3 de dezembro de 2008

São Francisco Xavier



«conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela que com as suas próprias afeições, dizendo: “Senhor, eis-me aqui; que queres que eu faça?”»

Ao olharmos para a vida de São Francisco Xavier encontramos um autêntico cidadão do mundo. Nasceu no castelo de Xavier e passou a infância em Navarra, com a nobreza da sua família. Aos dezoito anos foi estudar para Paris, como era próprio do seu estatuto social. Depois dos estudos, já convertido a Cristo, peregrinou até Roma como mendigo e acabou por ser ordenado padre em Veneza. Esteve ainda em Portugal antes de partir para a Índia, onde baptizou milhares de pessoas que não resistiram à autenticidade e ao alento das suas palavras. Viveu ainda dois anos no Japão e morreu às portas da China, inflamado pelo desejo de entrar naquele país.

A sua origem nobre permitiu que cultivasse muitas ambições durante a juventude. De facto, Francisco Xavier ingressou na reputada Universidade de Paris à procura de uma carreira brilhante e ambiciosa.

Contudo, o contacto com Pedro Fabro e, mais tarde, com Inácio de Loiola, abriu-lhe novos horizontes: “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?”. Esta pergunta marcou um ponto de viragem na sua vida.

Não deixou de ser quem era. Continuou com o mesmo alento e com a mesma determinação, não para satisfazer as suas ambições pessoais, mas para levar o tesouro do Evangelho a todas as gentes. Foi esse fervor, genuinamente apostólico, que o moveu e lhe deu a força necessária para percorrer muitos cantos do mundo.

Sabemos quem foi Francisco Xavier. Resta-nos agora saber quem ele é, ou seja, qual o significado da sua vida para nós. O exemplo do padroeiro das missões, que entregou a sua vida à utopia do Evangelho, anima-nos ainda hoje a acolher este fervor genuíno, que nos leva a anunciar a fé para além de todas as fronteiras. O Evangelho anuncia-se com autenticidade: foi esse fervor autêntico que lhe permitiu chegar ao coração de todos os que com ele conviveram, mesmo aqueles que, de culturas tão distintas, não eram capazes de compreender a sua língua.

O desejo de Francisco Xavier foi o de ser e «crescer sempre num conhecimento interno do Senhor» para O amar e seguir cada vez mais. «Como dizia o Pe. Nadal, “a Companhia é fervor”» (CG35, decreto 1, nº. 10).

Nota: Quadro e imagem de São Francisco Xavier na Sé Nova de Coimbra| Fotografias de Francisco Campos, sj