14 de junho de 2009

Porque queremos tanto ser?


O ser humano, devido à sua vasta capacidade racional e afectiva, está capacitado para enormes realizações, feitos do seu vasto e desenvolvido talento. Muitas vezes é inevitável sentir uma certa vaidade e orgulho pela obra marcada e selada com o nosso nome. É uma tendência muito difícil de controlar. Dizia um dia um grande escritor português, Teixeira de Pascoaes, que o nosso mundo vive repleto de esqueletos, de ossos erguidos ao alto, que se apresentam diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade. Os monumentos que hoje exaltamos, as grandes obras de arte, os túmulos sumptuosos dos grandes senhores de outros tempos, até o pequeno murete que circunda a propriedade, são oportunidade para ser presença neste mundo. Recordava este escritor, que as ruínas da velha e magna civilização romana, erguidas ao alto na Cidade Eterna, são o exemplo mais nítido deste anseio. Naquele tempo pensavam-se grandes e invencíveis, julgavam-se eternos, mas o tempo encarregou-se de os contradizer.
A verdade inevitável e a grande conclusão a retirar é que, efectivamente, todos os homens e mulheres querem ser. Ninguém escapa a esta vontade inexorável de existir e de existir permanentemente, para além dos curtos dias de sol que nos estão destinados. Deixar obra feita é um mecanismo perfeitamente inconsciente de atingir este desiderato. Outro dos efeitos deste desejo é a ilusão da força e estabilidade. Sempre que fazemos algo digno de elogios e atenção estamos cada vez mais convencidos das nossas capacidades e talentos, daquilo que somos capazes de fazer. Sentimo-nos perfeitamente grandes e seguros de nós mesmos. A nossa fragilidade, que é real, fica esquecida por instantes. Chega a fantasia.
Ora, as leituras deste Domingo apontam precisamente para esta ilusão. Deus aparece como Aquele que é perfeitamente. Ele existe e porque existe permanentemente, ausente de fragilidade, resolve toda esta nossa questão de querer ser. De um pequeno ramo Deus é capaz de fazer brotar uma enorme árvore. Diria mais, de um ser frágil e débil Deus é capaz de fazer maravilhas. Esta certeza da presença de Deus na nossa vida é uma extraordinária fonte de serenidade. Sabemos que somos sempre n'Aquele que nos criou e que constantemente nos dá sinais da sua presença. A semente que cai à terra é este apelo profundo que Deus faz a todos os seres humanos, através de Jesus Cristo, para que vivam na verdade da sua condição e não iludidos em relação à sua existência. O reino de Deus é o lugar da paz e da alegria porque lá todos sabem o que são, de onde vêm e para onde vão.
São Paulo diz-nos hoje que "estamos sempre cheios de confiança" não nas nossas forças e realizações, mas na certeza de que habitamos neste mundo, nesta forma, provisoriamente. Esta verdade que se apresenta tão clara para São Paulo tem muito a ver com aquele desejo que todos partilhamos de existir e existir para sempre. Vasta atentarmos um pouco na nossa vida concreta, nas nossas decisões, naquilo que nos move e motiva, para termos a verificação empírica desta situação. O inverso seria desejar a morte, não comer, beber ou falar.
Um grande Jesuíta e filósofo contemporâneo, Júlio Fragata, disse um dia que "eu sou para ser sempre" abordando o absurdo que seria sermos temporariamente. Não é um argumento simplesmente favorável a uma necessidade do Ser Absoluto, mas é um dado imprescindível para a nossa razão tão demasiadamente autónoma que se toma como capaz de responder aos maiores mistérios da humanidade. Porque existimos? Será que Deus existe? Qual é efectivamente a nossa verdade?
O grão de mostarda, tão pequeno e subtil, é precisamente aquele que se torna numa das maiores árvores sobre a face da Terra. Cabe aos cristãos, àqueles que acreditam firmemente que a sua existência está vinculada a este Deus que foi, que é e que há-de vir, o anúncio desta verdade. Se os homens e mulheres deste mundo que partilham a fé neste Deus souberem ser fiéis aquilo em que acreditam, se forem efectivamente construtores deste Reino do qual nos fala Jesus hoje, certamente que os outros homens e mulheres, mais incrédulos e duvidosos, serão interpelados profundamente nos seus fundamentos.
Este desejo profundo de infinito, que nos é comum, não nos larga. Está constantemente connosco e permanece misterioso como sinal de contradição e dúvida. A resposta está em aberto e é legítimo não concordar com a proposta cristã, todavia parece inevitável ficar desconcertado perante as palavras de Jesus, diante deste Deus que oferece uma resposta concreta e que se apresenta como Aquele que nos dá o ser e está por trás de todas as nossas realizações. É inútil negar o desconforto que nos causa... Vale a pena pensar nisto!

18 comentários:

Anónimo disse...

Caro João,

Algumas pessoas quando não conseguem debater os assuntos só lhes resta atacar a pessoa.

Ora ou ataca a falta de coragem de identificação ou ataca "a vaidade e orgulho" pela identificação.

Será que é capaz de debater um assunto, pelo assunto, sem atacar a pessoa?

Que mal existe em querer?

Porque ser... já nínguém nos retira esse facto ...

Acha que consegue debater Deus sem debater a pessoa?

Cumprimentos

joão disse...

Caro anónimo,

Existem 3 de nós responsáveis por comentar as leituras da liturgia de cada Domingo: O Rui, o Missé sj e eu.

Este post foi escrito e publicado pelo Rui. De modo que leio o seu comentário aqui deixado como dirigido a ele e não a mim.

De resto, são duas tendências presentes nas nossas atitudes, a «falta de coragem pela identificação» e a «"vaidade e orgulho" pela identificação». E não apenas essas como, suponho, tantas outras maneiras de reagir ao que realizamos, ou, se quisermos, àquilo que no mundo sucede e porventura permanece como manifestação do nosso ser.

«O reino de Deus é o lugar da paz e da alegria porque lá todos sabem o que são» -- creio que esta frase dá a entender o que com este post se quer dizer, pelo menos quanto ao que aponta no seu comentário.

> Temos muitos modos de reagir face ao que realizamos movidos pelo desejo de ser. Temos também muitas motivações.
Ser... o quê? Como? Porquê? Para quê? Por quem?
Creio que vale sempre a pena questionar -- o Reino de Deus, 'Deus connosco', leva-nos a colocar estas questões de um outro modo, do modo cristão.

Ser? Sim. De que modo? Porquê? Para quê?

Não creio que seja um ataque à pessoa, mas uma reflexão possível no percurso de qualquer um.

Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

Caro João,

Tanta energia gasta em algo tão simples.

É o João não é?

"Ser... o quê? Como? Porquê? Para quê? Por quem?

Ser? Sim. De que modo? Porquê? Para quê?"

Se mudar o quê, como, porquê, para quê, por quem, de que modo...

deixa de ser o João?

"o nosso mundo vive repleto de esqueletos, de ossos erguidos ao alto, que se apresentam diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade"

Tristes tradições, as de adorar ossos... pobres agnósticos que nem reconhecem a caveira de Yorik.

Afinal qual é o assunto? Onde está o cerne da questão?

Na destruição de uma imagem? cuitado... quer ser alguém... mas não passa de inevitável ilusão...

Mentira! Falsidade!

Cada humano pode ter a certeza que em cada acção... em cada decisão que toma...
tem eco na eternidade.

A pergunta não é o que sou!

A pergunta é: que eco é que quero deixar. Porque é certo que vai ecoar na eternidade.

Que eco é que quer deixar João?

joão disse...

Caro anónimo,

É inevitável que seja, independentemente das decisões que tomo. Agora sou e nada posso fazer para o anular (nem o desejo, tampouco).

No entanto, sou de um modo que me é próprio e que é diferente do seu e do de qualquer um. E o modo como sou não me é indiferente, como não lhe deve ser a si o modo como é.

"Ser... o quê? Como? Porquê? Para quê? Por quem?
Ser? Sim. De que modo? Porquê? Para quê?"
-- não é uma questão de gastar energia, mas de saber quem é esse João que de qualquer modo é, mas não quer ser de qualquer modo. Mesmo se a pergunta é "que eco quero deixar?" parece afinal não ser indiferente o modo como sou.

"Se mudar o quê, como, porquê, para quê, por quem, de que modo..." serei outro, sem dúvida.

Quanto ao assunto creio já o ter esclarecido antes. Não complique o que não é complicado. De que modo somos e porque queremos ser parece-me uma questão pertinente. Como parece ser para si. Afinal, o eco que deixamos é o eco de quem somos/fazemos.

Fico curioso por saber de onde lhe vem tanta fé de que "Cada humano pode ter a certeza que em cada acção... em cada decisão que toma... (...) tem eco na eternidade".


A pergunta não é que eco quero deixar!

A pergunta é: quem sou. O que realizo vem depois.

Quem é, anónimo?


Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

"Quem é, anónimo?"

Quer saber quem sou?

Ou quer saber como me chamo,
qual o nome com que me identifico?

Anónimo disse...

"Fico curioso por saber de onde lhe vem tanta fé de que "Cada humano pode ter a certeza que em cada acção... em cada decisão que toma... (...) tem eco na eternidade"."

Sabedoria, meu caro.
Filosofia, meu caro.

saltes disse...

Exmo. Anónimo, as suas palavras são todas eco na eternidade. E dado que o eco é o 'reflexo sonoro' do som original, só lhe oiço ecos baços e não percebo o que quer dizer nem onde quer chegar.

Tendes sabedoria? Sim, mas fraca!
Tendes filosofia? Sim, mas barata!

joão disse...

Caro anónimo,

A sua identidade é muito mais que o seu nome. Se lhe disser que me chamo João não saberá quem sou, apenas como sou chamado. Se me disser o seu nome pouco ficarei a saber sobre si. Se traçar alguns traços de personalidade será ainda pouco. A pergunta que fiz é tão somente de reflexão.

Para além disso, respeito o seu anonimato, ainda que ache simpático quando os comentários, sobretudo os que pretendem estabelecer um diálogo, vêm identificados. Afinal, quando começo uma conversa com alguém que desconheço, gosto de me apresentar e que ela se me apresente. São aspectos de cordialidade. Mas respeito a sua opção pelo anonimato.

Fundamentar a convicção da sua afirmação dizendo que lhe vem da Sabedoria e/ou da Filosofia é algo vago. Para ambas há muitas correntes e opiniões diferentes sobre aquilo que afirma: a eternidade ou não de quem somos ou do que fazemos. Segue o pensamento de um autor, ou fundamenta segundo uma linha de pensamento sua? Permaneço curioso.

Repare. Percebo que acredite no que afirma e terá a sua validade. Eu acredito de certa forma no mesmo, ainda que de outro modo. Mas tem de haver alguma fundamentação e ela tem de estar presente no diálogo.


Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

Caro João,

O meu anonimato tem por objectivo mostrar que não quero tanto apresentar-me "diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade"

"Segue o pensamento de um autor, ou fundamenta segundo uma linha de pensamento sua?"

De facto são pensamentos de muitos autores, de tantos que não chego a ter consciência de todos e que chego até a pensar que é uma linha de pensamento minha.

A noção de que altero a realidade que me rodeia até um certo ponto e que isso afecta o futuro é real e facilmente comprovada.

Basta olhar para modelos matemáticos que afirmam que a influência magnética ou de um elemento químico tem alcance infinito no espaço.

Bem como a possibilidade de a três dimensões ou mais encontrar comportamentos caoticos num campo vectorial.

Cumprimentos,

joão disse...

Caro anónimo,


Respeito o seu anonimato.

Com certeza que a partir de todos os autores que leu e corroboram a sua afirmação elaborou a sua síntese pessoal, a sua leitura dos acontecimentos, da História e da sua história. Claro que concordo consigo em como alteramos a realidade que nos rodeia, deixando a nossa marca, ou eco, na eternidade afectando também o futuro.

Creio que nos afastámos da questão com que iniciámos este diálogo. Debruçámo-nos sobre a questão da identidade e do eco na eternidade, quando partimos da questão das motivações. A importância ou não do "porquê" e do "para quê". Creio ser esse o nosso ponto de discussão. Quanto à identidade, parece-me que concordamos em como somos de qualquer modo, mas não queremos ser de qualquer modo, e quanto ao eco na eternidade ambos somos da mesma opinião -- importa que eco deixamos.

«Porque queremos tanto ser?» Porque queremos tanto deixar eco(s) na eternidade?
Concorda que se trata da mesma pergunta, ou, pelo menos, de duas perguntas intimamente relacionadas?

Para compreender melhor a sua afirmação preciso de lhe perguntar também como vê a possibilidade de haver vida após a morte. Como entende "eternidade"? É um ponto importante quando colocamos questões de sentido nas nossas acções/ecos.

Porque o autor do post parece distinguir entre a eternidade que buscamos deixar no tempo e a eternidade para além do tempo. De algum modo, creio que as duas terão lugar. E as duas questões («Porque queremos tanto deixar eco?» e «Que eco queremos deixar?») aplicam-se a ambas.

Que eco queremos deixar? Um eco de grandeza? Ou um eco da Verdade? Um eco que seja auto-afirmação, ou um que seja promoção da humanidade?

Creio que o autor aponta para a verdade da nossa proporção, para que queiramos deixar o eco justo e construtivo e não um que seja a projecção de uma grandeza que seja por dentro cheia de vazio, ou que esconda a vergonha da fragilidade. A proposta será um eco que reconheça a fragilidade e promova a justiça.

«aquele desejo que todos partilhamos de existir e existir para sempre». No fundo, o que por este post se nos diz é que esse desejo não é falacioso, absurdo, e portanto a eliminar. Antes, habita-nos, pode ser vivido de muitas formas e Jesus diz-nos como.

Porque queremos tanto ser?

Convido-o a retomarmos este ponto. Em que discorda do texto?


Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

Para compreender melhor a sua afirmação preciso de lhe perguntar também como vê a possibilidade de haver vida após a morte. Como entende "eternidade"? É um ponto importante quando colocamos questões de sentido nas nossas acções/ecos.

Caro João,

Agradeço as suas questões e a oportunidade para debater estes assuntos.

Proponho trabalho em conjunto.

vida após a morte

Definir “vida”.

“Jesus está vivo entre nós”

Definir “morte”.

-“Que eco queremos deixar? Um eco de grandeza? Ou um eco da Verdade? Um eco que seja auto-afirmação, ou um que seja promoção da humanidade?”

“verdade”

“auto-afirmação”

“Humanidade”

“Acertividade”

-A proposta será um eco que reconheça a fragilidade e promova a justiça.

“fragildade”
qual? Pessoal? De Deus? da religião?

“Justiça”

“santidade”

>Convido-o a retomarmos este ponto. Em que discorda do texto?

“o nosso mundo vive repleto de esqueletos, de ossos erguidos ao alto, que se apresentam diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade.”

Sentimento de incapacidade.

“Naquele tempo pensavam-se grandes e invencíveis, julgavam-se eternos, mas o tempo encarregou-se de os contradizer.”

Estamos a falar deles...

“Ele existe e porque existe permanentemente, ausente de fragilidade, resolve toda esta nossa questão de querer ser.”

Não sei se não tem fragilidades.
Antigo testamento...

“A semente que cai à terra é este apelo profundo que Deus faz a todos os seres humanos, através de Jesus Cristo, para que vivam na verdade da sua condição e não iludidos em relação à sua existência. O reino de Deus é o lugar da paz e da alegria porque lá todos sabem o que são, de onde vêm e para onde vão.”

Alma, movimento, vontade de se superar e fazer...

joão disse...

Caro anónimo,

Aceito o seu convite socrático, apesar da sua pouca diligência em aceitar o meu. Peço-lhe que da próxima vez deixe um comentário ao qual valha a pena responder. Responda às minhas perguntas e não apenas eu às suas. Fazer filosofia é mais do que arremessar questões pretensamente filosóficas.


Vida. Proponho que não seja definida em oposição à morte, mas que esta seja apenas um episódio (na sua relevância), como é o nascer, o primeiro dia de aulas na escola, a entrada no mundo do emprego e todas as outras passagens para um estado diferente de maturidade, de vida. Se a vida existe para lá dela esteja ainda por definir (espero a sua resposta sobre como entende a eternidade de que fala).
Seja a vida existência actuante e relacional, pessoal.
Seja pessoa o ser que age e é capaz de relação.

"Jesus está vivo entre nós". Seja considerado como acto de fé em como Jesus existe, actuante e em relação, para lá da sua morte, cerca de há 2000 anos.

Morte. Seja como a defini: episódio (na sua relevância), como é o nascer, o primeiro dia de aulas na escola, a entrada no mundo do emprego e todas as outras passagens para um estado diferente de maturidade, de vida. Se a vida existe para lá dela esteja ainda por definir (espero ainda a sua resposta sobre como entende a eternidade de que fala).

Verdade. Sem discutir o seu carácter absoluto ou relativo, há a verdade do que cada um é, por mais que potencialmente possa ser muita coisa, caso contrário cada um seria informe e indistinto. À sua frente estão muitas possibilidades. Olhe para trás. É a sua verdade, que foi, que hoje está em transformação e que amanhã será. Ou o seu eco a reflecte, ou é a projecção de uma grandeza que por dentro é cheia de vazio. A verdade de que falamos é discutida neste âmbito. Alargá-lo é perder perspectiva.

Auto-afirmação. Creio que não será necessário definir.

Humanidade. O conjunto de homens e mulheres e o que deles faz seres únicos na complexa biodiversidade. (não sei se percebi bem a sua dúvida aqui…)

Acertividade. Ou Assertividade?

Fragilidade. Qual? Pessoal? De Deus? Da religião?
A condição humana, pessoal e colectiva. A possibilidade de se ferir e de ferir.

Justiça. Houve certamente quem já tenha definido melhor a Justiça do que eu. Nem me parece que seja um ponto de questão.

Santidade. Não é o viver um estado de perfeição, mas acolher a graça de viver como filhos de Deus e, em heroicidade (por entre todas as dificuldades), vivê-lo. Lembre-se que falamos aqui no âmbito do acto de fé e é nesse âmbito que o poderemos discutir. Não vou questionar e discutir um quadro de Picasso se desconheço a sua arte, corrente e técnica, mesmo que saiba algo sobre pintura ou tenha gosto estético. Posso apenas contemplar. Reprovar por ignorância é estupidez.

“O nosso mundo vive repleto de esqueletos, de ossos erguidos ao alto, que se apresentam diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade.”
Sentimento de incapacidade. Preciso de uma resposta ao último comentário que deixei. Se falamos de sentimento de incapacidade, falamos de “porquês” e “para quês”, de motivações e objectivos.

Os pontos restantes são ideias soltas e sem clareza.


Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

Caro João,

Só com base nas suas definições é que posso responder. Espero que eu as tenhas compreendido.

Com a sua definição de vida a resposta mais provável é que não, não há vida depois da morte.

Por definição, apenas um episódio.

Se considerar que Jesus vive em nós. Aí temos vida eterna. Nos nossos filhos, nos nossos alunos, nos nossos crentes.

Mais de que um acto de fé é uma memória, um espírito.

Se considerar que é o seu espírito, a sua mente que vive então temos outra possibilidade.

A “realidade” da alegoria da caverna de Platão não é ultrapassável. Sugiro o filme “Matrix”.

A eternidade que falei foi a que já aceitou: “Claro que concordo consigo em como alteramos a realidade que nos rodeia, deixando a nossa marca, ou eco, na eternidade afectando também o futuro.”

mas mantenho em aberto as outras possibilidades...

Muito obrigado pelo seu pragmatismo na sua definição de Verdade.

“Olhe para trás. É a sua verdade.”

O que eu vejo? Ou o que outros vêem? Na vista para trás...

Auto-afirmação. Creio que será algo de fundamental.

O desenvolvimento de auto-confiança e controlar esse sentimento sem cair em excesso de confiança. Liberdade de pensamento e de afirmação.

Humanidade. O conjunto de homens e mulheres e o que deles faz seres únicos na complexa biodiversidade. (não sei se percebi bem a sua dúvida aqui…)

Humanidade: Ummanus - Wisdom Literature in Mesopotamia and Israel
Por Richard J. Clifford –
é simplesmente uma classe social que serve os seus Deuses, os seus Reis.

Deus não é ummanu. De facto não, por definição.

Fica provada a importância da língua, das palavras e dos seus significados...

Acertividade. Ou Assertividade?

Fica a nota que dá importância aos detalhes da mensagem. O ruído afectou o significado?

Fragilidade. A condição humana, pessoal e colectiva. A possibilidade de se ferir e de ferir.

Quando coloca em causa crenças queridas fere o ego de quem as têm? Alterar as nossas crenças é um processo lento e algumas pessoas não aceitam essa reprogramação.

Acredito que deve ser valorizado o esforço de clarificação de crenças, de significados, mesmo que expondo fragilidade. O resultado só pode ser: maior robustez.

Eu estou pronto a alterar as minhas crenças. Mas defendo-as com todo o trabalho pessoal com que as construí. Agradeço correções.

“Justiça. [...] Nem me parece que seja um ponto de questão. “

A questão foi colocada porque a justiça ou o sentimento de injustiça pode ser muito importante.

A gestão de expectativas afecta de forma decisiva a aceitação ou não de uma ideia, de uma religião, de uma política.

É legítimo o que estou a fazer ou não? Estou a ser justo?

Afinal o que é promover a justiça?

Promover a equidade? Promover a hierarquia de uma sociedade com castas? Promover a educação universal? Promover uma cultura obediente e acrítica?

Santidade. Não é o viver um estado de perfeição, mas acolher a graça de viver como filhos de Deus e, em heroicidade (por entre todas as dificuldades), vivê-lo.

tenho outra definição:

santidade, um santo deve deixar uma influência classificada de milagre: algo considerado impossível.

Anónimo disse...

Caro João,

“O nosso mundo vive repleto de esqueletos, [...] tentativas de eternidade.”

Tentei mostrar rapidamente o que não concordava com o texto.

O sentimento de incapacidade na eternidade do mais simples dos anónimos não é aceitável.

Porque pediu esmola e alguém deu dois euros e jogou no euromilhões e ganhou... alterando o futuro da humanidade porque sabe como criar energia gratuíta e infinita bem como desafiar a gravidade sem gastar recursos de energia usando apenas a natureza em que vivemos...

A tentativa de eternidade não é tentativa, temos um efeito no futuro e não temos conscienciência da dimensão do nosso efeito, “positivo” ou “negativo”.

“Naquele tempo pensavam-se grandes e invencíveis, julgavam-se eternos, mas o tempo encarregou-se de os contradizer.”

Estamos a falar deles... o tempo está a provar que tinham razão e não a contradizer. Ex: Ramsés II.

“Ele existe [...] ausente de fragilidade”

Não sei se não tem fragilidades.
Gn 32,25-31

“A semente que cai à terra [...]de onde vêm e para onde vão.”

Não estão iludidos em relação à sua existência... Enquantos vivos, têm alma, movimento, vontade de se superar e fazer...
Ex: Ef 6,12

Não está clara qual a ilusão. Eternidade? Não é ilusão. A minha voz, a minha imagem está no Universo. Viaja à velocidade da luz e interfere com tudo que encontra. Uns milhões de anos de influência estão garantidos...

O meu pedido de desculpa pela falta de rigor na filosofia como disciplina. Para mim filosofia é um sentimento.

joão disse...

Caro anónimo,

Obrigado pela sua resposta um pouco mais clara. O nosso diálogo terá de ser conciso e atender ao essencial, uma vez que não tenho disponibilidade para discutir tantos temas que afloramos.

«A eternidade que falei foi a que já aceitou: “Claro que concordo consigo em como alteramos a realidade que nos rodeia, deixando a nossa marca, ou eco, na eternidade afectando também o futuro.”»

Não aceitei, desde início já a considerava. Mas falamos também de outra que parece não reconhecer, ou aceitar, e sobre essa é que está a minha questão, a eternidade depois da morte como mais que uma memória. Se bem percebi, para si "apenas" existe eternidade como memória, eco, na História. Quando no texto e nos meus comentários falamos no desejo de deixar eco na História como uma resposta limitada ao desejo de ser. 'Ser' somo-lo por dom de Deus e somo-lo, com eco deixado, na História e na Eternidade que está 'para além' dela.


Alguns pontos:

«“Olhe para trás. É a sua verdade.”
O que eu vejo? Ou o que outros vêem? Na vista para trás...»
O que vê e outros lhe dão a ver, mas que é tão somente a verdade que sabe de si. Algo sempre escapa.


«Auto-afirmação. Creio que será algo de fundamental.» De acordo, só não me pareceu necessário definir. Tem uma perspectiva saudável de auto-afirmação, mas eu referia-me a ela no seu sentido mais negativo, de vaidade se quiser, de ter apenas a minha afirmação por valor, horizonte, como motivação para o eco que quero deixar.


«Acredito que deve ser valorizado o esforço de clarificação de crenças, de significados, mesmo que expondo fragilidade. O resultado só pode ser: maior robustez.»
De acordo, desde início.


«Afinal o que é promover a justiça?»
É um conceito tão variável por ser tão cultural. Parece-me que para a discussão o que importa é, independentemente do significado que tem para o próprio a Justiça, se a tem como valor na escolha do eco que quer deixar.


Santidade. Guardo a minha definição.


«“Naquele tempo pensavam-se grandes e invencíveis, julgavam-se eternos, mas o tempo encarregou-se de os contradizer.”
Estamos a falar deles... o tempo está a provar que tinham razão e não a contradizer. Ex: Ramsés II.»

Mesmo que os considere grandes, invencíveis, eternos, está a falar de uma eternidade (não divina) diferente da que eles sonhavam (pelo menos pensando em Ramsés II). Pereceram como todos, alguns deixando memória. Muitos esquecidos. Claro que é legítimo como projecto de vida querer deixar eco na História. Mais uma vez não é isso que para mim está em causa, mas "porque queremos deixar esse eco?", as motivações.


«“Ele existe [...] ausente de fragilidade”

Não sei se não tem fragilidades.
Gn 32,25-31»
Terá as fragilidades de quem ama.

«O meu pedido de desculpa pela falta de rigor na filosofia como disciplina. Para mim filosofia é um sentimento.» Certo, mas que não seja só sentimento.


Agora a minha pergunta. Falamos de “porquês” e “para quês”, de motivações e objectivos. Porque queremos tanto ser? Se bem percebi, para si "apenas" existe eternidade como memória, eco, na História. Quando no texto e nos meus comentários falamos no desejo de deixar eco na História como uma resposta limitada ao desejo de ser. 'Ser' somo-lo por dom de Deus e somo-lo, com eco deixado, na História e na Eternidade que está 'para além' dela.

Porque queremos tanto ser? Certamente haverá tantas respostas. Falamos a partir de duas concepções diferentes. Não genericamente, mas para si, porque quer tanto deixar eco na História?


Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

"porque quer tanto deixar eco na História?"

Sem querer... deixo um eco.

A minha pergunta é porque quero tanto saber?

Quem sou?

Já procurei a resposta em vários locais. Continuo a minha procura.

Acredito nos textos sagrados. Como livros históricos que revelam o passado e o futuro.

Por estranho que pareça a minha ignorância cresce mais do que o meu conhecimento. Aparecem mais perguntas sem respostas a cada descoberta...

Muito obrigado pelas suas respostas.

Cumprimentos

joão disse...

Caro anónimo,


Desejo-lhe uma boa peregrinação na procura da resposta a essa maravilhosa e surpreendente pergunta. 'Quem sou?'

Agradeço-lhe a troca de impressões.


Cumprimentos,
João

freefun0616 disse...

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