21 de junho de 2009

Jesus acalma a tempestade


Já era tarde. Jesus tinha pregado a uma multidão e estava cansado. Enquanto estavam no barco, Ele quis dormir nas duas, três léguas que os separavam da outra margem. O mar da Galileia “está situado numa depressão, a 208 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Em volta dele, um circulo de montanhas, rasgadas por estreitos desfiladeiros e gargantas pelas quais o vento sopra violentamente de norte para sul.” Isto cria as condições para que surjam facilmente tempestades, muito típicas nos finais de Outono na Galileia. (1)

Desponta uma violenta tempestade. Jesus dorme. Quase podemos imaginar Pedro a acordar o Senhor e reclamar: “Não te importas que pereçamos?” Jesus fala imperiosamente aos ventos e ao mar. Tudo se acalma. “Ainda não tendes fé?”



O SENHOR DO TEMPO, AGE A SEU TEMPO | Por vezes, quando estamos em grandes correrias, todos os que estão ao pé de nós parecem estar quietos. Jesus estaria a dormir de facto ou somente aos olhos dos discípulos? Não questiono aqui a autoridade dos Evangelhos, mas creio que por vezes, por levarmos a vida sozinhos, cremo-nos abandonados nas tempestades mais difíceis porque nos pomos de parte, convencidos de que tudo podemos. A atitude de Jesus deve levar-nos, parece-me, a ganhar distância diante dos contratempos para os sabermos dominar e deixarmo-nos ajudar/amar.



O ALÉM DA DIFICULDADE | Para além de tudo isto só a confiança num Outro nos leva além da dificuldade. Este ‘além da dificuldade’, nesta leitura em concreto, é o temor dos apóstolos diante de Jesus a Quem se confiaram por se verem insuficientes diante da tempestade. Mas em que consiste este temor? Não, temor não é ‘ter medo de’. Temor é o desafio de responder em/por amor a alguém que mo reclama porque me faz redescobrir a minha riqueza diante dos Seus gestos simples que não me deixam morrer(2). Era S. Leão Magno que dizia: “Se crês na grandeza de Jesus compreenderás o teu poder”.

Efectivamente, acalmada a tempestade, continuam a haver ondas e ventos. Contudo, a atenção ao Outro, que parecia indiferente, transfigurou-as. Sim, haverão sempre dificuldades, mas o amor transfigura-as. Quem ama é consolador e quem é amado é consolado. Mas “o amor não é consolação, é luz”(3). Só a luz, de Alguém que se entrega todo para se comprometer e transformar os ventos das crises e as ondas de quem sofre, é capaz de abrir caminho ao Espírito para que em tudo brote uma tranquilidade que não começa senão de dentro para fora.



AQUELE QUE ESTÁ | Assim, não há crise que resista ao amor de quem se compromete com o mundo, sabendo que tem as costas e o coração largos. Mesmo que tudo nos pareça desfavorável e perdido, e nos sintamos falhados diante da realidade que é dura: Ele está! E se num dia de tempestade sentirmos todos estes fracassos a serem-nos atirados à cara pela consciência digamos com o coração: Eu sei que a vida é dura e que só por mim vou a baixo num segundo, mas tenho em mim Alguém que deu a vida por mim, o Seu nome é Jesus Cristo e onde Ele estiver eu estarei também. Não haverá tempestade que nos vire, se assim nos confiarmos. A Vida mostrará o seu rosto como uma bênção e não como maldição. “Ainda não tendes fé?”



[1] DESCALZO, José Luís – Vida e Mistério de Jesus de Nazaré II, Cucujães: EDITORIAL MISSÕES, 1994, pp.165 – 166

[2] “Amar alguém é dizer-lhe: não morrerás” (Gabriel Marcel)

[3] WEIL, Simone - À porta do farol faz escuro, Braga: APOSTOLADO DA ORAÇÃO, 1991

3 comentários:

Amália disse...

Não há dúvida que Jesus acalma a tempestade na nossa vida. Qualquer um de nós em momentos difíceis sentiu que Jesus dormia. Mas foi sempre Ele que nos ajudou a caminhar e a enfrentar o vento, a chuva e a ondulação da nossa vida. Também eu já tive essa experiência algumas vezes. E que seria de mim sem Ele?

freefun0616 disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...

Napoleão.
Este é o Senhor "Jesus", que acalma as tempestades da nossa Alma que tranquiliza-nos, e caminha conosco, e não nos insenta-nos das adversidades da vida.