19 de abril de 2009

Senhor e Deus, Liberdade e Discrição

O Evangelho deste domingo relata-nos duas aparições de Jesus ao grupo dos apóstolos que, recebendo a paz de Cristo, se transforma de grupo de apóstolos em comunidade de testemunho. O que gerou esta mudança que, aceitemo-la ou não, fez com que tantos homens fossem capazes de testemunhar o que haviam recebido sem recearem a própria morte? Loucura sã ou ridícula? O que gerou esta mudança que fez com que Tomé, aquele que só acreditara depois de ver, tenha dado ao galileu Jesus de Nazaré o nome de “Senhor e Deus”, nome somente conferido ao imperador romano? Quem foi afinal este homem que ainda hoje intriga gerações que, ora se ajoelham diante dele, ora lhe respeitam como profeta de uma ética revolucionária, ora lhe chamam de bom ingénuo que implantaria o ‘ópio do povo’, o ‘platonismo dos pobres’?

MEU SENHOR LIVRE esse galileu, Jesus de Nazaré, foi sobretudo um homem sumamente livre. Livre porque não se deixava determinar por uma Lei impregnada de “fardos pesados” que Deus nunca poria nas costas dos seus filhos. Livre porque, não sendo sacerdote ou intérprete da Lei, dava uma nova cor as promessas de Deus preditas pela boca e pena dos profetas, sendo transparência viva das parábolas que proclamava sobre o Reino que d’Ele emergia. Livre porque transgrediu os imperativos tribais e familiares, exigindo dos discípulos liberdade relativamente à família, afirmando que a Sua família eram os que faziam a vontade do Pai, sem se deixar escravizar por laços dos familiares que o julgavam “fora de si”. Livre porque, numa sociedade que distinguia ‘puros’ de ‘impuros’, acolhia e comia com os cobradores de impostos (ladrões notórios e odiados); deixava-se tocar por prostitutas (o que escandalizou o fariseu Simão, pois se fosse profeta não se deixaria beijar nos pés por aquela mulher, cria ele); aproximava-se do povo, ignorado pelos letrados, pois Ele sabia-lhes a miséria e os sofrimentos. Mais ainda, dizia aos fariseus que «os publicanos e as prostitutas preceder-vos-ão no reino de Deus.12
A senhoria de Jesus é a Sua forma de ser livre, evocando uma presença atenta que “não ocupa o espaço todo. Mas, antes, in-voca, con-vida, dá a palavra, cede a passagem para que cada um, a partir do que já o habita em profundidade, possa reconhecer-se em verdade naquele momento de reconhecimento. 3


MEU DEUS DISCRETO esta discrição de Deus deixa-nos atónitos ante o nosso desejo de nos fazermos valer por mais do que aquilo que somos. Jesus nunca se assumiu como o ‘Messias’ que todos esperavam, porque sabia o quão politizados estavam os ouvidos dos seus conterrâneos ao ouvirem essa palavra 4. Neste sentido Jesus desiludiu-os ao viver com firmeza as opções de fundo que fizera nos dias de deserto. Não quer vir de cima trazer a justiça numa bandeja, para ser louvado por todos só por causa das suas magias.
Assim, já não há a justiça divina. Aqui, diante do Senhor livre e Deus discreto, a justiça não é um conceito quimérico, é uma pessoa: Jesus de Nazaré, o justo! O Reino feito carne viva, para sarar e refazer, com azeite e vinho, as nossas carnes mortas. Curiosamente o Ressuscitado, diz o papa Bento XVI, não deseja ser reconhecido pelo rosto mas pelas marcas da paixão.
Assim, o Ressuscitado, confirma a sua vocação de médico dos doentes e pastor da ovelha perdida. Sim, porque quer emergir da ferida, do ‘ainda não’, do pobre, do marginalizado, do sofredor 5, de Quem Se faz cara-metade e Salvador inteiro. Evidenciando-se para aqueles que vêem a “atenção como forma mais pura de generosidade 6”.


UMA PRESENÇA pela qual, a fé consiste em tomar por Senhor esta presença viva e activa que, presente hoje nas fábricas, no trânsito, nas faculdades, nas favelas, em mim..., Se faz caminho para o nosso Pai. Prometendo permanecer nesse intimo movimento que vai entre o silêncio e a voz, onde o presente se confronta com o passado, desdobrando-se para o futuro, em desejo de alcançar o ponto justo dessa dança, movimento, rota… desse desígnio alegre e desafiante das pequenas decisões do dia-a-dia que, para quem participa da liberdade e atenção de Cristo, se transfiguram de errância em mãos de Deus.
O desafio não está, portanto, em dar mais nomes bonitos e cheios ao ressuscitado. O que é preciso é passar do ‘Senhor e Deus’ para o ‘Meu Senhor e Meu Deus’. E isso só se faz por meio da liberdade de Cristo, numa vida configurada pelo seu estilo de ser livre. Livre para dar espaço… livre para ouvir mais os chatos que os interessantes… livre para ter paciência com os insuportáveis… livre para perceber que há muita gente diz não acreditar em Deus por ‘imagens traumáticas’ que d’Ele tem ou por não ousarem dar nome ao que sentem habitá-los… livre para dar a quem não me pode pagar e aí gastar-me todo… Livre de afectos, afectado pela liberdade, transparência simples do rosto discreto de Deus. Nisto consiste ser justo à maneira de Cristo!



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[1] Mt 21, 31
[2] DUQUOC, Christian – Jesus, homem livre, Camarate: EDIÇÕES PAULISTAS, 1979, p. 27 a 41
[3] FRAZÃO, José – “O memorial do Papa aos Bispos portugueses” in Brotéria. Vol. 166. Lisboa: BROTÉRIA, p. 120
[4] Jesus, homem livre, p. 50
[5] cf. Tempo de Transcendência - Leonardo Boff
[6] cf. carta de Simone Weil a Joë Bousquet


2 comentários:

Anónimo disse...

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