27 de março de 2009

O homem oligárquico em Platão


Começo a descrição do homem oligárquico em Platão com uma frase de Philonenko: “Uma coisa são as fraquezas do homem timocrático, outra a falsidade que vai emergir no seio da existência oligárquica.”1
Platão começa por imaginar uma situação. Um homem timocrático, um grande general é mal sucedido na guerra e quando regressa a casa é exilado ou privado dos seus direitos e bens2 . Com isto o seu filho ficará assustado e alarmado. Uma vez que o seu pai foi reduzido à pobreza e à desgraça, ele sentirá a obrigação de compensar os títulos perdidos. Para obter esse resultado vai trabalhar empenhadamante, por isso Platão vai concluir que ele já não admirará as qualidades da honra e da coragem que o pai admirava, e que antes irá incidir as suas forças na angariação de uma grande riqueza. Como resultado desta, projectará no dinheiro a valorização da sua vida. Geralmente levará uma vida aplicada e ascética, mas essa vida será o meio pelo qual procurará defender a sua riqueza, que como diz Platão: “(…)ganha boa fama por parecer justo, devido a uma espécie de virtuoso autodomínio, reprime outros desejos maus que tem, não por os convencer que não é o melhor segui-los, nem por os suavizar com argumentos, mas devido à necessidade e ao medo, porque treme pelo resto da sua fortuna?” 3
Logo não irá ceder a todos os seus desejos e impulsos, pois se o fizesse gastaria a sua riqueza e não conseguiria expandi-la, indo por isso comportar-se controladamente. Então o homem oligárquico terá sobre si um certo grau de controlo, contudo este controlo será apenas resultado do seu desejo pela riqueza e pela posse e não a convicção moral que o impede de ceder aos maus desejos. Como diz Pappas: “É que, ao contrário da razão, que inspecciona todas as motivações para depois seleccionar qual delas há-de autorizar, a avareza governa simplesmente, insistindo nos seus próprios fins. A avareza não sabe como autodominar-se(…)”4. Daqui se percebe bem a falsidade que emerge neste homem oligárquico. O que o controla não é a razão nem a sua parte irascível, mas apenas o desejo que possui de riqueza com o qual se confronta todos os dias. Existe algo na nossa vida que nos controla para além da razão, conhecer os nossos afectos desordenados, conhecer as verdadeiras motivações é chave essencial para uma vida equilibrada, é uma das interpretações que tiro do homem Oligárquico em Platão.

______________________________

1. PHILONENKO, Alexis – Lições Platónicas. Lisboa : Instituto Piaget, 1999. p. 297
2.
Cfr. PLATÃO - A República. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1975, p. 379 - 380 (553 b).
3.
Ib. , p. 381 - 382 (554 c - d).
4.
PAPPAS, Nickolas - A República de Platão. Lisboa : Edições 70, 1995, p. 194.

16 comentários:

Alexandre disse...

Muito obrigado Ricardo, por partilhar esta reflexão.

Tomo-a como explicitação do:

"conhece-te a ti mesmo" a máxima Socrática.

Estarei errado?

Quais os meus sinceros afectos?
Quais as minhas verdadeiras motivações?

Que mais perguntas pode um simples humano usar para tentar tão árdua tarefa?

O saudoso Professor Agostinho da Silva disse não ser do ortodoxo nem do heterodoxo mas do paradoxo por ser esta última a forma que contém a vida no total...

Permita-me a frase: Ser 0 e 1 em simultâneo, bem como todo o Universo entre eles.

Alexandre disse...

Outra interpretação poderá ser a reflexão sobre a política: Timocracia, Oligarquia, Democracia e Tirania...

Talvez uma referência do estado ideal de Platão?

Cordiais saudações,
Alexandre

Ricardo disse...

Caro Alexandre

A grande dificuldade é falar de um tema tão rico como o da politica em Platão(neste caso o livro VIII da República) num simples post.
Eu apenas remeti uma interpretação deste homem oligárquico, que surge como muito bem referiu, nas formas de governo descritas por Platão. Subsequentemente este tema está inserido na descrição dos homens de cada tipo de regime. Muitas são as interpretações que se podem fazer, desde autores como Jaeger, Papas, Philonenko, Copleston, Freire, etc... entre muitos outros.
Pessoalmente não conheço o Professor Agostinho da Silva, mas fico agradecido pelo contributo que deixou.

Fica aqui também o desafio que lançou, o de num futuro post abordar uma interpretação da politica em Platão ou mesmo do Estado Ideal.

Muito Obrigado
Cordiais saudações,
Ricardo

Partido de Todos os Portugueses disse...

O PTP tem tentado desenvolver a ideia de um estado ideal, sério e credível, para hoje.

http://sol.sapo.pt/blogs/ptp/archive/2009/02/09/Cidadania-Participativa-n_E300_o-chega_2100_.aspx

Fica o desafio para todas as mentes brilhantes participarem numa educação universal da sociedade.

http://sol.sapo.pt/blogs/ptp/archive/2009/01/30/educa_E700E300_o-universal.aspx

Uma participação completa e integral. Claramente o PTP defende uma linha restauracionista dentro de uma fé Cristã.

http://sol.sapo.pt/blogs/ptp/archive/2009/02/19/_2200_F_C900_-EXODAL_2200_.aspx

Que sociedade fantástica seria se todos participarem na construção de uma sociedade melhor, santificada, humanizada, que defende a natureza e a dignidade.

Imaginem o exército das mentes formadas superiormente das Universidades católicas decididas a formar um país melhor, um país hiperdemocrático.

Bem hajam.

Ricardo disse...

Caro Partido de Todos os Portugueses

O seu comentário propagandista, parece-me pura demagogia.

Nem sei o que lhe diga.lol.

A certa altura diz: "Imaginem o exército das mentes formadas superiormente das Universidades católicas decididas a formar um país melhor, um país hiperdemocrático."

Eu estou a imaginar esta situação que você propõe. A minha imaginação está neste momento a remeter-me para um pais hiperdemocrático(não sei bem o que isso é, mas convidava-o a esclarecer a minha imaginação neste ponto), segue-se que estou a imaginar o Exército das pessoas formadas na Universidade Católica, divididas em divisões, brigadas, regimentos e batalhões. Este exército fica claramente afastado do seu 1º Paragrafo: "O PTP tem tentado desenvolver a ideia de um estado ideal, sério e credível, para hoje."

Só para terminar este meu breve comentário. Não lhe parece que as ditas "mentes" formadas numa Universidade Publica poderiam ser bons governantes? Em que espécie de ilusão é que vive, ao julgar que os alunos formados na Católica seriam assim os melhores governantes?
Eu concordo com a fé cristã, contudo também concordo que um governo, não estando direccionado com a "fé cristã", poderia ser um excelente governo.

Cordiais Saudações
Ricardo

Partido de Todos os Portugueses disse...

Caro Ricardo,

Antes de mais queremos agradecer o seu elogio. Realmente somos demagogos. Entendemos por demagogia a construção do entendimento para o povo, tal como pedagogia é entendimento para as crianças.

Sugerimos a leitura de:

http://sol.sapo.pt/blogs/ptp/archive/2009/02/09/Cidadania-Participativa-n_E300_o-chega_2100_.aspx

onde hiperdemocracia está definida.
Democracia directa, com democracia representativa opcional, com voto "online" para todos os eleitores.

Agradecemos a crítca sobre o "exército", tem toda a razão.

Lamentamos que o pensamento esteja tão estratificado em classes sociais.

A proposta é unir a moral, a ética bem como a política em cada um para se formar uma nova sociedade. Esse era o sentido do apelo aos católicos.

Bem hajam,

Anónimo disse...

Não sei quantos seremos, mas que importa?!

Um só que fosse e já valia a pena.

Aqui, no mundo, alguém que se condena

A não ser conivente

Na farsa do presente

Posta em cena!


Não podemos mudar a hora da chegada,

Nem talvez a mais certa,

A da partida.

Mas podemos fazer a descoberta

Do que presta

E não presta

Nesta vida.


E o que não presta é isto, esta mentira

Quotidiana.

Esta comédia desumana

E triste,

Que cobre de soturna maldição

A própria indignação

Que lhe resiste.



Miguel Torga

Força Partido de Todos os Portugueses!

Ricardo disse...

Caro Partido de todos os Portugueses

Então para o seu partido a hiperdemocracia é a democracia directa. Democracia directa como foi pensada por Rousseau ?
Julga que esse sistema seria o mais adequado ao nosso pais ?
Já imaginou o que era os portugueses irem às urnas, para participarem directamente nas decisões e leis do nosso pais ?
Não lhe parece um pouco exagerado ?

A Suiça tem um sistema de Democracia SemiDirecta, julga porventura o povo português semelhante ao povo suiço?
Não acredita que a cada povo(pela sua cultura, tradição e afins...) corresponda um tipo adequado de governo ?

Cordiais saudações,
Ricardo

Partido de Todos os Portugueses disse...

Caro Ricardo,

Antes de mais muito obrigado pela sua referência da Democracia directa de Rousseau. O PTP apareceu sem querer copiar nenhuma ideia, per se, mas algo em todos acreditamos

A revolução Francesa ocorreu em condições semelhantes às que vivemos actualmente e os sentimentos gerados são sememlhantes.

Por outro lado as condições tecnológicas, hoje, são muito diferentes das de Rousseau.

A designação hiperdemocracia apareceu em silogismo com hipertexto. A democracia pode ter muitos caminhos, como um hipertexto pode ser lido de muitas formas diferentes.
Um hipertexto tem ligações dentro do próprio texto para esclarecer quem tiver mais curiosidade mas permite uma leitura continua. Uma versão moderna de notas ao texto, mas o espaço das notas pode assumir dimensões de um novo texto com mais notas, mesmo sendo o texto base considerado como nota da nota...

Podemos apresentar a nossa ideia, responder, desenvolver essa ideia, e não apresentar medidas avulsas sem nexo e sem projecto global.

A população portuguesa está preparada para dar o seu contributo. Cada vez mais pessoas podem ter acesso à internet na Câmara Municipal, na junta de freguesia, em casa.

O distanciamento dos crentes que a Igreja Católica Apostólica Romana sente também se deve a falta de consideração que alguns "iluminados" pensam que podem exercer sobre os seus ouvintes.

Sim o PTP acredita nos Portugueses, em Todos os Portugueses. O PTP sabe que se solicitados todos os Portugueses se levantam à dimensão do desafio.
"Herois do mar, nobre povo, nação valente e imortal, levantai hoje novo o esplendor de Portugal"

Os Portugueses têm espírito crítico querem sentir espaço para exercer esse espírito crítico construtivo querem fornecer alternativas, querem fazer perguntas, querem respostas concretas às perguntas e não respostas como o nosso primeiro ministro normalmente dá, "agora apresentam essa proposta... porque é que não a fizeram quando foram governo?" sem responder, sem apresentar um raciocínio claro.

Claro que o PTP o tem classificado de SOCRETINO por vários motivos, sinceramente gostavamos de o chamar de estadista, infelizmente para nós, não é o caso. É preocupante que um ilustre membro do próprio CENTRÃO João Cravinho tenha sido silenciado sobre a corrupção, e este governo não queira avançar com medidas sérias anti-corrupção. Para o PTP isto diz tudo. Cravinho, Freeport, apartamento em lisboa, Independente, Sovenco...

Bem hajam,

Ricardo disse...

Caro Partido de Todos os Portugueses

Julgo pela sua resposta que não entendeu bem o que é a Democracia Directa.

"Julga que esse sistema seria o mais adequado ao nosso pais ?
Já imaginou o que era os portugueses irem às urnas, para participarem directamente nas decisões e leis do nosso pais ?
Não lhe parece um pouco exagerado ?

A Suiça tem um sistema de Democracia SemiDirecta, julga porventura o povo português semelhante ao povo suiço?
Não acredita que a cada povo(pela sua cultura, tradição e afins...) corresponda um tipo adequado de governo ?"

No seu post não li nenhuma resposta a estas questões que lhe fiz no post anterior. Se pudesse agradecia dentro do possível que me respondesse.

"Os Portugueses têm espírito crítico querem sentir espaço para exercer esse espírito crítico construtivo querem fornecer alternativas, querem fazer perguntas, querem respostas concretas às perguntas e não respostas como o nosso primeiro ministro normalmente dá, "agora apresentam essa proposta... porque é que não a fizeram quando foram governo?" sem responder, sem apresentar um raciocínio claro."

Isto é que não está lá muito claro!

Cordiais Saudações,
Ricardo

Partido de Todos os Portugueses disse...

Caro Ricardo,

"Julgo pela sua resposta que não entendeu bem o que é a Democracia Directa.?"

O PTP sabe bem o que é democracia directa. Pode não ter é mesma definição que a sua.

Democracia directa, cada cidadão vota directamente todas as propostas de regulamentação da sociedade.

Como em princípio seria inviável que todos votassem todas as propostas, o PTP abre a porta da democracia representativa opcional.

Isto é, cada cidadão tem a responsabilidade de decisão do seu voto mas se conscientemente optar por execer outra função importante para a sociedade, pode delegar essa responsabilidade.

Essa procuração é passada na base da boa fé.

Sempre que o dententor da procuração romper o compromisso que tinha assumido, a procuração pode ser revogada imediatamente.
Esta medida foi pensada para evitar SOCRETINOS. "Vamos baixar os impostos" e o IVA passa de 19% para 21%, unilateralmente.

Também alargamos a noção de representativo no sentido de não ficar restricto a apenas uma única pessoa ou um único partido...
Será possível decidir o que delegar, "educação", "saúde", "segurança"..."economia", em pessoas diferentes, em especialistas de reconhecida competência.
O que o cidadão delega e em quem delega é da responsabilidade do cidadão e sempre com a possibilidade de revogar essa procuração sempre que a confiança for quebrada.

Quem representa outro, tem que assumir a responsabilidade todos os dias e não apenas em anos de eleições.

Construir uma cadeia de confiança: Hiperdemocracia.

"Julga que esse sistema seria o mais adequado ao nosso pais ?
Já imaginou o que era os portugueses irem às urnas, para participarem directamente nas decisões e leis do nosso pais ?
Não lhe parece um pouco exagerado ?

A Suiça tem um sistema de Democracia SemiDirecta, julga porventura o povo português semelhante ao povo suiço?
Não acredita que a cada povo(pela sua cultura, tradição e afins...) corresponda um tipo adequado de governo ?"

Com a hiperdemocracia os portugueses não precisam de "ir às urnas", basta sentar em frente ao computador e votar de forma segura, como na entrega o IRS.
Não nos parece nada exagerado e a sociedade irá crescer com as responsabilidades que assume.

Claro que o povo português em alguns aspectos é semelhante ao povo suiço e noutros diferentes... Talvez a hiperdemocracia seja mais complexa de implementar na Suiça do que em Portugal.
Qual é a pergunta em particular?

"Os Portugueses têm espírito crítico querem sentir espaço para exercer esse espírito crítico construtivo querem fornecer alternativas, querem fazer perguntas, querem respostas concretas às perguntas e não respostas como o nosso primeiro ministro normalmente dá, "agora apresentam essa proposta... porque é que não a fizeram quando foram governo?" sem responder, sem apresentar um raciocínio claro."

"Isto é que não está lá muito claro!"
Quer explicitar as razões?

Cordiais Saudações,
PTP

Partido de Todos os Portugueses disse...

Caro Ricardo,

Parece que ainda não leu as propostas do PTP, os "links" apresentados, para ter uma vaga ideia das propostas...

Cordiais Saudações,
PTP

Anónimo disse...

O Partido de tdx os portugueses deve ser dakelas invençoes politicas que so acabam no esgoto tu deves mas e ser dakeles putos com a mania politica pa cresce e aparece.

Partido de Todos os Portugueses disse...

Caro anónimo,

A 3ª fase do partido vai arrancar.

Em breve vai poder lêr a 1ª edição do PTP para o público em geral. Uma edição numerada e individualizada.

Pergunte alguma coisa "ao puto".
Verá a dimensão da resposta.

freefun0616 disse...

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Anónimo disse...

Aqui em princípio, tratava-se do livro de Platão, mas, alguns oportunistas, por não terem o que acrescentar como ponto de vista sobre a obra absolutamente nada, vem realizar esse tipo de propaganda ridícula que deve ser excluída dos comentários pois não diz respeito ao assunto em questão: O homem oligárquico tratado na obra A República de Platão.