29 de janeiro de 2009

Crise Económica – O Homem de Davos


“Em cada ano cerca de um milhar de empresários, banqueiros, funcionários governamentais, intelectuais e jornalistas de vários países encontram-se no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suiça. Quase todas estas pessoas possuem graus universitários em ciências físicas, ciências sociais, gestão de empresas ou direito, lidam com palavras e/ou com números, são razoavelmente fluentes em inglês, são empregados de governos, multinacionais e instituições académicas com um extenso envolvimento internacional (…) Geralmente, têm em comum crenças no individualismo, na economia de mercado e na democracia política (…) As pessoas de Davos controlam, praticamente, todas as instituições internacionais, muitos dos governos e a maior parte das capacidades económicas (…)”[1]

Este é a discrição de Samuel Huntington do Homem de Davos, a elite cultural mundial.

Esta é a metáfora utilizada na contenda entre Michael Gove e Timothy Ash. Nestes dias tenho acompanhado estes dois comentadores e trago-vos resumidamente os seus argumentos.


"Contudo esta elite, talvez devesse pedir desculpas por esta crise económica que vivemos."[2] Diz-nos Michael Gove. Então de quem é a culpa desta crise? Do Homem de Davos? Para Michael Gove sim. Segundo ele o Homem de Davos está a lutar para sobreviver, para Timothy Ash abandonar o Homem de Davos não é solução[3].

A questão está em defender o nacionalismo económico para bem da economia mundial ou procurar manter o mesmo caminho, sendo necessário uma eficaz cooperação internacional. Então chegamos a um cruzamento, ora optamos pela estrada que nos leva ao nacionalismo económico e ao proteccionismo, ou então pela estrada que nos leva à cooperação internacional, sendo necessário incluir nesta estrada a regulamentação e a transparência. Para Ash é necessário seguir no mesmo caminho, sublinhando ele que uma regulamentação mais eficaz assim como uma maior transparência irão resultar em uma segurança e confiança maiores. Para Gove é necessário abandonar este caminho e iniciar um novo.

Timothy Ash, alerta-nos que se não gostámos de ver o Homem de Davos é só esperarmos até vermos o Homem Nacionalista a trabalhar.


[1] HUNTINGTON, Samuel – O Choque das Civilizações . Lisboa: Gradiva, 2001 , pp. 65.

[2] Cf. http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/columnists/michael_gove/article5586578.ece

[3] Cf. http://www.theglobeandmail.com/servlet/story/RTGAM.20090128.wcoash29/BNStory/specialComment/home

4 comentários:

Anónimo disse...

A Globalização, tal como foi concebida, vai determinar o fim da Europa social que conhecemos, mas ajudará ao nascimento de uma nova Superpotência: a China.
O Ocidente caiu na armadilha da Globalização que interessava às grandes Companhias que pretendem aproveitar-se dos baixos custos de produção do extremo oriente, dado os baixos salários e a inexistência de obrigações sociais que trariam maiores lucros a essas companhias multinacionais. Mas como esses países têm um baixo poder de compra e a produção no oriente destina-se sobretudo à exportação para o ocidente e se o ocidente não tiver poder de compra, as Companhias não vendem e acabam por ser vítimas também da situação criada.
Ao aderiram ao desafio da "globalização selvagem", os países da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como). Não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: criar regras laborais, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados do ocidente, não! o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem essas condições, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” da qual o ocidente não poderá ganhar e a única solução será a de nivelar as condições sociais ocidentais pelas dos países do oriente e é a isso que estamos a assistir neste momento. Acresce que esses países nem sequer estão comprometidos com a defesa do ambiente e as suas tecnologias são mais baratas mas altamente poluentes. Assim, o ocidente e a UE ditou a sua própria “sentença de morte”. Será que os trabalhadores dos países da UE, depois do nível social atingido, vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! , enquanto algumas empresas fecham portas para sempre e outras se deslocarem para a China ou para a Índia, o ocidente irá caminhar num lento definhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violento irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põe à beira do fim dos tempos como o descrito nos escritos bíblicos. A época áurea Europa será coisa do passado, encher-se-á de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque e a Europa deverá voltar a uma nova “Idade Média”.

Zé da Burra o Alentejano

manel do boi o senegalês disse...

pois...

Marisa Almeida disse...

Gostei da descrição de Samuel Huntington sobre o Homem de Davos. De facto são a grande elite de poder (económico, político e intelectual)- é o que temos e o que merecemos! (não?)

Talvez o caminho do Homem de Davos tenha mesmo chegado ao fim e, agora, seja tempo de iniciar um novo, como sugere Gove.
O capitalismo está esgotado. O liberalismo económico já não tem soluções que respondam às novas necessidades. Por isso, a alternativa passa por explorar outras opções!

freefun0616 disse...

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