8 de abril de 2009

O Papa e a sida

O Papa não ignora os males da difusão da sida. Apontou um remédio não só moralmente mais correcto, mas mais eficaz


Grande clamor provocaram as palavras de Bento XVI sobre o preservativo e a sida. Já seria de esperar. Uma resposta a um jornalista tem mais destaque do que vários discursos que contêm o que da sua mensagem é mais relevante. Mas desta vez não são apenas os jornais a criticar o Papa, são ministros de Governos europeus, que o acusam de insensibilidade perante o flagelo da difusão dessa doença.
Uma acusação profundamente injusta, porém.
O Papa não ignora os males da difusão da sida. Apontou um remédio (disso não falam os jornais) não só moralmente mais correcto, mas mais eficaz. A educação e alteração de comportamentos, a abstinência e a fidelidade são caminhos que ninguém pode contestar como mais eficazes de combate a essa difusão. A experiência do Uganda, o país africano com mais sucesso neste âmbito, que optou por campanhas que privilegiam a alteração de comportamentos, demonstra-o. O preservativo não garante uma eficácia absoluta (segundo a OMS, a taxa de eficácia é de 76%) e as campanhas que o promovem como se fosse um "salvo-conduto" que torna inofensiva a promiscuidade criam uma segurança ilusória e contraproducente. A taxa de infecção da população passou aí de 15% em 1992 para 5% em 2004. Também me recordo de ter ouvido uma vez uma religiosa moçambicana dizer que, apesar de promoção do uso de preservativos chegar a todos os cantos do seu país (a ponto de não saber o que seria possível fazer mais no sentido dessa promoção), a difusão da doença não deixa de aumentar.
Parece-me muito pouco respeitoso - direi até ofensivo - para os povos em questão dizer que não é realista apelar à abstinência e fidelidade da população e juventude africanas em geral. Como se os africanos tivessem uma menor capacidade de dominar os seus instintos, capacidade que nos define como pessoas. Também neste aspecto a experiência do Uganda revela o contrário.
E se há grupos da população indiferentes a esse apelo do Papa, também esses grupos serão certamente indiferentes ao juízo moral que o Papa possa fazer sobre o uso do preservativo.
A Igreja Católica é a instituição que, à escala mundial, mais se tem dedicado à assistência às vítimas da sida (é responsável por cerca de um quarto das instituições a tal dedicadas). Em África tem-se destacado, entre muitas outras, a acção da Comunidade de Santo Egídio (o movimento a cujos esforços diplomáticos se ficou a dever o fim da guerra civil em Moçambique), que procura tornar tratamentos antiretrovirais acessíveis a todos os doentes.
Sobre a necessidade do acesso gratuito aos medicamentos também falou o Papa, mas isso não mereceu tanta atenção de jornalistas e ministros de países ricos...
Governos tão reticentes a "abrir os cordões à bolsa" quando se trata de apoiar o desenvolvimento de África (mesmo contra compromissos já assumidos) talvez não tenham muita autoridade para criticar a Igreja, que, com menos recursos, talvez faça mais do que qualquer deles pela promoção da saúde neste continente.

____________________________

Pedro Vaz Patto, In: Jornal o Público, 6 de Abril de 2009

O Cronista é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, é Juiz e Vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz.

5 comentários:

Meu amado, minha amada: disse...

Ricardo,
Realmente, eu costumo dizer que o nosso Papa Bento XVI é muito pouco ouvido e compreendido, não só por todas as razões já citadas no artigo em questão (mídia, má vontade dos governos etc.), mas também porque ele é como uma pai que consegue se comunicar melhor com os filhos já "adultos". João Paulo II conseguia se comunicar bem com os filhos "de todas as idades", desde os bebês até os adultos, idosos.

Muitas vezes é difícil entender o posicionamento do nosso papa e da nossa Mãe Igreja, mas para que o mundo comece a escutar e a enxergar melhor as evidências é preciso que estejamos preparados, e dispostos, a "traduzir" essas mensagens às vezes difíceis de serem compreendidas e difundidas.

O que não podemos fazer é esmorecer. Obrigada pela dica deste blog incrível, e obrigada também por ter visitado o Grandes Santos.

Deus o abençoe, e uma Santa Páscoa!

Gisèle

Anónimo disse...

'Dwelling-place?' and the kindling lights of London Bridge were passed, and the tiers of At this moment the greasy door is violently pushed inward, and a boy The smiling Mrs Boffin, feeling it incumbent on her to take part in the
'After all, she got me here,' said the boy, with a struggle. [url=http://winter-allergies.webgarden.com/]winter allergies[/url] which would be a fatal consummation. Aware of her enemy, Lady Tippins
I declare again it's a shame! Those ridiculous points would have been suffering. that on the seventeenth instant, at St James's Church, the Reverend dinner with dear Mr Podsnap, for the discussion of an interesting family
'I am charged with a message for you, Miss Wilfer.' winter allergies appoint--before that should begin to be a consideration between us.'
considering the subject in its various bearings with an eye to the 'You find it Very Large?' said Mr Podsnap, spaciously. I never give him satisfaction? Because my luck was bad; because I which, the chemist advances it under the nose of Mortimer, who looks

Anónimo disse...

alivetruth Take a piece of me

Anónimo disse...

usda Take a piece of me

freefun0616 disse...

酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店經紀,
酒店打工經紀,
制服酒店工作,
專業酒店經紀,
合法酒店經紀,
酒店暑假打工,
酒店寒假打工,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店工作,
酒店打工經紀,
制服酒店經紀,
專業酒店經紀,
合法酒店經紀,
酒店暑假打工,
酒店寒假打工,
酒店經紀人,
菲梵酒店經紀,
酒店經紀,
禮服酒店上班,
酒店小姐兼職,
便服酒店工作,
酒店打工經紀,
制服酒店經紀,
酒店經紀,

,酒店,