2 de julho de 2008

Filosofia: o ensaio final...





[Rota da Seda - Rui Matos in: olhares.com]

Uma luta, uma amizade sofrida que se foi desenvolvendo, do caos para o cosmos, de alguma forma ainda caótico. Não resolvi nem parte, mas também não quero resolver, apenas apreender o que cada canto da vida pode revelar…

3! Três anos de conversão, de rasgos, de transfiguração, de renovação de olhar, de apurar a escuta, de descoberta, de (des) encontros, de partidas e de chegadas a conclusões que apontam para o mistério do tudo e do Todo...

…levando-me a modificar muito do meu pensar…

… e do meu rezar.

Perdi alguma da ingenuidade que fecha, purificando aquela que abre, sentindo-me mais humilde e também mais prudente. Depois de navegar, num primeiro ano, meio sem rumo em busca dos alicerces nos novos conceitos que apareciam, encontro o filão que me caracteriza, nesta entrega que desejo ser mais e em crescendo.

O Amor acontece em mim. Através da sabedoria do Homem – que desde há tempos designo por ser humano no respeito pela inclusividade – chego ao Amor da Sabedoria do Alto.

Nestes anos mergulhado na racionalidade, quase fria, do conhecimento, não me afundei na argumentação que tudo põe em causa e que, supostamente, tudo explica. Basta-me pensar: por mais razão que a fé possa ter, será sempre um mistério… Talvez pelo silêncio do limite que quer ser esquecido, mas que convivido tem mais força que muita capacidade.

De facto, apercebi-me do que sou capaz, por estar envolvido no corpo que conversa através da carne que grita, chama, sente, experimenta, que se dá desde o princípio ao fim dos tempos. Mas também me apercebi da minha fraqueza, que me ajuda a ir mais fundo na minha relação com o outro que surge e me leva a escutá-lo…

… sem rotular nem catalogar, numa imediatez como se tudo tivesse dito e não interessasse escutar, até mesmo ver, um outro lado diferente, por ouvidos e olhos que trazem consigo outra narrativa, outra história.

Sinto-me envolvido pela amizade a esta Sabedoria, particular e universal. Sei pouco, talvez cada vez menos, mas saboreio muito e mais. O meu pensamento já não se fixa, quer-se espalhar por todos os cantos em busca do segredo sagrado… O medo dissipa-se, perde-se, diante da denuncia da injustiça e da perversidade, porque fui ganhando uma nova escuta em direcção ao mundo que não está fechado num recanto que se diz detentor da verdade…

… Ah! A verdade… O que é a verdade?, na famosa pergunta que me abre também para a caminhada. Sim, como muitas vezes afirmei, sou em caminho… Neste momento, para mim, a verdade acontece neste percurso que leva à fusão, em que as linguagens que falam do humano, na sua variedade fundidas, apontam, rumo no limite de cada uma, para o infinito…

… do qual somos participantes, porque o Verbo ao se fazer Carne assume a humanidade por Amor. E nesse Amor o ser vivente, no espaço e no tempo, incorpora-se…

Então, mesmo na confusão dos dias que correm por esse mundo fora vivo sem desespero, escutando a melodia, mais que renovada, ressuscitada da morte geradora de vida, que me permite pensar, coreografar e dançar, encarnando também em mim, todos os grãos – prontos a rebentar no seu fruto – por Ti

Consagrados… Também aqui, neste ensaio final [apenas por uns tempos]