11 de fevereiro de 2009

Debates ou votos?

A reacção de alguns políticos à recente posição da Igreja Católica acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo é bem reveladora daquilo que preocupa realmente esses políticos: votos. O porta-voz da Conferência Episcopal situou-se claramente fora das querelas partidárias e das contagens de votos para se situar naquilo que é essencial, os valores. A Igreja Católica, como qualquer outra instituição representativa do pensar de muitos cidadãos, tem todo o direito de se pronunciar sobre os assuntos que bem entender, e tem o direito de se pronunciar de forma crítica, contribuindo assim para um verdadeiro debate na sociedade portuguesa. A mesma Igreja é frequentemente acusada de querer impor as suas posições a toda a sociedade de forma autoritária. Os políticos gostam de se identificar com a democracia, mas a sua reacção de irritação, quando não de intolerância, sempre que as suas posições são contrariadas revelam que não são assim tão democratas como pensam ou como querem aparecer.

A reacção de alguns políticos à recente posição da Conferência Episcopal sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mostra que eles prefeririam que o debate fosse conduzido apenas entre os que estão na sua linha de pensamento. De outro modo, não se compreende porque reagem tão impacientemente sempre que alguém aponta outros caminhos. Os políticos partidários tendem a ver o mundo pelos óculos dos votos e do poder, e por isso interpretaram a posição da Conferencia Episcopal como sendo um apelo ao voto contra o partido no Governo, quando não houve nem haverá qualquer apelo da Igreja Católica ao voto num partido mais que noutro. Por isso mesmo, deixo a pergunta dirigida aos políticos, sobretudo aos políticos profissionais: querem debates ou querem votos?

Alfredo Dinis

7 comentários:

Anónimo disse...

Infelizmente os nossos politicos estão de facto mais interessados nos votos que nos debates. Para alguns parece que só existem "direitos", seja a que preço for.Onde é que estes "direitos" todos nos levarão?!

Francisco Miranda disse...

O problema é que eles estão interessados em votos e nós, maioritariamente, em que não nos chateiem. A nossa situação actual não requer somente politicas novas, mas corações renovados nas pessoas. Isto revela a necessidade que temos da Igreja na sociedade contribuindo nesta conversão que não passa tanto por acrescentar teorias económicas que já mataram tantas árvores, mas por discutirem com seriedade os problemas, na óptica cristã de união a Deus e compromisso com os homens. É aí que se deviam ver os seguidores de Jesus e que pouco se vêm. Porque é que metem tão pouco as mãos na massa alguns padres e bispos, não foi Deus que criou o mundo, porque ter medo? Dr Alfredo, bem sei que padres como o senhor se metem nestas questões, mas também deve saber, e bem melhor que eu, que são poucos e alguns maus porque não sabem o que estão a dizer. E acrescento ainda outra ideia, sempre que os padres aparecem é para serem do contra. Os senhores bispos, mesmo que eu lhes dê razão como dou neste caso, aparecem sempre como uma espécie de lápis azul espiritual que só fala para que não digam que está morto. Que devemos fazer enquanto cristãos numa igreja portuguesa em que o poder está do lado dos padres e eles não se mexem?

PS- peço perdão se pelo exagero nalgumas expressões feri alguém mas falo com dados e experiências pouco felizes

alfredo dinis disse...

Caro Francisco,

Sintonizo muito com as suas palavras. A Igreja, os Bispos, os Padres, enfim, todos os leigos, não deverão continuar à espera que surjam notícias preocupantes para surgirem com protestos e com atitudes defensivas. A Igreja não pode estar no 'contra', deve caminhar permanentemente ao lado dos homens e mulheres do nosso mundo dando o seu contributo para que a verdade, a justiça e o amor sejam as leis supremas das sociedades.

O poder não está hoje apenas do lado dos Bispos e dos Padres. Parece-me que está cada vez menos do seu lado. Os cristãos podem e devem incarnar o Evangelho nas pequenas como nas grandes lutas por um mundo mais humano. O poder está cada vez mais do seu lado. Falo de um poder que não pretende dominar mas servir. E esse está onde está quem der a vida pela verdade.

Alfredo Dinis,sj

Pedro Morgado disse...

Penso que as reacções de que fala se deveram a uma notícia do Público (Igreja pode apelar ao voto contra partidos que apoiam casamento entre homossexuais) e não às declarações em si mesmas.

Seja como for, a Igreja tem direitos especiais e também deve ter especiais deveres perante a sociedade, entre os quais manter-se à margem da política partidária.

O que sucedeu em Espanha, com comícios religiosos e apelos directos ao voto no PP, é demasiadamente infeliz para ser repetido em Portugal.

alfredo dinis disse...

Caro Pedro,
Estou de acordo. Espero bem que nada do que aconteceu em Espanha se repita em Portugal. Só iria piorar a situação quanto à relação entre os cristãos e a sociedade a que pretencem. Sempre defendi que os cristãos, tal como outras religiões e grupos não religiosos, não só podem mas devem dar o seu contributo específico para o debate acerca das grandes questões que hoje e no futuro surgem como questões essenciais.

Saudações,

Alfredo Dinis

Nuno disse...

Deixo aqui uma reflexão do jornalista Mário Crespo.

O horror do vazio
2009-02-16

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte.

No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche.

A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado.

Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal.

Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência.

Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.

Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos.

O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido.

Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade.

São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

freefun0616 disse...

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