24 de maio de 2009

A promessa

A promessa é o primeiro e decisivo passo rumo à esperança. O horizonte até então traçado é rasgado por uma nova palavra, inaugurando uma nova era e um espaço renovado no desejo e na vontade. O que acontecer a partir de agora será precedido de uma espera, expectativa.
Promessa é uma "afirmativa feita a si próprio ou a outrem de cumprir, fazer, dizer... ou não alguma coisa (...) uma obrigação estabelecida oralmente ou por escrito de cumprir algo; compromisso". Não é permitido duvidar porque já sabemos o que vai suceder. A confiança nasce da palavra dita, do gesto inequívoco que nos molda e seduz. Se a ressurreição havia sido o sinal para aqueles que partilhavam o seu caminho com Cristo, a subida aos Céus vem confirmar esse sinal e transformá-lo em compromisso com todos os homens e mulheres desta Terra.
Jesus subiu aos Céus... e daí? O que mudou? Se eu fosse ateu ou agnóstico perguntaria agora se esse fenómeno foi observado por alguém, se há registos de que aconteceu mesmo, se, mesmo com testemunhas, não poderia ter sido uma farsa ou alucinação colectiva. Certamente que nenhum de nós está interessado em 'provar' alguma coisa. Que poderemos nós fazer das muitas provas que conseguimos reunir? Que poderemos nós fazer se isso não alterar nada na nossa vida?
O desejo mais profundo da humanidade, aquele que esbarra frontalmente no nosso inultrapassável limite, ganha novo alento diante desta promessa. Quem não deseja a felicidade? Quem não pretende a serenidade e a paz? Deus não nos deixa sem os seus sinais que nos abrem o entendimento a uma nova lógica. Quando um gesto simples adquire a magnitude máxima de alcançar. Quando alguém abdica do que lhe é devido porque o mais importante para si é o bem estar de um outro. Quando alguém perdoa outrem, os rostos dos que assistem ficam perplexos porque ainda vivem na lógica do 'para si'.
Não tenhamos dúvidas, coloquemos de lado, o grande dilema da humanidade é este: viver com Deus ou fazer de nós mesmos o 'deus' da nossa vida. Têm alguma dúvida de qual é o cenário mais autêntico?
A promessa de Jesus, de que não nos deixará sozinhos, é confirmada pelo advento de uma nova era na vida daqueles que acreditaram. O Espírito Santo, Aquele que inesperadamente nos anima diante das fraquezas, diante dos sofrimentos e incompreensões; Aquele que nos surpreende com a paz nas situações em que facilmente perderíamos o Norte, é a certeza de que esta promessa não foi esquecida. Hoje mesmo podemos comprová-lo na nossa vida, no vazio de um quotidiano vivido ao sabor do nosso desejo. Deus transforma-nos porque nos coloca diante da verdade da nossa realidade, diante da frqueza da nossa condição. Nenhum de nós pretende viver enganado acerca de si mesmo, todavia continuámos todos os dias a escolher o caminho falseado porque nos fecha numa ilusão.
Hoje é o Domingo da Ascensão. Certamente que os apóstolos e companheiros que seguiam Jesus se sentiram receosos com esta partida. A promessa do Espírito deu nova motivação, mas era preciso que não se continuasse a olhar o Céu. "Que olhais vós no céu?". É agora na Terra que Ele está, pedindo-nos para arregaçar as mangas e trabalhar pelo Reino. É aqui o lugar da mudança, onde Ele se mostra. Ter os pés assentes no chão é ter a certeza firme de que nada nem ninguém nos poderá separar do amor de Deus. Nada! Nem a morte, nem a tempestade, nem o abismo... nada!
Andamos todos à procura da verdade e quando ela se mostra pedimos provas. Que estamos nós a fazer? Jesus diria "insensatos" - como disse aos discipulos de Emáus - eventualmente poderíamos dizer "idiotas, loucos, sem juízo...". De que é que andamos à procura? De lucidez? Da verdade? Então porque não a encontramos já? Somos frágeis, finitos, debéis... pouco podemos fazer sozinhos, mas continuamos a colocar-nos no centro, a dizer não aos que nos rodeiam, a renegar a presença de Alguém que nos indica o caminho da alegria que buscamos. Insensatos, sim, porque continuamos a negar-nos a esta possibilidade.


Ilustração: Ascensão de Rembrandt

3 comentários:

Alexandre disse...

Caro Rui,

Muito Obrigado pela reflexão.
Os meus sinceros votos para o sucesso na sua caminhada.

Cordiais saudações,
Alexandre

Nuno disse...

Alguém que "arregaçou as mangas" na sua área de eleição (o cinema) e deu um testemunho da alegria da partilha. Deus gosta de nós à Sua maneira e tem um coração tão grande que cabemos lá todos...

O João Bénard
22.05.2009, Miguel Esteves Cardoso Ainda ontem



O João Bénard é um menino. É um menino que, a cada momento da vida, acabou de descobrir uma coisa. É sempre uma coisa maravilhosa que tem de abraçar com muita força mas depois largá-la para poder mostrá-la aos amigos e partilhá-la com toda a gente.
Porque se não a partilhar, se não a cantar, se não se destruir a elogiá-la de maneira a ser tão irresistível como ele - até chegar a confundir-se com ele ao ponto de não sabermos qual amamos mais, se ele ou as coisas que ele nos ensinou a amar -, se não puder parti-la aos pedaços para poder dar um bocado a cada um, na esperança que todos a queiram reconstruir depois, ele já não é capaz de amar tanto aquela coisa, porque acredita que a coisa é grande e boa de mais para uma só pessoa e sente-se indigno de gozá-la sozinho. É assim o João Bénard.
O João Bénard é um amigo. É um amigo que, a cada momento da vida, faz sempre como se tivesse acabado de apaixonar-se por nós. Não lhe interessam nada as coisas que mudaram; as asneiras que fizemos; a decadência em que entrámos; a miséria que subjaz às nossas opiniões ou o grau de petrificação das nossas almas. Para ele, somos sempre os mesmos. É um leal. Está sempre connosco como se fôssemos tão frescos como ele. Puxa-nos pela manga da camisa; protege-nos da tempestade; desata a rir no meio das encrencas; arranja tabaco clandestino; deixa-nos subir para os ombros para vermos melhor; para saltar para o outro lado; mostra-nos fotografias nunca vistas, de actrizes lindas, escondidas debaixo da camisola - e faz tudo descaradamente; não se importa de ser apanhado; não tem vergonha nenhuma; é um prazer estar com ele; parece que todo o universo está em causa. É assim o João Bénard.
O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com a alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como conhece Deus.
Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus.

freefun0616 disse...

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