26 de dezembro de 2008

um tsunami sobre declarações do Papa

A excelente Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organizada por João Branquinho e Desidério Murcho e editada pela Gradiva, define do seguinte modo o argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa): “quando se pretende argumentar contra um argumento promovido por alguém argumentando contra a pessoa (por exemplo, apresentando-a como um hipócrita, tu quoque) e não contra o argumento.”

Na passada segunda-feira, o Papa Bento XVI proferiu um discurso no qual se pronunciou sobre algumas questões éticas controversas. O jornal Público deu-lhe honras de primeira página, e um tsunami de agressivas críticas varreu os meios de comunicação social, incluindo a blogosfera (ver, a título de exemplo, o dererummundi e o avenidacentral). As críticas não resistiram ao argumentum ad hominem, e revestiram-se com frequência de injúrias à pessoa do Papa não só pelo que disse mas também pelo modo como se veste, pela sua intolerância, etc. Não digo que não tenha havido também alguma racionalidade na argumentação, mas surpreendeu-me a agressividade e o baixo nível de vocabulário utilizado contra o homem. Que se façam análises críticas objectivas, informadas e inteligentes, dos discursos do Papa, dos Bispos, dos Padres, é algo a encorajar. A procura da verdade é uma aventura colectiva para a qual todos sem excepção estão convidados. Mas o argumentum ad hominem não leva a lado nenhum, bloqueia o diálogo, cria separações, afasta as pessoas. Não será possível discutir os discursos do Papa de forma objectiva e racional, deixando de lado o tom agressivo e até mesmo ofensivo? Creio que sim.

Na sua mensagem de Natal, o Papa apelou à paz na Palestina, à estabilidade na África, condenou as situações na República Democrática do Congo, no Sudão, no Darfur, na Somália e no Zimbabwe. Não vi dos habituais críticos do Papa qualquer palavra de aplauso. Porquê?

8 comentários:

Fernando Castro Martins disse...

Porquê? Porque está na moda falar como se fala e anda por aí um vazio e uma leveza indefiníveis...
E porque há algum justificado desapontamento com as instituições.
E porque há preceitos que estão a cair de maduros.
E porque se democratizou o acesso à palavra mas não ao bom senso, aquele recebido sem se pedir e este ausente porque se não conquistou.
Porque a Igreja tem que rever o seu lugar, o seu papel, o seu discurso, porque a cristandade acabou.
Também eu fiquei chocado com aqueles textos insultuosos insertos no Público. Mas nós, cristãos, também temos de ter mais juízo...

Pedro Morgado disse...

Caro amigo,

Depois de ler este post fui reler o texto que havia publicado no blogue Avenida Central a propósito das declarações do Papa. Mesmo admitindo que, no passado, possa ter utilizado, inadvertidamente, o argumentum ad hominem não posso concordar desta vez.

Não há no meu texto uma única acusação à pessoa do Papa, mas tão somente uma denúncia das suas ideias. Repare que tenho como única destinatária a mensagem e nunca o mensageiro.

Eu questiono a defesa da heterossexualidade como questionaria a defesa da raça ariana se ela fosse retomada nos nossos dias. Aliás, vejo nesta ecologia humana um paralelo com a defendida no Anti-Cristo de Nietzsch.

Eu acredito no respeito integral da pessoa humana em cada uma das suas vertentes e na sua enorme diversidade. Não penso que a sociedade seria melhor se todos partilhássemos esta ou aquela característica, seja cor de pele, etnia, orientação sexual, cor dos olhos, crença religiosa ou qualquer outra. Aceito que haja quem não concorde comigo neste assunto e respeito muito essas pessoas. Não me peçam é para ter qualquer respeito por essas ideias.

Há aqui algum argumentum ad hominem? Não creio.

Cumprimentos,
Pedro Morgado

alfredo dinis disse...

Caro Fernando,
Obrigado pelo seu comentário. Estou de acordo com tudo o que diz. Os cristãos têm que saber dialogar com a cultura de hoje utilizando uma linguagem adequada, o que nem sempre acontece. Por outro lado, a imagem que muitos não crentes têm do cristianismo está também ela desactualizada porque o cristianismo não é tão imutável nas suas expressões como se pensa. Como vamos sair desta situação?

Bom ano novo.

Alfredo Dinis

alfredo dinis disse...

Caro Pedro,
O seu texto é muito breve e não tem nenhum argumento ad hominem. Tem porém alguns links para textos que incluem esse género de argumento. Transcrevo a seguir algumas passagens do texto “Pensamentos natalícios”:

“Não és mais do que um nazi, Bento XVI - um nazi disfarçado com vestes de ouro da tua opulenta, gorda e repugnante Igreja. Não és melhor do que o Hitler foi. Por tua causa o mundo ignorante procederá à prática de crimes em nome desse vosso deus tão em letra minúscula como os outros. Eu odeio-te, Bento XVI. Eu odeio-te porque TU és anti-natura. Que caias da tua cadeira e exponhas as tuas deficiências e perversões ao mundo. Que os crentes te atirem com pedras. Morre, morre, definha e morre. Talvez assim o mundo ficasse um pouco menos mau.”

Pergunto ao Pedro: concorda com o conteúdo deste texto? Se sim, confirma a minha referência ao ‘avenidacentral’. Se não, por que razão incluiu o link para ele?
Apreciei muito do que diz no seu comentário ao meu post e não duvido da sua honestidade e respeito pelos outros com ideias diferentes. Mas não entendo a razão pela qual achou que valia a pena incluir no seu post o link com o texto a que me refiro acima.

Um bom ano novo.

Alfredo Dinis

destemodo@gmail.com disse...

"Como vamos sair desta situação?"
Aí está uma pergunta à qual gostaria de responder em parceria consigo. Em diálogo, não só aqui mas também no correio electrónico e até, também, no meu blogue.
Deixo os meus endereços para o caso de ter alguma disponibilidade.

fernando.castro.martins@hotmail.com
http://destemodo.blogspot.com

Respeitosamente.

Pedro Morgado disse...

Caro Alfredo Dinis,

Peço desculpa pela demora na resposta mas tenho estado sem internet, apesar de actualizar a espaços o Avenida Central.

É óbvio que não me revejo nas palavras que citou e jamais as escreveria (aliás, várias vezes linko textos de que discrodo). Porque as linkei? Para mostrar um exemplo dos ódios que o Papa vem gerando com as sucessivas intervenções discriminatórias. Eu compreendo as palavras que citou e vejo nelas uma reacção natural de quem se sente sucessivas vezes mal tratado.

Este Papa tem tido uma posição inaceitável e obsessiva relativamente à homossexualidade. A aceitação da diferença deveria ser a pedra de toque que distinguiria o catolicismo as outras religiões. Infelizmente não é.

O Papa e parte significativa da Igreja Católica ainda não perceberam que a orientação é uma característica como outra qualquer. A esmagadora maioria das pessoas são heterossexuais. No entanto, alguns são homossexuais ou bissexuais. A esmagadora maioria das pessoas mede mais de 1.5m, no entanto alguns medem menos. A esmagadora maioria das pessoais é fértil, no entanto alguns são infertéis.

Somos todos diferentes, mas somos todos seres humanos com igual dignidade. É assim que eu vejo as coisas. Infelizmente, há quem prefira catalogar e este Papa tem sido algoz dos piores catálogos da história da Igreja nos últimos 50 anos. Lamento-o porque vejo noutra parte da Igreja Católica uma vonta de de mudar este estado de coisas.

Um mal nunca se justifica com um bem e ainda que a Igreja faça muita caridade, não podemos desculpar aos membros mais relevantes da sua hierarquia a constante campanha contra a homossexualidade.

Anónimo disse...

Um primeiro comentário ao nome do blog:

é intelectualmente desonesto (vide definições de Filosofia e de Religião) e historicamente incongruente (Agostinho, Tomás de Aquino, e etc, só são chamados de filósofos devido a, na época em que viveram, ainda não estar formalmente construída uma teologia) misturar Filosofia e Religião.

Linear a definição da Enciclopédia da Gradiva.
O post mereçe então um comentário bipartido:
a- ao indivíduo mencionado; b-ao que disse no discurso.

a- O indivíduo a quem chamam Bento XVI ao permitir-se assumir o cargo de dirigente máximo da organização/instituição que dirige e representa, está também a aceitar que se insere na continuidade de uma tradição histórica de: 1-corrupção;2-assassínio;3-genocídio;4-crimes contra a pessoa humana.

1-A instituição que dirige, supostamente sem fins lucrativos, acumulou ao longo da sua história uma das maiores fortunas patrimoniais do planeta, graças à corrupção das suas finalidades pelos seus representantes e assalariados;
2-É responsável directa (dentro dos espaços que lhe pertencem) pela morte violenta de dezenas de milhar de seres humanos, e indirecta (devido às políticas e convicções que promove) da morte violenta de milhões (e o caldo de emoções que agita os partidários dos três monotaísmos continua a matar na faixa de Gaza);
3-É responsável moral do desaparecimento de inúmeras tribos tanto na América do Sul como na África Sub-Saariana (quando a seguir ao navegador desembarcava o padre que legitimava moralmente a pilhagem e escravização dos naturais a pretexto de que não tinham alma, e portanto se podia dispor da sua força de trabalho como se de gado se tratasse);
4-Tem (e protege) entre os seus assalariados inúmeros indivíduos abusadores sexuais de crianças, de acordo como que tem vindo a público nos últimos anos (a padralhada pedófila).

É claro que um tipo que se permite ser colocado como dirigente máximo de uma instituição com este historial e prática, levanta, no mínimo, suspeita.

2- Pelos vistos o indivíduo "Na sua mensagem de Natal, ... apelou à paz na Palestina, à estabilidade na África, condenou as situações na República Democrática do Congo, no Sudão, no Darfur, na Somália e no Zimbabwe. Não vi dos habituais críticos do Papa qualquer palavra de aplauso."

A maioria dos apelo à paz, com origem no discurso religioso, são apenas o continuar da hipocrisia institucional.

Vejamos...
Quanto à paz na Palestina (já falei disso acima no ponto 2) o dirigente máximo bem poderia dissolver a instituição ou encerra-la temporariamente para balanço, e acabava-se com suporte emocional de um dos três lados do conflito.
Quanto à situação em África, olhando para o historial da instituição, a igreja devia vender os paramentos e ouro dos altares para tentar remediar o mal em cuja criação participou:
legitimou moralmente o saque dos recursos naturais e exploração, sob a forma de trabalho escravo, dos africanos (ver ponto 3 acima);
intrometeu-se na vida, em equilíbrio com a natureza, de comunidades simples, criando aos seus membros falsas necessidades, e roubando-lhes assim o seu modo de vida;
tornou as populações dependentes da ajuda externa, mandando-lhe a seguir os seus missionários, para 'fazerem o bem' (uma forma encapotada de exercício do poder religioso).

Portanto, os apelos à paz do indivíduo a quem chamam de Papa, são apenas mais um episódio triste na história da instituição Igreja.


Daniel Oliveira

freefun0616 disse...

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