9 de setembro de 2009

s. pedro claver | 3 olhares: 1 chamamento

“Pedro Claver nasceu em Verdú (Espanha) no ano de 1580; começou em 1596 os estudos de Letras e Artes na Universidade de Barcelona e entrou na Companhia de Jesus em 1602. Na sua vocação missionária exerceu uma notável influência S. Afonso Rodrigues, porteiro do Colégio em Palma de Maiorca. Ordenado sacerdote em 1616 na missão da Colômbia, aí exerceu até à morte apostolado entre os escravos negros; tinha-se obrigado por voto a ser «escravo dos negros para sempre». Debilitadas as forças, morreu em Cartagena (Colômbia) a 8 de Setembro de 1654. Foi canonizado por Leão XIII em 1888. Em 1896, o mesmo Sumo Pontífice declarou-o patrono especial de todas as missões entre os negros.”



O que mais impressiona na vida dos santos, e o que mais os distingue da vida de outras pessoas importantes, é o facto de as suas vidas falarem mais de Cristo do que deles próprios. Daí o facto do Imperador Carlos V e Luís XIV, o tal rei sol que afirmava ser o Estado, mesmo sendo incontornáveis em qualquer abordagem histórica das suas épocas, permanecem memoráveis mas mortos e bem mortos. Talvez porque “quem procura conservar a sua vida perdê-la-á” (Lc 17, 33).

Pedro Claver é sobretudo alguém que nos fala do amor cristão revelado na cruz. Talvez a cruz apareça sempre como um termo demasiado mitificado. Quando numa carta S. Pedro diz que: “Cristo morreu por nós”, a nossa tentação é a de ler superficialmente e deixarmo-nos prender mais pela expressão: “Cristo morreu”, que pela: “por nós”. Quando só pelo “por nós” se entende o “Cristo morreu”. Da mesma maneira, Pedro Claver diminuiu-se a ponto de se fazer escravo dos escravos negros que, enviados para a América, substituíam os trabalhos forçados que outrora os nativos fizeram.


Mas donde vem este calibre de homens que, tocados por Deus, são capazes de ainda hoje tocar mais vidas que os mais incontornáveis da história? Todas as histórias têm princípios. O princípio deste estilo de vida que Pedro levou, teve o seu começo em Verdú, sua terra na Natal, foi alimentado em Maiorca e confirmado no porto de Málaga. Três lugares nos quais três olhares apontaram um só Senhor para o seu coração: o Cristo pobre e humilde.

Talvez Pedro não imaginava quanta ternura lhe inspirava o olhar daquele tosco Cristo de Verdú. Progressivamente Pedro foi lendo naquele olhar como que uma voz que o enviava a viver como aquele crucificado, isto é, alguém que estava de costas para a cruz e virado de braços abertos para o mundo. “Estou determinado a deixar os meus problemas para trás das costas e abrir-me a acolher e cuidar de outros, porque Jesus o faz comigo.” Provavelmente foi isto que ele pensou, na sombria e íntima igreja de Santa Maria de Verdú, antes de pedir aos pais permissão para ingressar no Noviciado da Companhia de Jesus.

Talvez Pedro não imaginava quanta diligência lhe inspirava o olhar daquele velho porteiro do Colégio de Maiorca. Afonso Rodrigues era o nome desse misterioso porteiro que tantas histórias tinha para lhe contar. Mas o mais importante é que este irmão, que tinha por habito não se encostar à cadeira na portaria para ser mais pronto e disponível para acolher quem quer que lhe batesse à porta, esforçava-se muito para imaginar que sempre que abria a porta ia receber a Sagrada Família (José, Maria e Jesus). Parece parvo? Talvez, mas por isso mesmo todos se sentiam acolhidos de tal forma que tinham aquele irmão por alguém muito especial e amigo. Nem a genialidade de Heraclito foi capaz de tanta humanidade no trato. Pedro bebera do olhar deste velho irmão toda a diligência para desejar encontrar Jesus em cada pessoa que encontrava, a fim de a poder servia com todo o seu coração, forças e entendimento.

Talvez Pedro não imaginava quanta confirmação lhe inspirara o olhar daquele negro, no cais de Málaga. Enquanto, nalguns centros intelectuais europeus, se discutia se os negros tinham alma ou não, Pedro encontra no cais um negro que, exangue, o olha. Estranho… Pedro conhecia aquele olhar!?! Quem seria? Era o mesmo olhar que vira no tosco Cristo de Verdú. E desse olhar, no qual reconhecera o olhar do próprio Cristo crucificado, Pedro reavivava a grande mensagem evangélica de tornar claro que aquele que é tomado por periférico pelas sociedade, aquele que é posto na margem, é precisamente aquele que Deus tem no centro da Sua atenção e ternura. Tal como Jesus que colocara no centro da sinagoga o velho que, desprezado por Deus, tinha a mão ressequida, Pedro percebe no olhar daquele negro que os fracos transparecem a grandeza de Cristo, por um apelo ao serviço que pulsa a partir de nós.


Três olhares forjaram um chamamento. São corpo e história de um dom que nos deviam colocar a pergunta: “De que adianta ganhar o mundo inteiro, se viermos com isso a perder a própria vida?” Não sei se o Carlos V e o Luís XIV mudariam de vida depois de ler isto, mas tu podes.


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4 comentários:

Tomé disse...

muito bom o menino escreve muito bem... incrivel parecesse comigo qdo mais novo era!!! mas que fantástico.
no minimo extraordinário, com os seus arquétipos mantendo beleza retofuturista e preservando o perfume do presente. estonteante belo.
boa puto,

Nuno disse...

Gostei muito deste texto!

Impressionante, de facto, o que é narrado sobre São Pedro Claver. Ao mesmo tempo simples (quem, provavelmente, tinha uma vida complicada era o Luís XIV e o Carlos V): Pedro, às tantas, apenas fez o que o coração lhe pedia (se é que me posso exprimir assim).

Fez-me lembrar a Beata Teresa de Calcutá (que morreu há dez anos). Que fez ela? Foi, a pedido de Cristo, levar a LUZ aos buracos negros de Calcutá, durante a segunda metade do Séc. XX. Que lia ela nos mais pobres dos pobres, nos marginalizados? "Tenho sede" (Jo19,28). Desta forma, serviu Jesus nos nossos irmãos e mostrou-nos como faz sentido seguir a vocação, dar a vida.

Os santos desafiam-nos!

Nuno disse...

As pessoas - nossas irmãs - de África continuam a sofrer hoje, 400 anos depois de S. Pedro Claver. Mas é consolador saber que o sucessor de outro S. Pedro, levanta a voz para os defender:

Epidemiologista francês apoia Papa sobre preservativo

Recorda que inclusive ONUSIDA lhe dá razão

PARIS, terça-feira, 15 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Para René Ecochard, professor de medicina, epidemiologista, chefe do serviço de bioestatística do Centro Hospitalar Universitário de Lyon, "as palavras de Bento XVI sobre o preservativo são simplesmente realistas".

Este é, de fato, o título de um documento que assinou em abril passado, após a viagem pontifícia à África (de 17 a 23 de março) e a polêmica lançada por meios de comunicação ocidentais sobre as declarações do Papa sobre o preservativo.

Entrevistado pelo jornal francês La Manche Libre, o professor Ecochard lamentou "a falta de realismo" que se dá "nesta questão que é prisioneira da ideologia".

Parece algo como "se a opinião perdesse seus pontos de referência quando enfrenta as questões da sexualidade e da família".

René Ecochard considera que "se deu um erro de compreensão na opinião pública". "As pessoas acreditaram que o Papa falava da eficácia do plástico, do preservativo, quando na realidade falava das campanhas de difusão do preservativo. Isto é muito diferente".

"Da mesma forma que todo objeto tecnológico de prevenção, o preservativo tem uma eficácia quantificada", afirma. Mas, "o problema não está aí: todos os epidemiologistas concordam hoje em afirmar que as campanhas de difusão, nos países em que a proporção das pessoas afetadas é muito elevada, não funcionam".

"Se o preservativo funciona quatro de cada cinco vezes", isto pode ser suficiente "quando a Aids não está estendida".

"Mas em um país em que 25% dos jovens de 25 anos estão afetados (Quênia, Malaui, Uganda, Zâmbia), isto não é suficiente".

"O fracasso desta forma de prevenção é uma realidade epidemiológica".

"Rodeado de especialistas, bem informado pela Academia de Ciências de Roma, o Papa dominava perfeitamente esta questão antes de ir para a África", acrescenta.

Na entrevista, René Ecochard se detém em particular sobre o caso de Uganda, o único país "em que o número dos enfermos foi dividido por três na idade de 25 anos".

"Além da campanha sobre o preservativo, este país realizou uma ampla campanha baseada no tríptico ABC (abstinência, fidelidade, castidade ou preservativo)".

"O casal presidencial, os grupos religiosos, as escolas, as empresas... todo mundo apoiou esta campanha, freando a Aids, que será combatida se cada um buscar ter atitudes sexuais conformes às tradições familiares", explicou.

"Pode ser que não seja fácil reproduzir isto de um país ao outro, mas hoje, é a única esperança", acrescenta o epidemiologista francês.

Hoje, "mais de 60% dos cientistas estão a favor das campanhas ABC", declarou, recordando que é a política adotada por ONUSIDA.

freefun0616 disse...

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