12 de fevereiro de 2009

Darwin, 200 anos – quem tem medo de Darwin?

Richard Dawkins confessou num do seus múltiplos debates sobre o evolucionismo que foi a descoberta da teoria da evolução das espécies que o fez perder definitivamente a fé. O Jesuíta francês Teilhard de Chardin sentiu a sua fé fortalecida ao descobrir que toda a realidade do universo está em evolução. Ainda hoje esta dupla experiência se repete. Muitas pessoas, talvez na sua maioria estudantes universitários, ao descobrirem o processo evolutivo que conduziu ao aparecimento da Humanidade concluem que não necessitamos de Deus para fundamentar esta teoria, e que, por conseguinte, Deus não existe. Ao mesmo tempo, porém, eminentes biólogos como o Jesuíta português P. Luis Archer, compreendem que não é à Bíblia que devemos ir procurar a explicação científica da origem da vida mas sim à ciência. E não sentem dificuldade em harmonizar a sua fé com a sua prática científica. O mito da incompatibilidade entre ciência e religião persiste ainda hoje, tendo contra si todas as evidências.

Os criacionistas cometem o erro fundamental de interpretarem literalmente os três primeiros capítulos do Livro do Génesis, ignorando todo progresso que desde o século XIX tem sido feito no campo da hermenêutica bíblica. Pretendendo defender o cristianismo estão a contribuir para o seu descrédito porque o apresentam em conflito com a ciência.

A posição que actualmente gera mais controvérsia é a do ‘desígnio inteligente’. Os seus defensores sustentam que há no universo em geral, e em certas estruturas biológicas em particular, alguma complexidade que só é explicável pela existência de um ser criador. O ‘desígnio inteligente’ é apresentado como tendo carácter científico, e os seus defensores exigem, por conseguinte, que ela seja ensinada nas escolas em simultâneo com a teoria da evolução, o que tem sido recusado, com razão, em particular nos Estados Unidos. O desígnio inteligente de Deus no universo e na vida só é defensável a partir da fé, e não é demonstrável nem filosófica nem cientificamente.

A teologia cristã, sobretudo a partir de Teilhard de Chardin, tem produzido obras sobre a teologia da natureza e da criação, procurando elaborar um discurso sobre Deus no interior de um paradigma evolutivo. Comum a estes autores é a afirmação de que a evolução é o método pelo qual Deus criou o universo e a vida e, por conseguinte, a criação é vista não como uma acção instantânea de Deus, mas como um processo que continua.
Neste sentido, nem o universo nem a vida são puro fruto do acaso, mas esta perspectiva é religiosa e não científica. Por conseguinte, é possível aceitar a teoria da evolução e, simultaneamente, a existência de um Deus criador, tese defendida por autores como Michael Ruse, um agnóstico (cf. Can a Darwinian be a Christian?, 2001).

A teoria da evolução levanta ao cristianismo alguns desafios. Ao pôr em causa a interpretação literal do Livro do Génesis, conduz a uma nova compreensão do significado da descendência de toda a humanidade a partir de Adão e Eva, do paraíso terrestre, da criação dos primeiros seres humanos em estado de graça e de imortalidade, do pecado original, da causa do sofrimento e da morte, da aparição dos primeiros seres humanos no processo evolutivo, etc.

Contudo, o evolucionismo, como qualquer outra teoria científica, não constitui uma ameaça para as crenças religiosas devidamente fundamentadas, antes pelo contrário. Ao questionar fundadamente aspectos tradicionais das religiões, tanto a ciência em geral, como o evolucionismo em particular, contribuem para o esclarecimento do que é fundamental nelas e do que nelas é acessório ou errado.

Alfredo Dinis,sj

(texto que publiquei em parte no Semanário Agência Ecclesia, 03.02.09, p. 10)

5 comentários:

Pedro Morgado disse...

Excelente texto. Como sempre tenho dito: ciência e religião estão em planos distintos. Não têm que se contradizer porque simplesmente não falam a mesma linguagem.

alfredo dinis disse...

Caro Pedro,

Obrigado pelas suas palavras. Aquilo que parece evidente ainda provoca controvérsia. Infelizmente.

Saudações,

Alfredo Dinis

freefun0616 disse...

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Anónimo disse...

naõ blasfeme diante do criador a mote e so o comesso.

Anónimo disse...

ja que vocês se dizem donos da verdade porque naõ tentam descobrir como viver para sempre. Naõ se iludaõ lúcifer quer isso.