21 de dezembro de 2008

O Deus que se aproxima!

O horizonte das nossas relações está constantemente marcado por uma busca incessante de proximidade. O afecto pede gestos concretos de atenção que não nos cansámos de pedir. Não é algo de secundário nas nossas vidas, pois marca indelevelmente o ritmo das nossas alegrias e tristezas. Passando pela experiência do amor, sabemos de antemão que há um profundo desejo de tocar a realidade do outro, uma ânsia infinita de estar junto, próximo, evidente ao seu olhar. Sendo assim na nossa própria experiência de amor, ainda que sempre manchada pelo nosso próprio egoísmo, será imaginável o desejo de proximidade de Alguém que ama sem limites?
As leituras deste domingo abrem uma janela sem precedentes no nosso horizonte de fé. Este Deus que durante séculos pareceu distante, frio e situado num patamar inacessível, torna evidente e clara a sua presença. É um Deus de um amor sem limites por aqueles que Ele mesmo criou. É admirável o modo como aparece na 1.ª Leitura, abusando da ternura e atenção para com David. "Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho". Não é possível ficar indiferente a este cuidado de Deus, às suas palavras acolhedoras e comoventes. Sentimo-nos inteiramente nas suas mãos, confiantes na sua protecção, como um filho se sente protegido de todas as agressões quando repousa no colo de sua mãe. O ser humano perante a sua existência, vivida num horizonte de fé, alcança este estado de plena segurança naquele que o criou. É um dinamismo de vida!
Depois do alerta presente na 2.ª Leitura de que "a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos" está agora evidente, deparámo-nos com o Gesto. O Evangelho recorda-nos a encarnação de Deus, que abandona a sua grandeza, o seu poder infinito, o seu estado autêntico e magnânimo, para se tornar um de nós. O quebrar da distância, especialmente se falámos de uma distância elevada ao extremo, marca o gesto de proximidade que só o amor pode gerar. O amor ensina-nos a abdicar do nosso estado, dos nossos interesses e desejos para nos dirigirmos para um outro. É esta a principal mensagem que Deus transmite à humanidade.
O amor é a saída para todas as nossas dúvidas e inquietações. Não há maior lição a aprender nesta vida. Nem os maiores sábios da natureza o poderão revelar com maior clareza. Quando o infinitamente rico se faz pobre, quando o infinitamente grande se faz pequeno, quando o infinitamente poderoso se faz frágil. Só o amor pode provocar tais decisões. Deus sofre com o nosso sofrimento, sente o nosso grito incessante por um sentido mais profundo. Porque nos ama não suporta a nossa dor. A sua resposta vem através da sua revelação à humanidade. A vida de Jesus Cristo é a resposta definitiva de Deus pois só n'Ele encontrámos a saída para todas as nossas inquietações.
Ser humano, ser verdadeiramente humano é amar. Não há mais segredos por revelar. Porque continuámos à procura de respostas quando o que profundamente desejámos está tão claro e evidente?
Toda a humanidade deseja a felicidade, esse estado de existência sereno e optimista. Porque não O encontrámos? Ninguém nesta vida está imune ao amor. Todos experimentámos os seus efeitos, como nos transforma e nos faz relativizar o nosso próprio ego. A alegria profunda encontra-se aqui e todos nós sabemos.
Sendo assim, de que é que estámos à espera?

21 de Dezembro de 2008 - Domingo IV do Advento
LEITURA I
2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a.16
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)
LEITURA II
Rom 16, 25-27
EVANGELHO
Lc 1, 26-38