorajar. A procura da verdade é uma aventura colectiva para a qual todos sem excepção estão convidados. Mas o argumentum ad hominem não leva a lado nenhum, bloqueia o diálogo, cria separações, afasta as pessoas. Não será possível discutir os discursos do Papa de forma objectiva e racional, deixando de lado o tom agressivo e até mesmo ofensivo? Creio que sim.

Na sua mensagem de Natal, o Papa apelou à paz na Palestina, à estabilidade na África, condenou as situações na República Democrática do Congo, no Sudão, no Darfur, na Somália e no Zimbabwe. Não vi dos habituais críticos do Papa qualquer palavra de aplauso. Porquê?

21 de dezembro de 2008

O Deus que se aproxima!

O horizonte das nossas relações está constantemente marcado por uma busca incessante de proximidade. O afecto pede gestos concretos de atenção que não nos cansámos de pedir. Não é algo de secundário nas nossas vidas, pois marca indelevelmente o ritmo das nossas alegrias e tristezas. Passando pela experiência do amor, sabemos de antemão que há um profundo desejo de tocar a realidade do outro, uma ânsia infinita de estar junto, próximo, evidente ao seu olhar. Sendo assim na nossa própria experiência de amor, ainda que sempre manchada pelo nosso próprio egoísmo, será imaginável o desejo de proximidade de Alguém que ama sem limites?
As leituras deste domingo abrem uma janela sem precedentes no nosso horizonte de fé. Este Deus que durante séculos pareceu distante, frio e situado num patamar inacessível, torna evidente e clara a sua presença. É um Deus de um amor sem limites por aqueles que Ele mesmo criou. É admirável o modo como aparece na 1.ª Leitura, abusando da ternura e atenção para com David. "Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho". Não é possível ficar indiferente a este cuidado de Deus, às suas palavras acolhedoras e comoventes. Sentimo-nos inteiramente nas suas mãos, confiantes na sua protecção, como um filho se sente protegido de todas as agressões quando repousa no colo de sua mãe. O ser humano perante a sua existência, vivida num horizonte de fé, alcança este estado de plena segurança naquele que o criou. É um dinamismo de vida!
Depois do alerta presente na 2.ª Leitura de que "a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos" está agora evidente, deparámo-nos com o Gesto. O Evangelho recorda-nos a encarnação de Deus, que abandona a sua grandeza, o seu poder infinito, o seu estado autêntico e magnânimo, para se tornar um de nós. O quebrar da distância, especialmente se falámos de uma distância elevada ao extremo, marca o gesto de proximidade que só o amor pode gerar. O amor ensina-nos a abdicar do nosso estado, dos nossos interesses e desejos para nos dirigirmos para um outro. É esta a principal mensagem que Deus transmite à humanidade.
O amor é a saída para todas as nossas dúvidas e inquietações. Não há maior lição a aprender nesta vida. Nem os maiores sábios da natureza o poderão revelar com maior clareza. Quando o infinitamente rico se faz pobre, quando o infinitamente grande se faz pequeno, quando o infinitamente poderoso se faz frágil. Só o amor pode provocar tais decisões. Deus sofre com o nosso sofrimento, sente o nosso grito incessante por um sentido mais profundo. Porque nos ama não suporta a nossa dor. A sua resposta vem através da sua revelação à humanidade. A vida de Jesus Cristo é a resposta definitiva de Deus pois só n'Ele encontrámos a saída para todas as nossas inquietações.
Ser humano, ser verdadeiramente humano é amar. Não há mais segredos por revelar. Porque continuámos à procura de respostas quando o que profundamente desejámos está tão claro e evidente?
Toda a humanidade deseja a felicidade, esse estado de existência sereno e optimista. Porque não O encontrámos? Ninguém nesta vida está imune ao amor. Todos experimentámos os seus efeitos, como nos transforma e nos faz relativizar o nosso próprio ego. A alegria profunda encontra-se aqui e todos nós sabemos.
Sendo assim, de que é que estámos à espera?

21 de Dezembro de 2008 - Domingo IV do Advento
LEITURA I
2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a.16
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)
LEITURA II
Rom 16, 25-27
EVANGELHO
Lc 1, 26-38

20 de dezembro de 2008

18 de dezembro de 2008

"degrau a degrau"

Considero que venci esta sensação vaga e assustadora que tinha dentro de mim. A vida é realmente difícil, uma luta de minuto a minuto, mas a luta é sedutora. Antigamente via um futuro caótico pela frente, porque eu não queria viver o momento que estava à frente do meu nariz. Queria que tudo me fosse oferecido, como uma criança muito mimada. Às vezes tinha a certeza, embora fosse uma sensação vaga, de que no futuro «poderia vir a ser alguém», de que poderia vir a fazer algo de «espantoso»; e outras vezes aparecia-me novamente o medo caótico de que «no fim estaria perdida». Começo a entender por que é que isso acontecia. Recusava-me a cumprir as obrigações óbvias que tinha pela frente, recusava-me a ir ao encontro do futuro, degrau a degrau. E agora, agora que cada minuto é pleno, cheio de vida e experiência e luta e vitória e depressão, seguido de imediato por mais luta e por vezes sossego, agora deixei de pensar no futuro, quer dizer, é-me indiferente se mais tarde vou realizar algo de espantoso ou não, porque algures no meu íntimo estou certa de que alguma coisa há-de sair. Antigamente vivia continuamente num estado preparatório, tinha a impressão de que tudo o que fazia não era a «sério», mas sim a preparação para algo diferente, algo «grande», a sério. Mas agora deixei-me totalmente disso. Agora, hoje, neste minuto, vivo e vivo plenamente, e a vida é digna de ser vivida.

A 9 de Março de 1941, em pleno ambiente de perseguição e extermínio judeu, Etty Hillesum decidiu «confiar o ânimo reprimido a um insignificante pedaço de papel quadriculado».

A última entrada do seu diário de que há conhecimento data de 13 de Outubro de 1942.
Em Setembro de 1943, Etty foi deportada para Auschwitz, vindo a falecer em Novembro desse ano.



16 de dezembro de 2008

VIII Semana de Estudos de Espiritualidade Inaciana.
Fátima, de 6 a 8 de Dezembro.
Crer na fronteira,
habitar novas fronteiras
.


Pequeno excerto da conferência inaugural

14 de dezembro de 2008

Gaudete – o Domingo da Alegria



Dia após dia aproxima-se aquele dia, o da memória do gesto mais profundo e amoroso, no momento em que Deus quis estar assim tão próximo, nascer um de nós. Hoje, Domingo da Alegria, a Igreja convida-nos a aguardar alegremente Aquele que vem da parte do Pai. É Ele a causa dessa mesma alegria, porque a nossa espera encontra no seu horizonte um Deus que enviou à Terra não o flagelo, mas o seu Filho numa criança e, n'Ele, o amor e a graça.


O que é que habita o nosso horizonte? Quem ou o quê procuramos? Que luz?


Pouco antes de Jesus iniciar o anúncio do Reino, apareceu João “para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”. É frequente o nosso olhar desviar-se do essencial e deter-se no que apenas dá testemunho, sem notar que é frágil e, não poucas vezes, enganadora a consolação que nos traz. Perde-se cego, como as gralhas que desejam possuir qualquer metal vulgar que brilhe no chão, sem reconhecer que esse brilho fala, dá testemunho, do brilho do Sol.


Houve quem julgasse que João era a luz. Mas João não era o Messias, nem se tomou por alguém de suma importância, quando lhe perguntaram


“Quem és tu?”, “És o Profeta?”, “És Elias?”,

“Que dizes de ti mesmo?”.


João não diz de si mesmo, mas de Alguém que está já entre eles, que não conhecem, para Quem não olham – “Eu sou a voz” d'Aquele que é a Palavra e a Luz do mundo.


Contemplamos já os primeiros raios da aurora, aqueles que anunciam o fim da cegueira da noite e dão testemunho da estrela que irá nascer e será luz para o mundo.


14 de Dezembro de 2008 - Domingo III do Advento
LEITURA I Is 61,1-2a.10-11
SALMO RESPONSORIAL Lc 1, 46-48.49-50.53-54
LEITURA II 1 Tes 5,16-24
EVANGELHO Jo 1,6-8.19-28


12 de dezembro de 2008

Colóquio: Porquê dilemas éticos se temos neurónios?

Realiza-se no próximo sábado na Faculdade de Filosofia de Braga um Colóquio sobre o tema ‘Porquê dilemas éticos se temos neurónios?’ Seremos nós determinados neuralmente nas decisões éticas que tomamos, na resolução de dilemas éticos, de tal modo que deixe de fazer sentido falar em liberdade? A esta pergunta. Há quem responda ‘sim’ e quem responda ‘não’. Com que argumentos? O Colóquio pretende esclarecer estas questões.
Participam: Sara Fernandes (UCP, Lisboa), “Prisioneiros do próprio cérebro ou livres na vontade?”; José António Alves (UCP, Braga), “A ilusão de liberdade”; Alfredo Dinis (UCP, Braga), “As bases neurobiológicas da ética em António Damásio”; Manuel Curado (UMinho), “A vida perfeita: sem ética e sem neurónios”; Judite Zamith Cruz (UMinho), “Constrangimentos à plasticidade estrutural na relação humana: mudança no eu e nos valores”; José Paulo Santos (ISMAI), “Neuromarketing: emoções e relevância social nos cérebros dos consumidores”; Ana Morais Santos (UBI), “Fundamentos naturais da ética: onde está o contra-senso?”

O Colóquio é organizado pela Sociedade Portuguesa de Ciências Cognitivas em colaboração com a Faculdade de Filosofia.

5 de dezembro de 2008

dilemas éticos

Inicia-se na próxima quarta-feira, 10 de Dezembro, na Faculdade de Filosofia de Braga, um Seminário sobre “Dilemas Éticos: para uma tomada de posição ético-filosófica”. Pretende-se implementar um procedimento padrão para tomadas de decisão ética. A metodologia é a seguinte: análise dos factos, identificação do dilema ético envolvido, estudo dos possíveis cursos de acção, avaliação das implicações éticas inerentes a cada um deles, tomada de decisão e sua justificação ética. O Seminário é constituído por 7 encontros mensais, de Dezembro a Junho, das 20h às 22.30h, e é aberto ao público. A taxa de inscrição é de € 5.

3 de dezembro de 2008

São Francisco Xavier



«conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela que com as suas próprias afeições, dizendo: “Senhor, eis-me aqui; que queres que eu faça?”»

Ao olharmos para a vida de São Francisco Xavier encontramos um autêntico cidadão do mundo. Nasceu no castelo de Xavier e passou a infância em Navarra, com a nobreza da sua família. Aos dezoito anos foi estudar para Paris, como era próprio do seu estatuto social. Depois dos estudos, já convertido a Cristo, peregrinou até Roma como mendigo e acabou por ser ordenado padre em Veneza. Esteve ainda em Portugal antes de partir para a Índia, onde baptizou milhares de pessoas que não resistiram à autenticidade e ao alento das suas palavras. Viveu ainda dois anos no Japão e morreu às portas da China, inflamado pelo desejo de entrar naquele país.

A sua origem nobre permitiu que cultivasse muitas ambições durante a juventude. De facto, Francisco Xavier ingressou na reputada Universidade de Paris à procura de uma carreira brilhante e ambiciosa.

Contudo, o contacto com Pedro Fabro e, mais tarde, com Inácio de Loiola, abriu-lhe novos horizontes: “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?”. Esta pergunta marcou um ponto de viragem na sua vida.

Não deixou de ser quem era. Continuou com o mesmo alento e com a mesma determinação, não para satisfazer as suas ambições pessoais, mas para levar o tesouro do Evangelho a todas as gentes. Foi esse fervor, genuinamente apostólico, que o moveu e lhe deu a força necessária para percorrer muitos cantos do mundo.

Sabemos quem foi Francisco Xavier. Resta-nos agora saber quem ele é, ou seja, qual o significado da sua vida para nós. O exemplo do padroeiro das missões, que entregou a sua vida à utopia do Evangelho, anima-nos ainda hoje a acolher este fervor genuíno, que nos leva a anunciar a fé para além de todas as fronteiras. O Evangelho anuncia-se com autenticidade: foi esse fervor autêntico que lhe permitiu chegar ao coração de todos os que com ele conviveram, mesmo aqueles que, de culturas tão distintas, não eram capazes de compreender a sua língua.

O desejo de Francisco Xavier foi o de ser e «crescer sempre num conhecimento interno do Senhor» para O amar e seguir cada vez mais. «Como dizia o Pe. Nadal, “a Companhia é fervor”» (CG35, decreto 1, nº. 10).

Nota: Quadro e imagem de São Francisco Xavier na Sé Nova de Coimbra| Fotografias de Francisco Campos, sj

1 de dezembro de 2008

Santo Edmund Campion e os Mártires de Inglaterra


Hoje celebramos os dez santos mártires da Companhia de Jesus ( 9 Padres e 1 Irmão Coadjutor ), que foram mortos durante as perseguições religiosas, dos séculos XVI e XVII, em Inglaterra aos católicos.

Edmund Campion nasceu em Londres, no dia 24 de Janeiro de 1540.
Estudou em Oxford e durante a sua formação, foi um dos alunos escolhidos para receber a Rainha Elisabete na Universidade.
Campion era reconhecido pelo seu grande valor, tendo recebido o patronato de William Cecil e do Earl de Leicester, duas das pessoas mais influentes de Inglaterra daqueles tempos.
Após ter renegado ao Anglicanismo, deixou Oxford (1569) e foi para a Irlanda.
Durante o seu tempo na Irlanda, foi perseguido pelas forças protestantes, por causa disso deixou a Irlanda em segredo e partiu para Douai (França), que era nessa altura um ponto de encontro para os católicos exilados de Inglaterra. Aí terminou os seus estudos.

Em 1573, Campion deixou Douai e partiu para Roma, onde entrou no Noviciado da Companhia de Jesus. Seguidamente foi enviado para Viena e Praga.

Em 1580, os Jesuítas começaram a enviar padres para Inglaterra na clandestinidade. Campion partiu com Robert Persons, ambos entraram em Inglaterra mascarados de mercadores judeus.

Durante o seu tempo em Inglaterra, pregou por Berkshire, Oxfordshire, Northamptonshire e Lancashire. Por esta altura escreveu o livro “Dez Razões”. O livro apresentava dez razões contra a Igreja Anglicana, conseguiu a sua impressão na clandestinidade e foram distribuídas 400 cópias por Oxford.
A partir desta altura o ministério de Campion aproximava-se do seu fim. Foi capturado em Lyford, e enviado para Londres.
Na Torre de Londres, foi torturado, tendo sido executado no dia 1 de Dezembro de 1581, juntamente com o Jesuíta Alexander Brian.


  • S. Edmund Campion ( 1581 )
    S. Alexander Brian ( 1581 )
    S. Robert Southwell ( 1595 )
    S. Henry Walpole ( 1595 )
    S. Nichole Owen ( 1606 )
    S. Thomas Garnet ( 1608 )
    S. Edmund Arrowsmith ( 1628 )
    S. Henry Morse ( 1645 )
    S. Philip Evans ( 1679 )
    S. David Lewis ( 1679 )
Recursos
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