5 de julho de 2009

Religião, ateísmo, e espírito crítico

1. Entre os crentes, sejam eles cristãos, hindus, muçulmanos ou outros, há variedade de posições em muitos aspectos, mesmo que estejam de acordo no essencial. Há muitas afirmações e muitos factos por esse mundo fora que são muitas vezes considerados elementos essenciais da religião mas que, de facto, não passam muitas vezes de caricaturas. O mesmo acontece com ateus e agnósticos. Há entre eles posições muito diversas, mesmo que estejam de acordo no essencial.

2. Por conseguinte, se se quiser fazer uma análise crítica, objectiva, inteligente e fundamentada, seja da religião, seja do ateísmo, não se podem escolher para objecto de crítica apenas as posições mais duvidosas e ridículas de um lado ou do outro, ignorando outras posições mais difíceis de rebater. Mas é isto que fazem os ateus, como Dawkins, Dennett, Harris, etc., bem como muitos não crentes, sobretudo os que encontro na blogosfera. Apesar deste erro metodológico fundamental, os ateus consideram estes e outros autores na mesma linha grandes génios do pensamento ateu, e aceitam incondicionalmente o que dizem. Esta é uma posição que considero inaceitável: os ateus têm pouco espírito crítico, ou mesmo nenhum, para com o que escrevem e dizem os ateus mais iluminados. E aquilo que consideram o seu espírito crítico aplica-se apenas às religiões, e dirige-se em geral a aspectos que pouco ou nada têm a ver com a religião em geral, menos ainda com o cristianismo em particular. O que criticam são, com frequência, aspectos anedóticos que, ao serem facilmente deitados por terra, lhes dão a sensação de que venceram mais uma batalha contra a crença religiosa. Penso que, ao procedrem assim, os não crentes estão, de facto, a perder o seu tempo.

3. Não me parece saudável subscrever incondicionalmente qualquer texto, seja de um autor cristão, seja de um ateu, sem antes o examinar criticamente. Raramente me identifico totalmente com os textos de autores cristãos, e não tenho qualquer problema em o dizer publicamente. Não vejo esta atitude, que me parece essencial no pensamento crítico e racional, da parte dos não crentes em relação a textos de autores ateus. Fico com a sensação de que os não crentes atribuem aos seus autores uma omnisciência e infalibilidade que não atribuem a mais ninguém. Ou estarei enganado?

9 comentários:

L disse...

Caro Professor,

Não me revejo na totalidade das opiniões dos autores mais famosos do "Novo Ateísmo", e nem sequer concordo com tudo aquilo que eles dizem. Por isso, não poderei responder por todos os outros não crentes.
No entanto, acho que é bastante evidente que as diferenças de opiniões entre ateus é menor quando comparadas com as diferentes opiniões dos crentes sobre a sua religião. Afinal, os ateus dizem simplesmente que Deus não existe.
Se os não crentes continuam a pegar naquilo que o professor chama "episódios anedóticos" é porque eles continuam a acontecer, muitas vezes ao abrigo da "oficialidade" da Igreja e com o seu patronato directo.

Melhores cumprimentos

Leonor Abrantes

alfredo dinis disse...

Leonor,

1. Os ateus não dizem todos simplesmente: ‘Deus não existe’. Dawkins, por exemplo, não afasta essa hipótese por completo, embora não admita que Deus, se existir, corresponda a algum dos deuses das actuais religiões. Os ateus diferem ainda das provas da existência de Deus que pedem aos crentes. Diferem também da qualidade da atitude para com os crentes. Uns pensam que não vale a pena perder tempo a dialogar com os crentes, outros pensam o contrário.

2. O mundo está cheio de aspectos anedóticos, em todos os domínios. Se eu quiser provar que um desses domínios – história, filosofia, ciência, arte, política, religião, etc – não tem consistência, bastar-me-á escolher os aspectos anedóticos desse domínio, esquecendo os seus aspectos não anedóticos. Procedendo assim, facilmente ‘provo’ que esse domínio não tem consistência. É o que fazem os ateus em relação à religião. Não considero que este tipo de argumentação tenha grande interesse ou valor. Por isso é que ao insistirem neste género de argumentação, os ateus apenas convencem quem já está convencido.


3. Por outro lado, os ateus referem-se muitas vezes a aspectos das religiões que conhecem apenas em segunda ou terceira versão, quando não os ignoram por completo. Certa vez, um ateu, que num dos debates na blogosfera se pronunciou agressivamente contra a Bíblia, acabou por ‘confessar’ que nunca a tinha aberto porque não esperava aprender nada com ela! Eu leio os livros dos ‘novos ateus’ para conhecer em primeira mão o que afirmam, e leio também outros textos de autores que os defendem, uns, e os criticam, outros. Não tenho nenhum interesse em ser um ‘cristão militante’ contra o ateísmo apenas porque acho que o ateísmo deveria desaparecer. Mas, por vezes, parece-me que é essa a atitude dos ateus. Estão tão cheios de certezas e de evidências sobre a não existência de Deus, que a única coisa que consideram importante é que a religião desapareça. Ela é a fonte de (quase todos?) os males. Será fonte de algum bem? ‘Ora, isso agora não importa nada!’ Chama a isto espírito crítico e objectivo?

4. O espírito crítico tem que ser isento, informado, tão objectivo quanto possível. Fico satisfeito por saber que a Leonor não aceita tudo o que dizem os ‘novos ateus’, mas continuo sem saber o que critica neles. De qualquer modo, obrigado pelas suas considerações.

Cordiais saudações,

Alfredo Dinis

Nuno Gaspar disse...

Totalmente de acordo.
Até parece que uma certa atitude de menor sentido crítico, simplismo literalista, carneirismo, se transfere de algumas formas da experiência religiosa para os movimentos ateístas. Enquanto algumas vivências se tentam libertar de um "positivismo" religioso e se abrem à interrogação, à investigação e até à evolução da própria fé observam-se noutros campos sinais de um retrocesso e recauchutagem de um positivismo científico serôdio, quadrado, dogmático e paralisante.
Os carros têm avarias e até podem provocar acidentes. Para um ateísta, em vez de identificar os defeitos e procurar melhorar a máquina, o melhor é andar mesmo a pé. É verdade que mais dificilmente teriamos acidentes nas estradas mas, por outro lado, não conseguiriamos viajar para muito longe do sítio onde estamos.
Se eles andassem a pé, tranquilamente, e deixassem os outros seguir viagem pelo modo que acham mais conveniente, tudo bem. O que é cómico é que fazem vida de, não explorar e investigar o seu modo de transporte escolhido, mas sim de criticar e escarnecer da via que os outros escolheram. É este aspecto obsessivo, que em algumas páginas da blogosfera podemos mesmo conferir o seu carácter doentio, que me enche de curiosidade e que acho merecer um estudo sistematizado e aprofundado. O criacionismo dos evangélicos americanos e a teocracia de Bush filho, e alguns azares de uma Igreja frágil porque humana, não explicarão tudo.

alfredo dinis disse...

Caro Nuno,
A minha resposta ao teu interessante comentário está no post que hoje publiquei neste mesmo blog.

Cordiais saudações,

Alfredo Dinis,sj

izidiney da silva disse...

Caros amigos,os ateus dizem:"Deus não existe" "a biblia mente" "o huniverso é obra do acaso" "nós não fomos especialmente criados por um ser brilhante e amoravel,nós evoluimos dos simios"
E eu vos pergunto:com base em que chegaram a essa conclusão?
E quanto a esperanças,quis são as vosas?
A quem (ou,a o quê)voces reverenciam? a inteligencia ciêntifica humanista? isso não vos parece pouco? A mim sim,desculpe!
O homem pode ser entregue a si mesmo,sem ter que prestar contas a niguém? Não precisamos de um DEUS que nos oriente e comforte através de sua voz escrita?
E quanto aos sonhos? ateus sonham?
Existe um paraiso pra vós?

Sabe queridos,DEUS não precisa que creiamos nele,esse é um problema nósso,ele apenas existe e pronto!
porém,por mais que resistamos a ideia de sua existencia,se olharmos com um pouco mais de atenção o huniverso a nossa volta, teremos de adimitir que é perfeito demais pra ter surgido do nada por mero acaso,ai então,se formos suficientemente humildes pra admitir que não sabemos de tudo com exatidão,começaremos a tomar "ciencia" de que a fé é o auge máximo da inteligencia.
DAWKINS e outros ateus famosos são vistos como gênios,destilan ceticismo e arrogancia contra DEUS,
fazem engrossar as fileiras do ateismo mundial,isso é bom!
afinal temos o dom do "livre arbítrio"não temos? mas e se...
Ele estiver enganado? e se DEUS EXISTIR DE FATO? Descubriremos a tenpo de nos arrepender e fazer-mos as pases com ele?
Pense nisso:se DEUS existe,a sua vida tem um propósito;se não...
você é obra do acaso,um mero acidente cósmico,você não deveria estar aqui.
Isso lhe parece razoavel? então ta! SEJA FELIZ!!

jotapc disse...

«se se quiser fazer uma análise crítica, objectiva, inteligente e fundamentada, seja da religião, seja do ateísmo, não se podem escolher para objecto de crítica apenas as posições mais duvidosas e ridículas de um lado ou do outro, ignorando outras posições mais difíceis de rebater»

Dê-me, por favor, um exemplo de posição difícil de rebater que os não-crentes citados ignorem. Basta um.

ps: Não sou ateu nem aceito incondicionalmente o que dizem os autores citados. Mas conheço muitos ateus que também o não fazem. Além disso, a maior parte dos ateus que conheço não se atém ao anedótico. Têm até uma cultura religiosa acima da média.

Paz e Saúde!

joao_moedas disse...

Está enganado.

Anónimo disse...

bronners Take a piece of me

freefun0616 disse...

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