7 de junho de 2009

Unidade perfeita e fértil


Se confesso Deus e o confesso como Trindade, não o faço por alguma vez o ter visto ou por ter uma ideia clara e vivida do que me refiro quando falo de Trindade. Nunca vi o Pai e do Espírito conheço apenas os efeitos. Ponho a minha fé no Filho que me fala de ambos, mas o meu conhecimento é por demais imperfeito. Deus é-me, na sua profundidade, desconhecido. Mesmo estas palavras que escrevo na tentativa de dizer algo sobre a Santíssima Trindade são habitadas de um profundo mistério. Contudo, Aquele diante de Quem me ponho na oração e na vida, que é profundo mistério, é Quem me é mais certo, em Quem ponho toda a minha fé. E creio que essa é a porta de entrada no mistério, não o que pela razão poderei alcançar e compreender, mas o que me é revelado por Deus e, na experiência do seu amor, recebo como verdade digna de fé.

Outros encontrarão palavras mais claras, certeiras e eloquentes do que as minhas para falar da Trindade. Por isso cito o próprio Verbo, a segunda Pessoa do Deus único, na noite em que ia ser entregue, numa das passagens onde mais me é dada a conhecer a Trindade.

«Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós. (...) o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse (...) há-de guiar-vos para a Verdade completa.» (Jo 14, 16-17. 26; 16, 13).

Como são estas três pessoas divinas, que se relacionam deste modo, um só Deus? É a questão que o nosso entendimento nos coloca (porque a razão não é excluída pela fé, mas concorre no conhecimento de Deus). A ideia chave que nos abre a compreensão àquilo que nunca deixará de ser um mistério é a de que Deus é amor. Um amor que não é a palavra onde cabem os mil e um significados que lhe damos, mas aquele que Jesus revelou na sua vida e faz do absurdo da sua morte na cruz algo pleno de sentido. Pela sua morte na cruz e Ressurreição somos salvos e tomados como filhos. O amor que é Deus é o amor que dá (a vida, a salvação, a filiação, ...) sem recuar face à morte, o amor que é sempre dom sem sombra de egoísmo. É nessa medida que a Trindade pode ser entendida, porque nEla o amor é unidade perfeita e fértil, porque é inteiramente dom sem sombra de egoísmo em cada uma das três pessoas.

Entendido assim o amor, são três as pessoas porque o amor só é quando há uma relação e não existe solitariamente. Amor entre duas pessoas, Aquele que é todo Pai e Aquele que é todo Filho, mais o Espírito gerado da unidade perfeita e fértil entre o Pai e o Filho, igualmente amado e amante. Os três são um só Deus pela unidade perfeita do amor.

Tudo em Deus é um acto de dom, desde a criação e tudo quanto existe, ao momento singular em que Deus Se faz homem e habita entre nós, morre, ressuscita e nos toma nos braços como seus filhos, até todos os momentos em que Se faz presente na nossa vida. Que a nossa vida seja acto de fé, reconhecendo e celebrando o dom que é o mundo e a nossa história.

6 comentários:

Alexandre disse...

"A ideia chave que nos abre a compreensão àquilo que nunca deixará de ser um mistério é a de que Deus é amor."

que nos abre a compreensão...

àquilo que nunca deixará de ser um mistério...

belo paradoxo...

Pode explicar?

Cordiais saudações,
Alexandre

joão disse...

Caro Alexandre,

Ouvimos muitas vezes dizer que a Santíssima Trindade é um mistério, não um enigma, entendendo por mistério aquilo que nunca se conhece inteiramente, mas se vai progressivamente conhecendo, e por enigma aquilo que é logo de início impenetrável; ou, se quisermos, aquilo que tem apenas dois momentos, sem nenhum estado intermédio: o de perplexidade total porque a resposta é absolutamente desconhecida e o da apreensão total desta, como numa adivinha.

Por mistério digo algo que se abre progressivamente ao entendimento, ao conhecimento.

Dentro desta distinção, a Santíssima Trindade não é um enigma porque nem é algo absolutamente impenetrável, nem algo que a razão apreende de imediato por inteiro. Como mistério, é algo que pela fé, pela Revelação, se abre progressivamente à razão.

O que quero dizer com a expressão que citou é que eu nunca conhecerei por inteiro a Trindade senão, claro, ao viver a Ressurreição, a vida em Deus em plenitude. Aí o nosso conhecimento de Deus será completo "porque o veremos face a face". Então, em unidade perfeita, conhecerei perfeitamente. Até lá, vou-O conhecendo como Ele Se revela.

Todos temos quem nos seja mais próximo e querido. O nosso conhecimento dessa pessoa variará, conhecendo-a progressivamente, mas será sempre um mistério. Não desconhecida, mas um mistério que se nos revela com o passar do tempo, com a relação que se estabelece.

Com Deus sucede do mesmo modo.
"Deus é-me, na sua profundidade, desconhecido", mistério.
"Aquele diante de Quem me ponho na oração e na vida, que é profundo mistério, é Quem me é mais certo, em Quem ponho toda a minha fé", porque Se me revela na oração e na vida como Amor. Na oração e na vida, na relação que aí entre mim e Ele acontece.
"E creio que essa é a porta de entrada no mistério, não o que pela razão poderei alcançar e compreender", razão entendida aqui sem relação, como mera especulação, "mas o que me é revelado por Deus e, na experiência do seu amor, recebo como verdade digna de fé."

"A ideia chave que nos abre a compreensão àquilo que nunca deixará de ser um mistério é a de que Deus é amor". O próprio Deus revela-Se activamente, o próprio mistério revela-Se activamente, primeiro pela boca dos profetas, depois e plenamente por meio do Verbo, em Jesus. A chave que nos abre a compreensão ao mistério de Deus é o próprio Deus que Se revela - como amor. O mistério abre-se à nossa compreensão porque o próprio, a própria Trindade, Se revela - como amor.

Sublinho outra vez: "Um amor que não é a palavra onde cabem os mil e um significados que lhe damos, mas aquele que Jesus revelou na sua vida e faz do absurdo da sua morte na cruz algo pleno de sentido".

Caminhamos progressivamente desde o encontro com o mistério até à Revelação plena, na vida em Deus.

Espero ter conseguido explicar.


Cumprimentos,

João

Alexandre disse...

Caro João,

Muito obrigado pela sua resposta.

"Caminhamos progressivamente desde o encontro com o mistério até à Revelação plena, na vida em Deus."

Plenamente de acordo.

"Espero ter conseguido explicar."

Ficam sempre dúvidas...
por exemplo:

"O que quero dizer com a expressão que citou é que eu nunca conhecerei por inteiro a Trindade senão, claro, ao viver a Ressurreição, a vida em Deus em plenitude. "

Deus de Deus,
Luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado não criado,
consubstancial ao Pai...

gerado não criado,
consubstancial ao Pai...

Já viu o filme: "The 6th Day" ?

Será que o Pai e o filho podem ser de facto um e um só?

Depende das nossas classificações sempre arbitrárias...

A União no Espírito Santo. Esse é um passo para uma classificação única...

"Deus é amor"

concordo... mas não penso que não será só amor.

Enigma: descrição ambígua ou metafórica de uma coisa, para ser decifrada por outrem. Advinha.

Mistério: tudo o que tem causa aculta ou parece inexplicável. Cerimónia da antiguidade pagã. Verdade dogmática da religião católica.

talvez seja melhor trocar as duas palavras com sginifcados que indicou no texto.

concorda?

cordiais saudações,
Alexandre

joão disse...

Caro Alexandre,

Não sei dar resposta a questões sobre a Trindade para além daquilo que mencionei neste post. Aliás, o que quis ressaltar foi precisamente o facto de que, desde o ponto de vista filosófico-teológico, pouco sei sobre Ela e só me é seguro o que conheço não porque me seja claro, mas porque me é digno de fé. Porque me é revelado por Jesus (não citarei de novo a passagem de S. João) e Ele me é digno de fé. "Nunca vi o Pai e do Espírito conheço apenas os efeitos. Ponho a minha fé no Filho que me fala de ambos".
Depois de ter escutado, não me parece estranho que em Deus haja 3 pessoas ("o amor só é quando há uma relação e não existe solitariamente") e que sendo Deus amor as 3 sejam em unidade perfeita e fértil. E o que está unido é uno, é um.

Para além disto não posso dizer muito mais, entrando em conceitos filosóficos ou teológicos que ainda não domino (consubstancialidade entre o Pai e o Filho, etc.). Tenho que ficar por uma linguagem mais simples. E de facto, basta-me e creio que é a que basta para o que realmente importa quando abordamos a Trindade numa perspectiva de fé. Não falamos de um "puzzle", mas de pessoas. Não estamos ao nível da curiosidade intelectual, que tem o seu lugar, mesmo aqui no mistério da Trindade, mas no da relação.

Não quis com este post lançar uma discussão filosófico-teológica que não podia sustentar com o pouco conhecimento que tenho, mas dar a conhecer que também eu (cada leitor) sou fruto da mesma fertilidade desta união perfeita e chamado a participar nela, não pela inteligência, mas pela relação na oração e na vida (sabendo que a inteligência tem o seu lugar na relação). Conhecer a Trindade não como se conhece um puzzle, ou uma teoria matemática ou física, mas sabendo que há um Deus-Trindade que tendo já pronunciado a Palavra espera agora a resposta que Lhe dou na oração e na vida. Uma Palavra que não apenas Se fez ouvir há 2000 anos atrás, mas hoje e sempre Se faz ouvir.

Prefiro que qualquer questão siga neste âmbito.


Cumprimentos,
João

Alexandre disse...

"Só espero não o fatigar demasiado com toda a minha tagarelice"

1913

freefun0616 disse...

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