2 de fevereiro de 2009

O problema fundamental do ateísmo. A propósito do primeiro aniversário do Portal Ateu.

O ateísmo militante, como é o do Portal Ateu, tem um problema fundamental. Se a sua crítica da religião for irrelevante, como é a constante crítica baseada em factos anedóticos, o seu efeito na religião é positivo, uma vez que critica o que de facto é criticável, também do ponto de vista religioso. Nesta perspectiva, o ateísmo militante colabora com a religião! Falo aqui em concreto do cristianismo. Mas também quando criticam os bombistas suicidas muçulmanos ou o apedrejamento de mulheres em territórios islâmicos, considero que estão a contribuir positivamente para um islamismo mais autêntico, porque mais humano. Há muçulmanos que também fazem a mesma crítica.

Se, pelo contrário, a crítica da religião feita pelo ateísmo militante for objectiva e inteligente, e se dirigir a aspectos realmente fundamentais, uma tal crítica só pode ser benéfica para a religião, uma vez que desafia os crentes a reavaliar criticamente esses aspectos. Também nesta perspectiva, o ateísmo é benéfico para a religião. Porque a fé não exclui a crítica, ao contrário do que se pensa normalmente.

Tenho por vezes a sensação de que o ateísmo militante, incluindo o dos grandes ateus tão venerados no Portal Ateu, como Dawkins, Harris, etc., baseia a sua crítica em factos anedóticos e numa imagem de Deus e da fé que são realmente inacreditáveis. Raramente me reconheço nessa crítica.

Apesar de tudo, é sempre agradável participar num bom debate. A sugestão que deixo aqui neste aniversário do Portal Ateu: vamos manter o nível dos debates com boa argumentação e sem agressividade?

Foi com muito gosto que já tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente quer com o famoso Bernardo, quer com as duas colunas do Portal Ateu, o Helder e o Ricardo. São pessoas simpáticas. O primeiro é crente assumido, e os dois últimos até parecem crentes! Outros dizem que eu, que sou crente, também pareço ateu! Se Deus existe há-de sorrir…

14 comentários:

Nuno Branco, sj disse...

Caro Pe.Alfredo,
concordo inteiramente consigo com a leitura que faz do ateísmo. De facto, não se trata de tomá-lo como ameaça ou como confronto competitivo, mas agradecer às criticas recebidas (referiro-me às criticas bem argumentadas e bem direcionadas) o trabalho de afinação que compete ao cristianismo no modo como apresenta os seus conteúdos fundamentais.
É lamentavel como da parte do cristianismo e do ateísmo, se esquecem da argumentação e do diálogo conjunto para entrarem em ataques pessoais. Tenho sentido isso dos dois lados, em blogues e sites que frequento: portal ateu, ludwing, etc.
Obrigado tb pelo seu humor no debate. É sempre delicioso uma argumentação feita com humor.
Abraço de Madrid!

alfredo dinis disse...

Caro Nuno,
Obrigado pelo teu comentário.
Também concordo contigo sobre a conveniência em substituir pelo humor a agressividade que caracteriza muito do debate em torno da religião. O humor (não a ironia ofensiva ou o sarcasmo) não faz mal e só faz bem!

Um abraço,

P. Alfredo

Zeca Portuga disse...

Caríssimo Pe.:

Como eu não sou padre, sou católico mas não sou santo, tenho uma visão dos ateístas muito diferente da sua.

Repare que eu disse “ateístas” e não, “ateus”.

Desculpar-me-á, mas o que eu vejo por ali, é gente extremamente mal-intencionada, muito mal-formada, sem valores nem regras e muito mal-educada. Ora, como já fui maltratado por eles, não me sinto na obrigação de ser educado, nem gentil, com gente de tal quilate.

Os ateus, até podem ser gente séria. Estes ateístas não sérios, nem honestos, nem sequer dignos do meu respeito.
Porquê?

Porque não os vejo escrever um post ou um comentário que não seja para provocar, para insular, para denegrir, para enxovalhar os crentes.
Eu sei que as palavras deles, vindas de quem vêm, não têm qualquer aceitação ou valor. Mas, se querem ser respeitados têm que respeitar.
Não gosto de gangs, e abomino as máfias. Por isso não gosto das tascas ateístas.
Durante muito tempo, passeando por esses antros de podridão que são os blogs ateus, fui calmo e sereno. Comecei a ser maltratado, acabou-se a diplomacia!

A nossa sociedade tem uma cultura sólida e cimentada em valores plenamente aceites.

Quem não está bem… Muda-se!

Se os membros do gang da tasca ateísta não gostam do que cá têm, procuram outro lugar!

Há lugar para todo o tipo de pessoas. A nossa sociedade, definitivamente, não é para eles, já que exige gente mais responsável e socializada!

Apague o meu comentário depois de ler (se quiser ler!).

Zé Maria Brito,sj disse...

Caro Zeca Portuga
Compreendo que lhe custe ser mal tratado.
Mas terá de aceitar que o ser ateu ou não, não faz de ninguém nem melhor nem pior pessoa.
A única vez que me senti mal tratado num Blog foi por um católico bastante "ferrrenho".


Por outro lado, penso que a sociedade não é mais "nossa" do que quem quer que seja... Há certamente valores que todos partilhámos. A Cultura não nos pertence. A terra em que vivemos não tem selo de exclusividade.

Por outro lado, Propsta de Fé que nós fazemos tem que saber conviver com outras visões do mundo, sem que sintamos nisso uma ameaça.

A pior coisa que nos pode acontecer como Igreja é "entrar em guerra com o mundo". Aquilo a que já pude assitir a esse respeito aqui em Espanha, não me deixou nada sossegado... Independentemente das razoes que tenha para se sentir justamente ofendido, não sinta o ateísmo como uma ofensa.

Pe. Alfredo:
obrigado por este post e por todo o dialogo que vai animando. Revejo-me naquilo que disse o Nuno.
abraço. e continuação de bons projectos pela FacFil.


Pe. Alfredo:

Zé Maria Brito,sj disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alfredo dinis disse...

Caro Zeca Portuga,

Creio que compreendo o que diz: não é agradável 'assistir' a muitos dos debates sobre religião que correm por essa blogosfera fora. Também eu fico incomodado com o nível baixíssimo desses debates. Em geral, não entro neles, simplesmente porque me parece que não conduzem a nada. Mas há pessoas que estão disponíveis para um diálogo a sério. Com esses é possível falar.

Também é verdade que a agressividade é muitas vezes a manifestação de insegurança. Por isso, procuro não identificar demasiado as pessoas com o que dizem e, sobretudo, não contribuir nunca para baixar o nível do diálogo.

Por outro lado, quando por vezes conhecemos pessoalmente algumas destas pessoas que começámos por conhecer apenas vurtualmente, e de quem talvez tenhamos formado uma má ou péssima imagem, constatamos que até podem ser pessoas simpáticas.

O ser humano é complexo. Temos que ter paciência uns com os outros.

Também me parece que uma parte dos não crentes está muito mal informada sobre o que é o cristianismo. O Deus a que se referem é em geral inacreditável, e a fé uma caricatura. Procuro apresentar o cristianismo com toda a objectividade possível. Depois, deixo à liberdade de cada um o modo como vão reagir.

Pergunto-me por vezes o que faria Jesus nestas ocasiões de debates mais inflamados ou até mesmo envenenados. Jesus olhava para as pessoas e procurava vê-las em profundidade, descobrindo que todas têm em si alguma coisa de amável.

Procuro fazer isso.

Um abraço,

P. Alfredo

alfredo dinis disse...

Caro Zé Maria,

É sempre bom saber de ti. Obrigado pelas tuas palavras amáveis.

Vamos habitar nas fronteiras? Vamos!

Um abraço,

P. Alfredo

João Delicado sj disse...

É sempre bom rever amigos e reler o que escrevem.

Obrigado Pe. Alfredo pelas energias que dedica a expressar-se de forma sucinta e pertinente na blogosfera, nomeadamente quanto a estas questões de fronteira. À falta das conversas à mesa (na mesa "institucional"!) posso vir aqui ouvi-lo.

Tb tenho tido um diálogo interessante com um agnóstico no meu blogue. E aprende-se imenso!

Abraço!
João.

alfredo dinis disse...

Caro João,

Obrigado pelas tuas palavras. É consolador ver que nos lemos e comentamos uns aos outros o que escrevemos. Somos mais corpo para a missão.

Um abraço,

P. Alfredo

L.PeDRoo® disse...

Uma excelente mensagem. Subscrevo totalmente.

É irónico. O ateísmo acaba por ser, também ele, uma crença. Muitas vezes assumindo, na mente de muitos, uma importância alinhada com a de uma verdadeira religião.

Cada um tem a sua filosofia.
E não serão as religiões, todas elas, diferentes filosofias? Só que dotadas de nomes próprios.

Cada um com a sua filosofia, desde que se seja feliz e bom nesta, de modo a atingir a virtude e, acima de tudo, a felicidade.

Cumprimentos

alfredo dinis disse...

Caro Pedro,

Os não crentes mais radicais falam como se de facto tivessem a demonstração de que Deus não existe e que, por conseguinte, o ateísmo está mais que provado. Dizem muitas vezes: "Tudo indica que Deus não existe". Quando peço que me digam o que é este "tudo", raramente recebo resposta, e quando me dizem alguma coisa, é muito pouco para ser "tudo". Neste aspecto concordo com o que dizes: uma vez que o ateísmo não tem prova nem demonstração possível, acaba por ser uma crença.

Um abraço,

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Todos temos muito a aprender uns com os outros...
O verdadeiro "problema dosnão crentes" somos nós os que acreditamos mas, a nossa vida diz o contrário.
1 Abraço

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Há muito de verdade no que dizes.

Saudações,

Alfredo Dinis,sj

freefun0616 disse...

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