25 de abril de 2009

O Céptico Sexto Empírico da Antiguidade Clássica


Sexto Empírico foi médico tendo exercido a sua actividade durante a última metade do século II d.C. as datas a seu respeito são controversas e os detalhes da sua vida muito pouco conhecidos.
A obra de Sexto Empírico é a principal fonte de conhecimento sobre o cepticismo do seu tempo. Sexto era um céptico grego da escola de Pirro. Das suas obras que nos chegaram são: “Adversus Mathematicos” e “Hypotyposes Pyrrhoniennes”.
Na sua obra podem sublinhar-se três pontos importantes. O primeiro é a sua critica da dedução e da indução, o segundo a sua crítica do conceito de causa e o terceiro a sua crítica à teologia estóica. Sexto Empírico criticou a dedução por esta não ter validade pois os silogismos que eram exemplos de circularidade, como podemos ver neste silogismo: “Todo o homem é animal, Sócrates é homem, portanto Sócrates é animal” , não se poderia aceitar a primeira premissa, se não fosse já demonstrada a conclusão do silogismo(que o homem é animal), ou seja não se pode provar por indução completa pois implica conhecer previamente a conclusão com isto ele quer nos indicar que quando queremos demonstrar uma conclusão, sendo essa derivada de um principio universal, em verdade esta já se irá presumir demonstrada. Sexto também criticou a indução por não ter maior validade que a dedução pois se esta tem como base o exame de alguns casos, não é fiável, pois é possível desmentir em qualquer altura os casos não examinados, também porque os casos particulares são quase infinitos e por isso impossíveis de analisar.
Na sua crítica à causa, parte do principio que se a causa produz o efeito logo esta deve preceder o efeito e existir antes dele mas se existe antes de produzir o efeito, é causa antes de ser causa e como é obvio a causa não pode seguir o efeito nem ser contemporânea deste pois o efeito só pode ter origem da coisa precedente.
Por último Sexto criticou a teologia estóica pois para ele existiam contradições implícitas no conceito estóico de Deus. Segundo estes tudo aquilo que existe é corpóreo, logo também Deus, objectou que um corpo ou é composto e está sujeito à corrupção logo mortal ou então é simples e então seria algum dos constituintes como água ou fogo ou ar ou terra. Como tal Deus ou seria mortal ou um elemento. Outro argumento de Sexto é que se Deus para os estóicos tem todas as virtudes, então também terá coragem, porém a coragem é o termo para as coisas temíveis e não temíveis logo haveria algo de temível para Deus o que para Sexto era absurdo.
Sexto servia-se de todos estes argumentos para solidificar a sua suspensão do juízo, para ele na vida o céptico deve seguir os fenómenos para isso deve guiar-se pelas indicações que a natureza proporciona através dos sentidos, pelas necessidades do corpo, pela tradição das leis e pelas regras das artes. Daqui distinguia-se dos cépticos académicos para quem admitiam saber apenas que nada sabiam face aos pirrónicos que negavam esse ponto, face à sua posição de constante procura.